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“Lições da Netflix” mostram que nem sempre boas premissas são recompensadas pelo mercado
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“Lições da Netflix” mostram que nem sempre boas premissas são recompensadas pelo mercado

Relatório da série Ideia de Trade encerra operação em Netflix (NFLX; NFLX34) aberta em outubro de 2025, com prejuízo acumulado de -31,5%, e revisita as apostas que sustentavam a tese

Uma tese bem construída, com fundamentos sólidos e gatilhos claros, nem sempre se traduz em retorno para o investidor. É essa a reflexão que a EQI Research traz em relatório publicado nesta segunda-feira (6), ao anunciar o encerramento do trade mais antigo entre suas operações em aberto: a recomendação de compra em Netflix (NFLX; NFLX34), iniciada em outubro de 2025. O resultado acumulado da operação fechou com uma queda de 31,5%.

No relatório Ideia de Trade, o analista Nícolas Merola reconstrói os quatro pilares que sustentaram a recomendação em Netflix e explica por que decidiu zerar a posição mesmo mantendo uma visão de longo prazo favorável à companhia.

“É hora de se despedir do trade mais antigo entre as operações em vigência. Desde que começamos, uma diversidade de eventos e atualizações impactaram as ações, gerando bastante volatilidade e descaracterizando pouco a pouco a tese inicial e me levando a encerrá-la mesmo que com um desempenho acumulado negativo, de 31%”, escreve Merola, ao justificar a decisão de encerrar a operação mesmo sem uma mudança de visão sobre os fundamentos da companhia.

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Quatro apostas e uma disputa bilionária pela Warner

A recomendação original se apoiava em quatro frentes:

  • o impacto pontual de uma disputa judicial perdida pela Netflix, avaliada em cerca de US$ 600 milhões;
  • a expectativa em torno do lançamento da temporada final de Stranger Things;
  • o potencial de uma aquisição da Warner Bros (WBD; $W1BD34), dona da HBO e de franquias como Harry Potter e Game of Thrones; e
  • um preço de entrada alinhado à média histórica do papel.

Entre esses pontos, a hipótese de aquisição da Warner concentrava boa parte do racional estratégico da operação. Ao detalhar por que via um potencial tão relevante nessa possibilidade, Merola argumenta:

“A Warner, através da HBO, poderia representar não só um salto no número de assinantes, mas também uma nova avenida de crescimento através da exploração de franquias muito consolidadas. Com o orçamento de mais de 20 bilhões de dólares, essas franquias teriam recursos amplos para se desenvolverem, expandirem e gerarem bastante atratividade para a plataforma da Netflix. Tudo isso, à época, por um preço potencialmente razoável”, pondera o analista sobre o momento em que avaliou pela primeira vez essa possibilidade.

O desfecho, porém, seguiu outro caminho. A Skydance, dona da Paramount+, venceu a disputa pela Warner após sucessivas rodadas de propostas cada vez mais altas, o que, segundo o relatório, beneficiou os acionistas da própria Warner, mas encareceu o projeto de expansão que sustentava parte da tese da Netflix.

“SaaSpocalipse” reforça correlação com empresas de tecnologia

Além dos desdobramentos ligados diretamente à companhia, Merola aponta um fator macroeconômico que classifica como determinante para o desempenho do papel: o que chama de “SaaSpocalipse”, termo criado por ele para descrever a onda de desconfiança do mercado em relação a empresas cujo modelo de negócios depende de software, diante do avanço da inteligência artificial.

O analista reconhece que não esperava ver a Netflix arrastada por esse movimento, já que a companhia atua no entretenimento, e não em serviços corporativos baseados em software. Ao comentar a surpresa com esse desdobramento, ele afirma:

“Eu, sinceramente, duvidei que o mercado incluiria a Netflix neste balde, pois seu negócio, por mais que seja um SaaS, está ligado ao entretenimento, cinema, ao consumo, e não a serviços corporativos. Mas isso inegavelmente aconteceu, e a prova é a correlação da cotação da Netflix com as demais empresas desse setor”, diz Merola, que sustenta essa leitura com um gráfico comparando a variação da ação da Netflix à de empresas como Microsoft (MSFT; MSFT34), Spotify (SPOT; $S1PO34) e Salesforce (CRM; SSFO34) ao longo do último ano.

Segundo o relatório, o Spotify foi a companhia com maior correlação de movimento em relação à Netflix no período analisado.

Convicção de longo prazo não sustenta operação de curto prazo

Apesar do encerramento do trade, Merola reforça que sua leitura sobre os fundamentos da Netflix segue positiva. Ao detalhar os motivos dessa convicção, ele escreve:

“Durante todo o período da operação, a Netflix só vem melhorando seus resultados. O número de assinantes cresceu 6,6% no último ano, a receita 16%, ela vem gerando mais caixa hoje do que nunca gerou, mesmo sustentando o maior orçamento que a companhia já teve para geração de conteúdo, de quase U$20 bilhões. E, por enquanto, por mais que esteja sendo impactante, não vejo nenhum risco de seu negócio ser disruptado pelo SaaSpocalipse e a inteligência artificial. Pelo contrário, filmes e séries tendem a se tornar cada vez mais baratos de se produzir. Por isso, minha visão de longo prazo para a empresa continua sendo otimista”, pondera o analista, ao justificar por que a convicção fundamentalista não foi suficiente para manter a operação em aberto.

Para reforçar esse raciocínio, Merola recorre a uma frase atribuída ao gestor André Jakurski, “estar certo na hora errada é estar errado”, usada no relatório para sintetizar o motivo pelo qual estratégias de curto prazo exigem gatilhos de preço, e não apenas convicção sobre os fundamentos de uma companhia.

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Quer acompanhar a análise completa e o histórico de operações da EQI Research?

O relatório na íntegra traz o detalhamento completo de cada uma das quatro apostas da tese original, o gráfico comparativo entre Netflix e outras empresas de tecnologia por trás da leitura do “SaaSpocalipse”, além da tabela com o histórico completo de operações abertas e encerradas pela série Ideia de Trade.

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