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Desconto da Itaúsa encolhe no ano, mas ainda há espaço mais

Desconto da Itaúsa encolhe no ano, mas ainda há espaço mais

Portfólio de sete ativos da Itaúsa está avaliado em R$ 192 bilhões, acima do valor de mercado de R$ 155 bilhões da companhia

O desconto de holding da Itaúsa (ITSA4) encolheu cerca de 7 pontos percentuais neste ano, para 19,5%. O desconto mede a distância entre o valor de mercado da companhia e a soma de suas participações. Para o BTG Pactual, ainda há espaço para essa compressão continuar.

“A administração acredita que ainda há espaço para o desconto encolher mais, sustentado pela eliminação de ineficiências tributárias, pelo aumento de dividendos de ativos não financeiros, pelo potencial de destravar valor em empresas não listadas e pela presença estrangeira crescente”, escreveram Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale, analistas do BTG Pactual.

A avaliação vem de reunião do BTG com a diretora financeira da Itaúsa, Priscila Grecco. Também participou Licia Rosa, responsável por relações com investidores. Os executivos revisaram os retornos do portfólio desde a reformulação estratégica iniciada em 2017.

No período, a Itaúsa superou o desempenho das ações do Itaú (ITUB4). A companhia soma hoje sete ativos no portfólio, com o próprio Itaú como a principal participação.

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Rotação de portfólio traz retorno de 16% ao ano

Desde 2017, a Itaúsa vendeu duas empresas e diversificou para novos setores. O portfólio está avaliado em cerca de R$ 192 bilhões, ante um valor de mercado de R$ 155 bilhões da própria Itaúsa.

Os cerca de R$ 12 bilhões investidos no novo portfólio geraram retorno anual estimado de 16%. A comparação é com 11% do Ibovespa e 9% do CDI no mesmo período. A companhia hoje trabalha com um retorno mínimo exigido de cerca de 20% para novos investimentos.

Na Alpargatas (ALPA4), um investimento recente de R$ 97 milhões elevou a fatia da Itaúsa de 29,4% para 30,6%. O retorno já está acima do mínimo exigido pela companhia. Na Aegea, os aportes somaram cerca de R$ 1,2 bilhão em 2026, elevando a participação de 12,8% para 14,0%. O retorno mínimo garantido é de IPCA mais 15% ao ano.

BTG vê desconto justo de 10% e cita a reforma tributária

A administração da Itaúsa acredita que o desconto de holding ainda tem espaço para cair. A leitura considera o patamar justo internacional para esse tipo de estrutura societária.

“A administração acredita que um desconto justo de holding seria de cerca de 10%, sendo cerca de 5 pontos percentuais referentes a despesas operacionais e outros 5 pontos percentuais pelos riscos menores de liquidez e execução associados a alguns ativos do portfólio”, escreveram os analistas.

Em média, o mercado enxerga um desconto justo de cerca de 15%, ante o patamar atual de 19,5%. Um possível gatilho é a reforma tributária, que deve eliminar tributos sobre juros sobre capital próprio recebidos do Itaú Unibanco.

O encargo somou cerca de R$ 860 milhões em 2025. Investidores estrangeiros já representam 42% do free float da Itaúsa, alta de 5 pontos percentuais em doze meses.

“Apesar das saídas mais amplas de ações brasileiras, que pesaram sobre nomes de alta qualidade como o Itaú, a base de investidores estrangeiros da Itaúsa se mostrou mais resiliente”, escreveram Rosman, Buchpiguel e Pascale.

A Itaúsa revisou também os resultados do primeiro semestre de 2026. O lucro líquido recorrente somou R$ 8,8 bilhões, alta de 12% em doze meses, com ROE, retorno sobre o patrimônio líquido, recorrente de 19,3%. A posição financeira segue confortável: a dívida líquida soma R$ 1,2 bilhão, equivalente a 0,6% do valor patrimonial líquido. Não há amortizações relevantes previstas até 2031.

“O portfólio segue compondo valor a retornos atrativos, o balanço oferece ampla flexibilidade para novos investimentos, e catalisadores como a reforma tributária, dividendos maiores de ativos não financeiros e o destravamento de valor em empresas não listadas podem sustentar mais compressão do desconto”, concluíram os analistas.