Home
Notícias
Fundos Imobiliários
Venda do Cidade Jardim não tira XPML11 da carteira de FIIs da EQI Research

Venda do Cidade Jardim não tira XPML11 da carteira de FIIs da EQI Research

Casa mantém a recomendação após a venda da fatia à JHSF, que assume R$ 155 milhões em dívidas ligadas ao shopping

A venda da participação do XPML11 no Shopping Cidade Jardim não tirou o fundo da carteira de fundos imobiliários (FIIs) da EQI Research. A casa considerou neutra a operação de R$ 454 milhões com a JHSF e manteve sem alterações os 13 fundos da seleção para outubro.

Em 18 de setembro, o XPML11 assinou compromisso de venda de sua fatia de 16,99% no shopping, em São Paulo. A EQI estima o cap rate de saída, a relação entre a renda do imóvel e o preço, em 7,30%.

A operação foi criticada no anúncio. O Cidade Jardim tem ocupação de 100%, vendas de cerca de R$ 4.800 por metro quadrado e crescimento próximo de 12% nas vendas e nos aluguéis das mesmas lojas no último ano.

“A qualidade do ativo, porém, não basta para avaliar a venda. É preciso olhar o preço, as condições de pagamento e a situação financeira do fundo”, pondera Carolina Borges, analista da EQI Research.

A JHSF assumirá cerca de R$ 155 milhões em CRIs (certificados de recebíveis imobiliários) ligados ao shopping, com custo de IPCA mais 7,30% ao ano, e pagará o saldo de aproximadamente R$ 300 milhões em três parcelas: à vista, em seis e em 12 meses. Com isso, a dívida do fundo cai de R$ 534 milhões para cerca de R$ 379 milhões.

Publicidade
Publicidade

Como o custo real dos CRIs era igual ao cap rate, a renda do shopping cobria apenas os juros da dívida. Sem a venda, o XPML11 teria caixa negativo de R$ 115 milhões até o fim de 2027. A operação também deve gerar lucro a ser distribuído aos cotistas.

Carteira de FIIs de outubro tem 13 fundos

Na carteira de outubro, os maiores pesos são do BTCI11, de recebíveis, e do BTLG11, de galpões logísticos, com 12,5% cada, seguidos por HGBS11, de shoppings, e VCJR11, de recebíveis, com 10%.

LVBI11, MANA11, RBRY11 e XPML11 têm 7,5% cada, enquanto TRXF11, HFOF11, RCRB11, HGRE11 e KNHF11 completam a lista com 5%. No total, 30% estão em FIIs de papel, que investem em títulos de dívida imobiliária, e o restante em fundos de tijolo, donos de imóveis físicos.

O mês passado foi negativo para o conjunto. A carteira caiu 1,03% em setembro, contra queda de 0,20% do Índice de Fundos Imobiliários (IFIX). No ano, recua 2,62%, ante 0,63% do índice, mas desde o início, em setembro de 2022, acumula alta de 30,6%, contra 26,3% do IFIX.

Os fundos negociam, em média, a 0,85 vez o valor patrimonial (P/VP), com dividend yield (rendimento em dividendos) de 12,28% em 12 meses. Para a casa, o desconto de parte deles está descolado dos resultados operacionais.

Com a Selic em queda e as eleições de outubro trazendo oscilação aos juros futuros, a EQI preferiu manter os pesos e acompanhar de perto os fundos recomendados.

BTCI11 pesa com exposição à You Inc

O BTCI11, fundo de recebíveis gerido pelo BTG, recuou 3,6% e foi um dos principais detratores do mês. Cerca de 8% do patrimônio está exposto à incorporadora You Inc, de forma direta ou via BTYU11, em meio a notícias de obras paradas e prejuízos seguidos.

Ganhou força a especulação de um pedido de recuperação judicial, que a companhia nega, afirmando negociar uma reestruturação com credores. O caso já respinga em outros fundos: o WHGR11 provisionou parte de um CRI da You, e o XLPR11 classificou outro como risco relevante.

A gestão do BTG, no entanto, não citou a You Inc entre os pontos de atenção do último relatório nem fez provisão adicional. A EQI lembra que o fundo reconhece perdas quando elas ocorrem, como no CRI Le Biscuit, marcado a R$ 9,2 milhões, ante saldo de R$ 11,7 milhões.

“Nossa decisão é manter BTCI11 em carteira e acompanhar os próximos relatórios e comunicados do BTG sobre o tratamento das posições ligadas à You Inc”, diz Carolina Borges.

A maior queda do mês, entretanto, veio do TRXF11, que recuou 8,4%. Na ponta positiva, RCRB11 subiu 2,3%, e MANA11 e RBRY11 avançaram 2,2% cada. A casa também acompanha a votação da incorporação do VCJR11 pelo PCIP11, prorrogada até 5 de outubro.