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Escolhendo os barris certos: por que PRIO e Ultrapar se destacam e Petrobras fica no meio do caminho

Escolhendo os barris certos: por que PRIO e Ultrapar se destacam e Petrobras fica no meio do caminho

Com Brent projetado na faixa de US$ 60–70 em 2026, o BTG defende uma abordagem seletiva no setor e aponta PRIO e Ultrapar como top picks, enquanto mantém Petrobras com recomendação neutra

Com o petróleo operando em um cenário mais lateralizado e sem espaço claro para um rali sustentável, o BTG Pactual (BPAC11) iniciou a cobertura do setor de óleo e gás no Brasil com uma abordagem seletiva para 2026.

A avaliação do banco é que, com o Brent projetado na faixa de US$ 60 a US$ 70 por barril, o desempenho das ações tende a depender menos do “vento a favor” da commodity e mais de fatores específicos de cada companhia, como execução, disciplina de capital e qualidade dos ativos.

Nesse contexto, o BTG aponta PRIO (PRIO3) e Ultrapar (UGPA3) como os principais destaques do setor — suas top picks —, enquanto mantém Petrobras com recomendação neutra, citando um cenário de aperto financeiro que limita a reprecificação do papel mesmo em um ano eleitoral.

“Estamos assumindo a cobertura do setor de Óleo & Gás no Brasil com uma abordagem seletiva e bottom-up, pois esperamos que os preços do petróleo permaneçam dentro de uma faixa de US$ 60–70/barril em 2026, porém com risco assimétrico negativo”, afirma o BTG Pactual.

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Petróleo “de lado” e a bolsa premiando execução

O banco avalia que o ambiente global de petróleo segue com fundamentos suficientes para evitar um colapso de preços, mas também sem gatilhos evidentes para sustentar o Brent acima de US$ 70/barril por um período prolongado, diante do excesso de oferta e do incentivo para produtores elevarem produção nesses níveis.

“Não somos excessivamente pessimistas em relação aos preços do petróleo, mas vemos pouco espaço para o Brent sustentar-se acima de US$ 70/barril, dado o excesso de oferta global e o incentivo para produtores aumentarem a produção nesses níveis de preço”, diz o BTG.

Na leitura do banco, esse cenário muda a dinâmica de investimento no setor. Mesmo com muitos projetos ainda economicamente viáveis a Brent entre US$ 50 e US$ 60, a capacidade de transformar essa resiliência em geração de caixa e retorno ao acionista varia bastante entre as companhias — o que reforça a tese de seletividade.

“Embora muitos projetos permaneçam economicamente viáveis com Brent em US$ 50–60/barril, nem todas as empresas estão igualmente posicionadas para transformar essa viabilidade em fluxo de caixa livre e retorno ao acionista”, afirma o BTG.

Petrobras: aperto financeiro trava re-rating em 2026

Apesar de reconhecer que Petrobras costuma ser um “veículo natural” de exposição ao ciclo político brasileiro, o BTG vê pouca margem para uma reprecificação de curto prazo, diante do descompasso entre a política de dividendos e a geração efetiva de caixa para o acionista em um momento de ciclo pesado de investimentos.

“Estamos cautelosos com Petrobras, com recomendação Neutra, pois acreditamos que a restrição financeira deve prevalecer sobre o crescimento de produção e a opcionalidade política em 2026”, afirma o BTG.

Segundo o relatório, a Petrobras deve produzir cerca de 2,54 milhões de barris por dia em 2026, mas a conta de dividendos e investimentos exige um Brent mais alto para que a companhia fique neutra em caixa.

“Estimamos que a Petrobras só será neutra em fluxo de caixa com Brent acima de US$ 67/barril”, diz o BTG.

Na avaliação do banco, a alavancagem tende a seguir em alta no cenário-base de Brent a US$ 62/barril, já que a política de dividendos não acompanha a geração de FCFE.

“Portanto, a alavancagem da Petrobras continua aumentando no nosso cenário-base de Brent a US$ 62/barril, dado o ciclo pesado de investimentos (capex) e o fato de que a política de dividendos não está alinhada com a geração efetiva de FCFE”, afirma o BTG.

