Embora a Petrobras (PETR3 PETR4) ainda seja uma das principais importadoras de combustíveis do país, a ausência de importações pela Refit cria um interessante espaço no mercado, que tende a ser ocupado por grandes players, como a Ipiranga, da Ultrapar (UGPA3), e a Vibra (VBBR3). Relatório do banco BTG Pactual (BPAC11) mostra uma visão positiva para o setor, sustentada por diversos vetores favoráveis que devem apoiar volumes e margens até o fim do ano, apesar de avaliações mais elevadas após a recente valorização dos ativos.
“Seguimos com preferência por Ultrapar e reiteramos nossa recomendação de compra para Vibra”, informou o relatório, assinado pelos analistas Rodrigo Almeida e Gustavo Cunha.
Importação de combustíveis: mercado volátil
A Petrobras reduziu os preços da gasolina em cerca de 5% na segunda-feira (-R$ 0,14 por litro), movimento amplamente antecipado pelo mercado após o leilão de aproximadamente 550 mil m³ de gasolina realizado na sexta-feira. Embora o ajuste reforce a intenção da Petrobras de realinhar preços, a gasolina ainda permanece com um prêmio de cerca de 5% em relação à paridade de importação (IPP), equivalente a aproximadamente R$ 0,20 por litro antes do corte.
Em reunião com a ABICOM (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), o BTG reportou que a entidade avaliou que o ajuste mais cauteloso reflete a elevada volatilidade do mercado, com preços reagindo de forma intensa a desdobramentos geopolíticos, interrupções operacionais e sinais relacionados a políticas públicas.
Em contraste, os preços do diesel seguem significativamente abaixo da paridade, com a ABICOM estimando um desconto em torno de 13%, ou cerca de R$ 0,40–0,41 por litro.
“Nossas conversas com a ABICOM indicam que a Petrobras teria espaço para elevar os preços do diesel sem impacto material sobre os volumes vendidos”, destacou trecho do relatório.
As importações de diesel alcançaram aproximadamente 1,6 milhão de m³ em dezembro, com forte participação da Petrobras, enquanto distribuidoras provavelmente adotaram uma estratégia de formação de estoques antes do aumento do ICMS em janeiro. Para janeiro, as importações de diesel são estimadas em cerca de 1,2 milhão de m³, com a Rússia retomando a posição de principal fornecedora, com participação entre 43% e 45%, enquanto a fatia dos Estados Unidos caiu para abaixo de 30%, favorecida por novos descontos no produto russo.
Para entregas em fevereiro, a ABICOM observa um desconto do diesel russo em torno de US$ 0,07–0,08 por galão em relação ao benchmark da Costa do Golfo dos EUA (USGC). As importações de gasolina também devem permanecer acima das médias históricas, com volumes de janeiro estimados em cerca de 0,5 milhão de m³. A Rússia deve responder por aproximadamente 35% das importações, ante cerca de 30% dos Estados Unidos, sustentada por um desconto de aproximadamente US$ 0,04 por galão, diz outra parte do relatório.
“Embora a janela aberta de importações da Petrobras tenha estimulado as compras externas, o uso frequente de leilões — realizados em 10 dos últimos 12 meses — moderou volumes adicionais, ao permitir que participantes do mercado garantissem alocações por meio desses certames, em vez de depender exclusivamente de importações no mercado spot”, ressalta o BTG.
Combate à informalidade como tema central de cobertura
Em outra frente, no que diz respeito ao combate à informalidade no mercado de combustíveis, o Bradesco BBI vê que a Vibra está bem posicionada para se beneficiar desse movimento, sendo o principal veículo de captura dos desdobramentos positivos desse movimento no setor. O banco de investimentos diz ainda que espera que o combate à informalidade permaneça como um dos temas centrais de sua cobertura do setor ao longo de 2026.
A evasão fiscal é um problema recorrente no setor de distribuição de combustíveis ao redor do mundo, mas alguns países conseguiram avançar de forma consistente no combate a esse desafio – com destaque para países como a Polônia e, mais recentemente, o Brasil.
Relatório do Bradesco informou que, no caso polonês, о mercado informal se apoiava em mecanismos complexos para sonegar impostos sobrea venda de diesel, explorando brechas associadas às regras de livre circulação da União Europeia. resposta das autoridades veio por meio do chamado “Fuel Package”, um conjunto de medidas que combinou o uso intensivo de tecnologia, reforço na fiscalização, aprimoramento do arcabouço legal e a adoção do conceito de responsabilidade solidária tributária.
“Os mecanismos utilizados pelo mercado informal na Polônia guardam semelhanças com práticas observadas no Brasil, ainda que o contexto brasileiro seja potencialmente mais complexo, dado о maior número de instrumentos de evasão tributária. Ainda assim, a experiência polonesa mostra que a combinação de mudanças legislativas, fortalecimento da fiscalização, responsabilidade tributária compartilhada e tecnologia tende a ser eficaz – soluções que, em grande medida, já vêm sendo implementadas ou estão em desenvolvimento no mercado brasileiro”, completa o relatório do BBI.
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