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Ação do Pine cai 20% em um mês e Safra vê oportunidade de compra

Ação do Pine cai 20% em um mês e Safra vê oportunidade de compra

Administração do banco prioriza ampliar crédito para clientes já existentes, e consignado privado não deve passar de 35% da carteira

As ações do banco Pine (PINE4) caíram 20% em um mês. Para o Safra, a queda abriu uma boa oportunidade de compra, mesmo com preocupações sobre o crédito. O banco reiterou a recomendação de outperform, equivalente à compra.

“Embora o ciclo de crédito pareça menos favorável do que há seis meses, vemos um perfil atrativo de risco e retorno a um valuation barato, sustentado pela trajetória de lucros do banco”, escreveram Daniel Vaz e Rafael Nobre, analistas do Safra, em um relatório publicado nesta quarta-feira (26)

O Pine negocia hoje a 3,6 vezes o lucro projetado para 2027. O Safra reduziu o preço-alvo para R$ 15. Mesmo assim, o potencial de valorização segue em 38%, já que a ação caiu mais do que o preço-alvo recuou.

O Safra atualizou suas estimativas após o resultado do 2º trimestre de 2026 e a revisão de premissas macroeconômicas. A revisão considera um aumento de capital de R$ 246 milhões, concluído no 1º trimestre. O reforço pode sustentar cerca de R$ 2 bilhões a mais em expansão da carteira de crédito neste ano.

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Banco desacelera crédito consignado e foca em clientes atuais

A administração do Pine foca cada vez mais em ampliar limites de crédito dentro da base de clientes já existente. A prioridade não é mais buscar novos públicos. Os volumes de consignado privado já desaceleraram: julho e agosto rodaram abaixo da média mensal do segundo trimestre.

O Safra ainda espera que a carteira chegue a cerca de R$ 7,4 bilhões até o fim de 2026. O crescimento viria principalmente de reprecificação e refinanciamento. A administração estima cerca de R$ 2,5 bilhões de capacidade adicional de crédito dentro da base atual de clientes.

As originações de crédito consignado do INSS também foram afetadas. Uma possível expiração da medida provisória do Desenrola pode elevar o limite de desconto em folha de 40% para 45%. O movimento traria potencial de alta para os volumes.

Safra vê desconto exagerado

O Pine enfrentou ventos contrários com o teto do consignado privado e um ciclo de crédito menos favorável. Para conter o risco, a administração sinalizou que o consignado privado não deve ultrapassar 35% da carteira.

“A administração indicou que o consignado privado não deve superar 35% da carteira e seguirá sendo um produto oportunista”, escreveram Vaz e Nobre.

Apesar da piora nos indicadores de qualidade de crédito do sistema como um todo, o Pine segue entregando lucros sólidos. A inadimplência do banco segue sob controle.

“Embora isso tenha nos levado a reduzir a projeção de ROE de longo prazo de 25% para 22%, acreditamos que o recente desconto no valuation trouxe um novo ponto de entrada barato o suficiente”, escreveram Vaz e Nobre.

As novas estimativas de lucro líquido do Safra somam R$ 685 milhões em 2026 e R$ 773 milhões em 2027. Os números são 34% e 33% maiores que as projeções anteriores. Em valor patrimonial, a ação negocia a 1,3 vez e 1,1 vez o patrimônio líquido nos dois anos, respectivamente.

“O mesmo teto limita a rentabilidade ao longo do ciclo, já que a carteira de consignado privado, de maior rendimento, não deve seguir ganhando espaço indefinidamente. É por isso que cortamos nossa projeção de ROE de longo prazo para 22%, de 25%”, concluíram Vaz e Nobre.