A Genial Investimentos elevou sua recomendação para as ações da Gerdau (GGBR4) de manter para comprar e aumentou o preço-alvo para R$ 27 em 12 meses, ante R$ 23,50 anteriormente. A mudança reflete a expectativa de um segundo trimestre forte, com expansão simultânea da rentabilidade nas operações do Brasil, América do Norte e América do Sul, além da perspectiva de melhora na geração de caixa ao longo do segundo semestre.
Na avaliação da corretora, o desempenho do segundo trimestre pode servir como catalisador para uma reprecificação das ações. O novo preço-alvo implica potencial de valorização de cerca de 18%.
Para o período, a Genial projeta um Ebitda ajustado consolidado de R$ 3,3 bilhões, alta de 11% em relação ao primeiro trimestre e de 29% na comparação anual. A margem Ebitda deve avançar para 18,6%, ante 17,7% nos três primeiros meses do ano. Segundo a casa, a projeção está cerca de 5% acima do consenso do mercado, impulsionada principalmente pelos resultados da América do Norte e do Brasil.
No mercado brasileiro, a expectativa é de recuperação gradual da rentabilidade, com margem Ebitda estimada em 10%, acima dos 9,2% registrados no trimestre anterior. A melhora deve ser sustentada pelo avanço dos volumes vendidos no mercado doméstico, reajustes de preços e um mix mais favorável de produtos, enquanto o aumento dos custos com carvão, minério e frete tende a ser parcialmente compensado.
Início de operações de usina adiado para agosto
A Genial observa ainda que o início das operações da expansão da usina de Miguel Burnier, adiado para agosto, não terá impacto no segundo trimestre, mas deverá adicionar aproximadamente R$ 200 milhões ao Ebitda da operação brasileira em 2026 e se aproximar de R$ 1 bilhão quando o projeto atingir sua maturidade, em 2027.
A principal contribuição para os resultados, contudo, continua vindo da América do Norte, responsável por cerca de 75% do Ebitda da companhia. A corretora estima margem Ebitda de 25,7% na região, ante 24,1% no trimestre anterior, favorecida por maiores volumes, preços mais altos e estabilidade nos custos da sucata. Além disso, aumentos de preços anunciados no fim de junho devem começar a produzir efeitos apenas a partir do terceiro trimestre, o que pode ampliar ainda mais as margens.
Na América do Sul, a expectativa é de uma melhora mais moderada, com margem Ebitda estimada em 14,3%, beneficiada principalmente pela redução de custos, apesar da leve queda nos volumes.
Apesar do avanço operacional, a geração de caixa ainda deve permanecer negativa entre abril e junho, com consumo estimado entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões. Segundo a Genial, o resultado será pressionado pela formação de estoques na América do Norte, pelo pagamento de juros de dívidas e pela concentração de desembolsos tributários no trimestre.
A corretora, no entanto, considera esse movimento temporário e espera uma inflexão da geração de caixa no segundo semestre, favorecendo a redução da alavancagem e abrindo espaço para uma remuneração mais robusta aos acionistas. A Gerdau já acelerou seu programa de recompra de ações e mantém a política de distribuir ao menos 30% do lucro em dividendos a cada trimestre, com possibilidade de pagamentos adicionais caso a geração de caixa evolua conforme esperado.
Além do cenário operacional, a Genial destaca que a ação negocia a múltiplos considerados descontados em relação às siderúrgicas norte-americanas. Segundo a corretora, a Gerdau é negociada a cerca de 4,3 vezes o EV/Ebitda projetado para 2026, um desconto superior a 40% frente aos pares dos Estados Unidos, mesmo concentrando a maior parte de seus resultados naquele mercado.
Para a casa, a combinação de forte desempenho operacional, melhora da geração de caixa e um valuation ainda descontado reforça a recomendação de compra antes da divulgação dos resultados do segundo trimestre.
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