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EQI Research inclui Track&Field na carteira de ações de outubro

EQI Research inclui Track&Field na carteira de ações de outubro

Casa troca metade da fatia em Porto Seguro pela varejista de roupas esportivas, que tem potencial de alta de 29,4%, segundo os analistas

A EQI Research incluiu a Track&Field (TFCO4) na carteira de ações Buy&Hold de outubro, com peso de 5%. Para abrir espaço, cortou pela metade a posição em Porto Seguro (PSSA3), que passa de 10% para 5%.

A mudança vem depois de um bom setembro. A carteira subiu 5,77% no mês, à frente do Ibovespa, que avançou 5,03%, e do índice de small caps (SMLL), que ganhou 5,23%.

Eleição passa a ditar o ritmo da bolsa

Com a proximidade das eleições, o mercado passou a reagir com mais força às notícias da disputa. Segundo a EQI Research, os investidores enxergam efeitos distintos sobre a economia em caso de vitória de cada um dos dois principais candidatos, sobretudo na credibilidade de um eventual ajuste fiscal.

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Um ajuste bem executado poderia abrir espaço para uma queda maior dos juros futuros. Nas últimas semanas, o avanço do principal candidato da oposição, a quem os investidores locais atribuem maior capacidade de promover esse ajuste, impulsionou os ativos domésticos.

No mercado de previsões Polymarket, Flávio Bolsonaro passou Lula em probabilidade de vitória em setembro. Os analistas observam também uma troca de protagonista: nos últimos 18 meses, o capital estrangeiro sustentou a alta da bolsa, mas agora o investidor local começa a ampliar sua fatia em ações.

“Seguimos acreditando que a eleição será decidida no segundo turno, por uma margem estreita de votos”, afirmam os analistas João Neves, João Zanott e Nícolas Merola, da EQI Research.

A incerteza tende a ampliar a volatilidade e a limitar a antecipação de movimentos que só devem ocorrer depois do resultado. Portanto, a casa mantém uma carteira equilibrada, com empresas de boa geração de caixa, balanços sólidos e menor dependência do cenário doméstico.

Track&Field entra com potencial de 29,4%

A entrada da Track&Field amplia a exposição da carteira ao varejo, setor que ficou atrás do Ibovespa por um longo período. A EQI Research espera crescimento econômico mais fraco nos próximos trimestres, mas avalia que esse cenário já está nos preços da ação.

O público de alta renda da marca, menos sensível ao ciclo econômico, sustenta a tese. No segundo trimestre de 2026, as vendas em mesmas lojas subiram 15,9%, e o tíquete médio vem crescendo acima da inflação.

“Consideramos sua gestão uma das melhores do setor, com forte alinhamento aos acionistas minoritários e histórico consistente de alocação de capital”, dizem Neves, Zanott e Merola.

O momento de entrada também pesou. A ação negocia a múltiplos de preço sobre lucro próximos das mínimas históricas, e o preço-alvo da EQI, de R$ 17 para o fim de 2027, indica valorização de 29,4% sobre o fechamento de R$ 13,14.

Fundada em 1988, a varejista tem 448 lojas, sendo 58 próprias e 390 franquias, com 63% da rede no Sudeste e três unidades em Portugal. As franquias exigem menos capital da empresa e devem liderar a expansão, chegando a 485 unidades no fim de 2030.

O segmento ajuda. A consultoria McKinsey estima que o mercado global de roupas esportivas cresça 6% ao ano entre 2026 e 2029, o dobro do vestuário em geral. Na América Latina, a projeção é de 11% ao ano.

A EQI Researchcalcula que a receita líquida da Track&Field avance 13% ao ano entre 2025 e 2029, de R$ 1,047 bilhão para R$ 1,711 bilhão. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) deve crescer 15,5% ao ano no período, até R$ 444,5 milhões.

Os riscos listados são a execução do plano de expansão, a entrada de novas marcas e uma desaceleração mais forte da economia. Na avaliação qualitativa da casa, a empresa obteve nota de 77%, com a sustentabilidade da vantagem competitiva como ponto mais fraco.

Cenário macro pesa sobre Porto Seguro

A redução em Porto Seguro não decorre de problemas na operação da seguradora. O ajuste responde a duas mudanças no ambiente econômico que, na leitura da EQI Research, pressionam o lucro e o valor justo da empresa.

“Embora mantenhamos uma visão construtiva sobre os fundamentos microeconômicos da tese, avaliamos que as mudanças no cenário macroeconômico doméstico têm tornado o ambiente menos favorável à companhia”, explicam os analistas.

O primeiro fator é uma queda da Selic maior do que a casa esperava. Parte relevante do lucro de uma seguradora vem da aplicação dos prêmios recebidos até o pagamento de sinistros, o chamado float, e juros menores reduzem essa receita.

O segundo é a piora do crédito no país, já visível no segundo trimestre de 2026. O Porto Bank revisou para cima a previsão anual de perdas, e a inadimplência acima de 90 dias superou 9%, o maior nível desde 2021, segundo gráfico do relatório.

A EQI, no entanto, segue otimista com o segmento de saúde e com o potencial de longo prazo do Porto Bank. Por isso, optou por reduzir a posição em vez de zerá-la.

Localiza lidera ganhos em setembro

A Localiza (RENT3) teve a maior alta da carteira em setembro, de 17,18%, seguida por B3 (14,48%), Itaúsa (11,66%) e Allos (11,59%). A Equatorial subiu 10,85% e, com peso de 12,5%, deu a maior contribuição: 1,36 ponto percentual.

Do lado negativo, a Vale caiu 10,20% e tirou 0,76 ponto do resultado. Klabin (-4,18%), Porto Seguro (-2,59%) e Compass (-0,43%) também recuaram.

Entre as posições em aberto, a Petrobras acumula alta de 96,32% desde a entrada, em dezembro de 2023, seguida por Axia (87,48%) e Allos (78,73%). A Localiza, contudo, ainda cai 17,06% desde a compra, em fevereiro de 2026.