A Lavvi (LAVV3), destaque no mercado imobiliário, apresentou uma prévia operacional considerada resiliente para o 2TRI26. Apesar de alguns indicadores terem ficado abaixo das estimativas da XP Investimentos, o desempenho das vendas imobiliárias, aliado à evolução da geração de caixa, reforçou a avaliação positiva da instituição financeira. Diante dos resultados, a corretora manteve sua recomendação de compra para as ações da incorporadora.
Os números refletem um cenário ainda desafiador para o setor, marcado por juros elevados e maior restrição ao crédito. Ainda assim, a companhia conseguiu retomar os lançamentos após um primeiro trimestre sem novos empreendimentos, sinalizando continuidade da estratégia de crescimento.
Retomada dos lançamentos marca o trimestre
A Lavvi lançou dois empreendimentos no período, somando R$ 847,9 milhões em participação da companhia (Co). O principal destaque foi o Jardim da Hípica, considerado o maior projeto da história da empresa, voltado ao segmento médio-alto e com Valor Geral de Vendas (VGV) potencial de R$ 1,3 bilhão em sua primeira fase. O projeto conta com participação de 60% da Lavvi.
O segundo lançamento foi o Novvo Santa Marina, empreendimento destinado ao segmento econômico e desenvolvido integralmente pela companhia. Embora o volume total de lançamentos tenha ficado abaixo das projeções da XP, os analistas explicam que o resultado foi influenciado pela maior participação de parceiros nos projetos durante o trimestre, reduzindo a fatia consolidada atribuída à empresa.
Vendas mostram recuperação e projetos apresentam boa velocidade de comercialização
As vendas líquidas da Lavvi alcançaram R$ 544,7 milhões no 2TRI26, representando uma recuperação significativa em relação ao trimestre anterior, embora ainda abaixo das estimativas da XP. O Jardim da Hípica respondeu sozinho por 64% das vendas totais e comercializou 44% do VGV lançado ainda no período, indicando boa aceitação do empreendimento pelo mercado.
Outro destaque foi o desempenho do Novvo Santa Marina, que registrou velocidade de vendas (VSO) trimestral de 79%, enquanto os empreendimentos da marca Lavvi alcançaram VSO de 45%. No consolidado, o indicador trimestral subiu para 22%, ante 11% registrados no primeiro trimestre, enquanto o VSO acumulado em 12 meses permaneceu em 50%, reforçando a recuperação das vendas imobiliárias.
Distratos refletem cenário econômico, mas geração de caixa permanece sólida
Os distratos totalizaram R$ 121,9 milhões no trimestre, alta de 94% na comparação anual. Segundo a análise da XP, o aumento está diretamente relacionado ao elevado nível de endividamento das famílias e às condições macroeconômicas mais restritivas, fatores que continuam impactando o setor imobiliário.
Apesar desse cenário, parte relevante desses cancelamentos já foi compensada por revendas e permutas realizadas no próprio trimestre, totalizando R$ 37 milhões. Além disso, a companhia encerrou o período com estoque de R$ 3,1 bilhões e um banco de terrenos avaliado em R$ 9,5 bilhões, garantindo potencial para novos lançamentos nos próximos anos.
A geração de caixa também chamou atenção positivamente. Excluindo aquisições de terrenos, a empresa gerou R$ 71,9 milhões no trimestre, avanço expressivo em relação aos três primeiros meses do ano. O consumo de caixa, por sua vez, caiu para R$ 27,2 milhões, demonstrando disciplina financeira mesmo em um ambiente de crédito mais restritivo.
XP mantém recomendação de compra para a Lavvi
Na avaliação da XP, os dados operacionais do segundo trimestre foram ligeiramente positivos. Embora lançamentos e vendas tenham ficado abaixo das projeções iniciais, a retomada dos projetos, o bom desempenho comercial dos empreendimentos e a evolução da geração de caixa indicam que a Lavvi continua operando de forma saudável.
Os analistas destacam que o maior projeto da história da companhia representa um importante vetor de crescimento para os próximos trimestres. Em um contexto de desafios para o mercado imobiliário, a capacidade da empresa de preservar sua eficiência operacional e manter indicadores financeiros consistentes reforça a confiança da XP, que decidiu manter sua recomendação de compra para os papéis da incorporadora.
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