O BTG Pactual reiterou a recomendação de compra para as ações da Ultrapar (UGPA3) às vésperas do Investor Day da companhia, marcado para esta sexta-feira (2). O preço-alvo para 12 meses segue em R$ 39, o que indica potencial de valorização de 4,4% sobre a cotação de referência do relatório, de R$ 37,34.
Somado ao dividend yield (rendimento em dividendos) projetado de 3,5%, o retorno total estimado chega a 8%. Na leitura do banco, o encontro deve servir menos para anunciar novidades e mais para confirmar uma postura seletiva na alocação de capital.
“Se nossa expectativa se confirmar, o evento deve reforçar os pilares da tese: disciplina de capital, bom momento operacional e forte visibilidade sobre geração de caixa e retorno aos acionistas”, escrevem os analistas Rodrigo Almeida e Gustavo Cunha, do BTG Pactual.
O papel chega ao evento perto da máxima de 52 semanas, de R$ 39,70. A mínima no mesmo período foi de R$ 18,90, ou seja, a ação praticamente dobrou de valor desde o ponto mais baixo.
Meta de alavancagem mais conservadora
No Investor Day de 2025, a Ultrapar havia fixado meta de dívida líquida sobre Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) em torno de 1,5 a 2 vezes. Na teleconferência de resultados mais recente, no entanto, a gestão já sinalizou que pretende manter a alavancagem entre 1 e 1,5 vez.
Os analistas esperam que a empresa justifique o alvo mais baixo com critérios de retorno mais rígidos e um ambiente macroeconômico mais incerto. Não haveria, portanto, necessidade de acelerar o capex (investimentos em bens de capital) nem de buscar M&A (fusões e aquisições), salvo em negócios seletivos que agreguem valor.
“Na ausência de oportunidades atraentes, o excesso de caixa deve ser devolvido aos acionistas, embora não esperemos uma política formal de dividendos, já que a holding preza pela flexibilidade”, avaliam Almeida e Cunha.
As projeções do BTG mostram o tamanho desse caixa. Para 2026, o banco estima Ebitda de R$ 10,894 bilhões, ante R$ 6,178 bilhões em 2025, e lucro líquido de R$ 4,593 bilhões, quase o dobro dos R$ 2,454 bilhões do ano anterior.
O dividendo por ação projetado sobe de R$ 1,32 para R$ 2,65, o equivalente a um rendimento líquido de 7,1%. Contudo, o próprio banco prevê acomodação em 2027, com Ebitda de R$ 8,622 bilhões e lucro de R$ 3,357 bilhões.
Na governança, a aposta é de continuidade. O BTG não prevê grandes mudanças, e as unidades de negócio devem seguir autônomas, com ajustes finos no modelo atual.
A Ultrapar também deve revisitar seu modelo de partnership, que os analistas consideram uma fonte relevante de alinhamento com a geração de valor no longo prazo.
Ipiranga: margem alta e dúvidas sobre o 3º tri
A Ipiranga, braço de distribuição de combustíveis do grupo, chega ao Investor Day com margens elevadas. O conflito no Oriente Médio levou a margem do segundo trimestre de 2026 para cerca de R$ 450 por metro cúbico.
A guerra, entretanto, não explica tudo. Para o BTG, um ambiente competitivo mais saudável, com menos agentes irregulares e menor sonegação fiscal no mercado, também tem contribuído para a rentabilidade da distribuidora.
“Embora a margem de curto prazo não deva ser o foco, os investidores certamente vão tentar calibrar as expectativas para a Ipiranga no terceiro trimestre”, apontam os analistas.
A curiosidade tem motivo. Na última teleconferência de resultados, a gestão da Ultrapar indicou que a margem do terceiro trimestre de 2026 deve ficar abaixo da registrada no segundo trimestre e mais próxima da do primeiro.
O banco também espera que a equipe da Ipiranga detalhe a estratégia de suprimento, incluindo importações e subvenções, e os planos de conversão de postos. Outro tema provável é o corte de despesas de vendas, gerais e administrativas (SG&A), junto com a implantação do novo ERP, o sistema integrado de gestão.
Ultragaz: demanda no centro da conversa
Na Ultragaz, distribuidora de GLP (gás liquefeito de petróleo) do grupo, o assunto principal deve ser volume. No granel, segmento que atende empresas e indústrias, a atividade industrial mais fraca vem reduzindo as vendas.
O botijão também deve entrar na pauta. Até agora, segundo o BTG, o programa federal Gás do Povo tem gerado mais substituição do que demanda nova, ocupando o lugar de compras que já aconteceriam sem ampliar o consumo.
“Uma orientação adicional sobre margens seria útil, mas acreditamos que a demanda continua sendo a principal preocupação dos investidores com a unidade”, observam Almeida e Cunha.
O preço-alvo de R$ 39 resulta de uma avaliação por soma das partes, em que cada negócio do grupo é precificado por fluxo de caixa descontado. Entre os riscos à tese, o banco lista oscilações nos preços de commodities e no câmbio.






