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Mercado brasileiro enfrenta novas pressões em alimentos, bebidas e energia, diz BTG

Mercado brasileiro enfrenta novas pressões em alimentos, bebidas e energia, diz BTG

Relatório do BTG Pactual aponta mudança de ciclo nas proteínas, pressão tributária sobre a cerveja e possível alta da gasolina no Brasil

O mercado brasileiro entrou em uma nova fase de atenção para setores como proteínas, carne suína, cerveja, óleo de soja, biodiesel, gasolina e etanol, segundo análise do BTG Pactual. Em relatório assinado por Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, o banco chama atenção para uma combinação de fatores que pode pressionar margens, limitar repasses de preços e afetar o desempenho de empresas ligadas ao consumo e ao agronegócio.

A leitura é de que o ambiente ficou mais desafiador em diferentes frentes. De um lado, o ciclo favorável para proteínas dá sinais de esgotamento. De outro, a discussão em torno do imposto seletivo sobre bebidas alcoólicas adiciona incerteza ao setor de cerveja. Ao mesmo tempo, a alta do petróleo reacende a pressão sobre os combustíveis e abre espaço para um novo ajuste de preços no mercado doméstico.

Suínos deixam de ser alívio e acendem sinal de cautela

Um dos principais pontos do relatório é a mudança de direção no mercado de carne suína. Depois de mais de երեք anos de avanço, os spreads do setor passaram a cair, em um movimento que o BTG trata como uma virada de ciclo. A avaliação importa porque a proteína suína vinha funcionando como uma das âncoras de rentabilidade para parte relevante do setor.

Segundo os analistas, a deterioração não ocorre de forma isolada. O banco observa que o frango também começa a mostrar sinais de enfraquecimento, o que amplia a pressão sobre empresas com maior exposição ao mercado doméstico. Para investidores, o recado é claro: a fase mais favorável para o segmento de proteínas parece ter ficado para trás, ao menos no curto prazo.

Na prática, isso tende a afetar principalmente companhias com maior dependência de produtos processados e menor diversificação geográfica. Em um cenário de spreads mais apertados, a capacidade de repassar custos e sustentar margem volta a ser um diferencial.

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Cerveja entra no radar com avanço da discussão tributária

No setor de bebidas, a cerveja passou a concentrar parte da atenção do mercado por causa do novo desenho tributário. O BTG destaca que as bebidas alcoólicas devem ser alcançadas pelo imposto seletivo, além da tributação do IVA, o que aumenta a incerteza sobre o custo final para a indústria e sobre o tamanho do repasse possível ao consumidor.

O ponto, segundo o banco, não é apenas o nível da alíquota, mas o efeito combinado entre carga tributária e elasticidade de demanda. Em um ambiente de consumo ainda sensível a preço, aumentos adicionais podem pesar sobre volumes, especialmente em categorias mais expostas à renda disponível das famílias.

Para o mercado financeiro, a questão central passa a ser o equilíbrio entre preço e volume. Empresas líderes tendem a ter mais instrumentos para administrar esse tipo de transição, mas o risco regulatório entra no radar justamente em um momento em que o consumo não dá sinais de grande tração.

Óleo de soja e biodiesel abrem frente de atenção no agronegócio

No agronegócio, o BTG destaca a defasagem entre a valorização internacional do óleo de soja e o comportamento mais contido dos preços no Brasil. Lá fora, o avanço veio puxado pela ligação com o mercado de energia. Aqui, o repasse ficou mais limitado, o que, na avaliação do banco, pode abrir espaço para recomposição.

Esse movimento importa porque o biodiesel depende fortemente do óleo de soja. Se a commodity continuar acompanhando a força do petróleo, a tendência é que o mercado doméstico também passe por ajuste. Nesse caso, empresas expostas à cadeia de esmagamento podem capturar uma melhora de margem.

O tema ganhou relevância porque une duas variáveis centrais da economia brasileira: a força estrutural do setor agroindustrial e a influência crescente da energia sobre a formação de preços. Para companhias do setor, o descolamento atual pode representar mais uma oportunidade do que um risco, desde que essa convergência de preços se confirme.

Gasolina mais cara volta ao centro das atenções

Na frente de combustíveis, o BTG adota um tom direto: se o petróleo continuar em patamar elevado, a alta da gasolina no Brasil tende a acontecer. O ponto de partida da análise é conhecido, mas continua relevante: o país não é autossuficiente no produto e depende de importações para atender toda a demanda doméstica.

Isso significa que, mesmo com eventual defasagem temporária nos preços praticados internamente, o mercado tende a buscar um ponto de equilíbrio. Sem remuneração adequada, a importação perde atratividade, o que pressiona a cadeia de abastecimento. Em algum momento, a conta precisa fechar.

Nesse contexto, o etanol volta a ganhar espaço como alternativa competitiva. Com gasolina mais cara, o biocombustível tende a melhorar sua posição relativa, o que pode beneficiar o setor sucroenergético e recolocar o segmento entre os temas mais observados por investidores.

Mercado entra em fase de seleção mais criteriosa

Na visão do BTG, o mercado brasileiro ficou mais sensível a uma combinação de ciclos, regulação e preços internacionais. Em setores tão distintos quanto proteínas, cerveja e combustíveis, a lógica passa a ser a mesma: empresas com maior poder de repasse, disciplina operacional e exposição mais equilibrada tendem a atravessar melhor o novo ambiente.

Para o investidor, esse tipo de cenário costuma reduzir espaço para apostas genéricas em setor e aumentar a importância da escolha de nomes específicos. Mais do que capturar crescimento, o desafio agora parece estar em defender margem, preservar competitividade e navegar um ambiente mais instável.

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