A Ecopetrol sinalizou que a integração da Brava (BRAV3) será conduzida de forma gradual, com foco inicial em governança, eficiência operacional e disciplina na alocação de capital. A avaliação consta de relatório da XP sobre a aquisição de uma participação controladora de 51% da companhia brasileira.
Em teleconferência realizada nesta terça-feira (25), a administração da Ecopetrol apresentou uma visão preliminar sobre os próximos passos após a aquisição e destacou como principal objetivo capturar o potencial de geração de caixa dos ativos da Brava, equilibrando desalavancagem, distribuição de dividendos e oportunidades de crescimento.
Na avaliação da XP, a mensagem transmitida pela companhia colombiana foi positiva e esteve alinhada às expectativas do mercado, indicando mudanças graduais, e não uma ruptura na estratégia da Brava.
Governança é a prioridade inicial
No curto prazo, a Ecopetrol pretende estabelecer uma estrutura de governança capaz de alinhar a estratégia da Brava ao seu próprio plano de negócios. A companhia ainda avalia a estrutura de gestão da empresa brasileira e quais posições deverão ser ocupadas para garantir maior integração entre as duas operações.
A agenda para o curto e médio prazo estará concentrada em quatro frentes: desempenho operacional, redução do custo de capital, geração de caixa e alocação de capital.
Mais adiante, a Ecopetrol pretende buscar formas de destravar o valor da base de reservas da Brava, inclusive por meio de técnicas de recuperação avançada, além de avaliar novas oportunidades de crescimento.
Questionada sobre a possibilidade de adquirir uma participação adicional ou até promover o fechamento de capital da Brava, a administração afirmou estar confortável com o investimento em uma companhia listada no Brasil. Segundo a empresa, porém, a integração ainda está em estágio inicial e diferentes alternativas serão analisadas ao longo do tempo.
Sinergias podem ampliar criação de valor
A tese da Ecopetrol para a Brava não se limita ao potencial de seus ativos. A companhia colombiana identifica diferentes fontes de sinergia que podem contribuir para elevar o valor do negócio.
Uma delas é a redução do custo de capital, com expectativa de diminuir as despesas de financiamento da Brava. Outra está relacionada ao conhecimento operacional: a Ecopetrol pretende transferir para os ativos brasileiros parte da experiência acumulada em suas operações na Colômbia.
O relatório também destaca oportunidades ligadas à expertise em subsuperfície, que poderia contribuir para ampliar reservas e fatores de recuperação. Há ainda possíveis ganhos tributários caso, no futuro, ativos brasileiros da Ecopetrol sejam integrados à estrutura da Brava.
Apesar das oportunidades, há espaço limitado para ganhos imediatos de eficiência. No segundo trimestre de 2026, o lifting cost da Brava ficou em aproximadamente US$ 16 por barril, ante cerca de US$ 14 por barril na Ecopetrol.
Por que a Ecopetrol escolheu a Brava?
Para a Ecopetrol, o Brasil representa um mercado estratégico de crescimento, apoiado pela qualidade dos recursos de hidrocarbonetos, pela relevância das bacias offshore, por um ambiente regulatório considerado maduro e pela disponibilidade de mão de obra especializada.
Nesse contexto, a Brava oferece uma plataforma operacional já estabelecida no país. A companhia possui um portfólio diversificado de ativos onshore e offshore, além de exposição a infraestrutura de midstream e downstream.
A escala da aquisição também é relevante para a Ecopetrol. As reservas 1P da Brava correspondem a aproximadamente 24% da atual base de reservas da companhia colombiana, enquanto sua produção equivale a cerca de 11% da produção total da Ecopetrol.
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