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MRV (MRVE3) dispara 8% apesar de prejuízo no 2ºTRI

MRV (MRVE3) dispara 8% apesar de prejuízo no 2ºTRI

O movimento ocorre apesar de um resultado considerado fraco pelo BTG Pactual, que destacou um prejuízo líquido de R$ 627 milhões

As ações da MRV (MRVE3) disparam cerca de 8% nesta quinta-feira (13), após a divulgação do balanço do segundo trimestre. O movimento ocorre apesar de um resultado considerado fraco pelo BTG Pactual (BPAC11), que destacou um prejuízo líquido de R$ 627 milhões no período e uma redução de 12% no valor patrimonial da companhia.

Para o banco, o ponto mais relevante está menos no resultado negativo do trimestre e mais no processo de desalavancagem da operação nos Estados Unidos. A subsidiária Resia acelerou a venda de ativos e já vendeu US$ 401 milhões em propriedades desde o início do ano. Na avaliação do BTG, a continuidade dessas vendas é fundamental para reduzir a alavancagem e diminuir os riscos da operação.

O desempenho consolidado veio abaixo das estimativas do banco. A receita líquida alcançou R$ 3 bilhões, alta de 11% na comparação anual e 5% acima da projeção do BTG. A margem bruta ficou em 33,5%, avanço de 0,7 ponto percentual em um ano e 0,3 ponto acima da expectativa.

O problema ficou concentrado principalmente nas despesas financeiras e nas operações nos Estados Unidos.

Resia leva prejuízo para US$ 124 milhões

A operação americana da MRV registrou prejuízo líquido de US$ 124 milhões no segundo trimestre. Segundo o BTG, o resultado refletiu tanto perdas com vendas de ativos realizadas no período quanto novos impairments relacionados a ativos que devem ser vendidos no terceiro trimestre.

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Com o prejuízo, o patrimônio da Resia passou para o campo negativo, em US$ 23 milhões.

Apesar disso, o BTG considera positiva a aceleração do processo de liquidação da operação. A venda de US$ 401 milhões em ativos nos Estados Unidos ao longo de 2026 deve gerar entrada de caixa e contribuir de maneira significativa para reduzir o endividamento da companhia à medida que os recursos forem recebidos.

Na avaliação do banco, esse é um dos principais elementos para a recuperação da tese de investimento da MRV.

Brasil mostra recuperação de margens, mas juros pesam

No Brasil, os números ficaram apenas ligeiramente abaixo das projeções do BTG. A receita líquida foi de R$ 2,9 bilhões, crescimento de 10% em relação ao mesmo período do ano anterior e 1% acima da estimativa.

A margem bruta ajustada também apresentou desempenho positivo, chegando a 35,2%, alta de 0,9 ponto percentual em um ano e 2 pontos acima da previsão do banco.

O avanço operacional, porém, foi insuficiente para compensar despesas maiores. O SG&A e as despesas com juros ficaram acima do esperado e, somados a uma perda de R$ 87 milhões com um total return swap (TRS), levaram a operação brasileira a registrar prejuízo líquido de R$ 10 milhões no trimestre.

Virada demora mais do que o esperado

Na avaliação do BTG, o segundo trimestre foi fraco e mostra que a recuperação da MRV está levando mais tempo do que o banco — e o mercado — esperava.

Ainda assim, a instituição mantém recomendação de compra para MRVE3. O argumento é que, embora o momento de resultados deva permanecer pressionado no curto prazo, a ação está bastante descontada em relação ao potencial de geração de resultados normalizados da companhia.

O BTG estima que o papel negocia a cerca de 0,5 vez o preço sobre o valor patrimonial tangível (P/TBV) projetado para 2027.

Assim, a tese combina dois movimentos considerados essenciais pelo banco: a recuperação das margens da operação brasileira, que já dá sinais de avanço, e a redução do risco associado à Resia por meio da venda de ativos nos Estados Unidos.

Em outras palavras, o mercado pode estar olhando além do prejuízo de R$ 627 milhões do trimestre e precificando a possibilidade de que a MRV consiga atravessar a fase mais difícil do processo de reestruturação com uma operação brasileira mais rentável e uma Resia progressivamente menor e menos alavancada.

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