O banco estima um FCFE yield de ~8% em 2026, contra um dividend yield de ~10%, o que limita surpresas positivas e reduz o espaço para re-rating. Em um cenário mais estressado, com Brent a US$ 52/barril, os retornos poderiam cair para patamares bem menores.

“Projetamos um FCFE yield de ~8% em 2026, com DY de ~10%, o que poderia cair para ~4% e ~8%, respectivamente, se o Brent atingir US$ 52/barril”, diz o BTG.

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PRIO: execução e gatilhos claros colocam a ação entre as preferidas

Do lado do upstream, o BTG destaca a PRIO como o nome com melhor combinação entre crescimento e geração de caixa no setor, com catalisadores claros para 2026.

“A PRIO é nossa Top Pick, apoiada pelo primeiro óleo de Wahoo no 1TRI26 (~40 mil barris/dia em março/abril), otimização em Peregrino e forte geração de caixa”, afirma o BTG.

Segundo o banco, essa dinâmica se traduz em um potencial elevado de retorno ao acionista, com FCFE yield de ~23% em 2026E (ex-M&A) e dividend yield de ~11% — o que reforça a atratividade do papel em um cenário de Brent sem tendência definida.

“Isso se traduz em um FCFE yield de ~23% em 2026E (ex-M&A) e DY de ~11%”, diz o BTG.

Ultrapar: normalização do mercado pode destravar volumes e margens

No downstream, o BTG vê um cenário construtivo para as distribuidoras listadas em 2026, impulsionado pela redução de atividades irregulares no mercado, com potencial de ganho de participação e expansão gradual do pool de lucros do setor.

“A redução de atividades irregulares deve continuar beneficiando os players em conformidade em 2026 (primeiro via volumes e, depois, potencialmente via margens)”, afirma o BTG.

A Ultrapar aparece como top pick do banco em distribuição, com expectativa de melhora de margens na Ipiranga. Para 2026, o BTG projeta EBITDA/m³ de ~R$ 165 para a empresa, enquanto a Vibra poderia atingir ~R$ 175/m³.

“Esperamos que as distribuidoras listadas ganhem participação de mercado e entreguem expansão de margens, com EBITDA/m³ atingindo aproximadamente ~R$ 175 para a Vibra e ~R$ 165 para a Ipiranga (Ultrapar) em 2026”, diz o BTG.

O banco ressalta que, como a normalização tende a ocorrer de forma gradual, prefere a Ultrapar por seu portfólio diversificado e menor alavancagem, além do histórico de execução da gestão.

“Como esperamos uma normalização gradual, preferimos a Ultrapar por seu portfólio diversificado, menor alavancagem e histórico de execução da gestão”, afirma o BTG.

Brava e PetroReconcavo: desalavancagem versus falta de catalisadores

Além das top picks, o BTG mantém recomendação de compra para Brava (BRAV3), citando melhora de estabilidade operacional e trajetória de desalavancagem, embora com ponto de equilíbrio de geração de caixa ainda próximo ao patamar do Brent no cenário-base.

“Também gostamos da Brava, considerando a melhora da estabilidade operacional e a trajetória de desalavancagem, com Dívida Líquida/EBITDA caindo para cerca de ~1,8x até o fim de 2026”, diz o BTG.

Já para PetroReconcavo, o banco adota uma postura mais cautelosa, com recomendação neutra, diante da baixa visibilidade sobre o ritmo e a magnitude de melhorias operacionais.

“Mantemos recomendação Neutra para PetroReconcavo, pois a visibilidade sobre o ritmo e a magnitude das melhorias operacionais continua limitada”, afirma o BTG.

O que fica para 2026

Com o Brent projetado para operar em uma faixa mais estreita, o BTG vê 2026 como um ano em que a diferença entre as teses deve aparecer na execução e na disciplina financeira — e não apenas na direção do petróleo.

“Nesse ambiente incerto, o desempenho das ações passa a depender cada vez mais de execução específica das companhias, disciplina de capital e qualidade dos ativos”, conclui o BTG.