Desde o ano passado, a Ultrapar (UGPA3) tem passado por mudanças em seu modelo de negócio, com uma boa execução de seu plano de negócios. Mas a ação da companhia ficará atraente neste ano? Segundo relatório do BB Investimentos, ainda não. Tanto é que o preço-alvo foi revisado de R$ 28 para R$ 25 e foi mantida a recomendação neutra para o papel.
Isso acontece porque a casa de análise avalia que a rentabilidade da companhia ainda deve seguir pressionada nos próximos trimestres, por uma necessidade de elevados investimentos, dadas as despesas operacionais e de expansão, especialmente na subsidiária Ultracargo e também na aquisição Hidrovias do Brasil (HBSA3).
Aliás, a casa de análises verificou também que, após um período de retornos mais baixos, em meio à maior competitividade no setor de distribuição de combustíveis e mudanças na alocação de capital com saída da Ultrafarma e Oxiteno, a empresa mudou alguns pilares de seu modelo de negócio, redirecionando as aquisições, como por exemplo, a entrada na Hidrovias.
Ultrapar: capex sobe 46% para R$ 756 milhões
Segundo o relatório da BB Invest, no terceiro trimestre do ano passado, o capex subiu 46%, para R$ 756 milhões, acumulando alta de 19% nos primeiros nove meses de 2025.
“Mas, de modo geral, seguimos vendo a Ultrapar como uma companhia com boas oportunidades de crescimento orgânico e inorgânico, disciplina na alocação de capital e atuação em setores resilientes (energia, logística e mobilidade), com desafios regulatórios como potencial gatilho para melhoria na rentabilidade”, diz trecho do relatório da BB Invest, assinado pelo analista Daniel Cobucci.
Com relação ao contexto econômico, o setor no qual a Ultrapar atua, contou no ano passado com uma sequência de avanços considerados sem precedentes, com destaque para as ações contra o crime organizado, como as operações Carbono Oculto e Poço de Lobato, bem como a aprovação do projeto do Devedor Contumaz, pautas históricas do setor e que já trouxeram melhorias consideráveis na dinâmica comercial, ao retirar do mercado companhias menores com envolvimento em fraudes, adulterações e evasão fiscal. Dessa forma, avanços regulatórios, principalmente o combate às fraudes como não adição de biodiesel, comercialização irregular de nafta e inconsistências nos CBIOs serão importantes para aumento de volumes e de margens, segundo avalia o relatório.
“No caso da Ultrapar, um ponto de atenção é a atual execução de múltiplos projetos simultâneos, notadamente a expansão de terminais, investimento em novas energias e rotas hidroviárias, projetos que exigem disciplina para evitar atrasos e custos acima do orçado”, assinada o documento.
Ainda entre os destaques recentes, o BB oberva a Ultrapar avançando em frentes estratégicas, como: na Ultracargo, onde foi concluída a expansão do terminal de Santos (dando um acréscimo de 34 mil m³ de capacidade), o que deve reforçar sua posição de liderança em armazenagem de granéis líquidos; na Ultragaz, onde houve investimento em biometano, com projetos voltados à transição energética e redução de emissões; e na Hidrovias, que concluiu a venda da operação de cabotagem (R$ 715 milhões), o que reduziu sua alavancagem e deve permitir foco em negócios com mais sinergia.
Melhoria no fluxo de caixa
Em outro ponto do relatório o BB vê também melhoria no fluxo de caixa operacional, chegando a R$ 2,1 bilhões no 3TRI25 (+173% a/a e +127 t/t), sustentado pela consolidação da Hidrovias, melhora nos resultados e menor investimento em capital de giro, em especial na Ipiranga e Ultragaz.
“Com isso, a companhia logrou reduzir sua dívida líquida/EBITDA para 1,7x, após um pico em 1,9x no trimestre anterior. Como pontos de atenção, vemos o lento crescimento de volumes na Ipiranga, que cresceu menos do que a Vibra no período, bem como o aumento das despesas financeiras”, diz outro trecho do documento.
No começo de janeiro, a Ultrapar concluiu a aquisição de 37,5% de participação na Virtu GNL, empresa voltada à comercialização de gás natural liquefeito. O valor total foi de R$ 102,5 milhões, sendo R$ 85 milhões destinados a aporte de capital na Virtu e o saldo remanescente como oferta secundária.
Sobre essa aquisição, o BB vê uma boa sinergia com o portfólio da Ultrapar, com uma estrutura societária com bloco de controle entre a empresa e Perfin Infra com 75% do capital social votante. O sócio fundador, José Moura Jr., permanecerá como acionista relevante, com 25%, o que deve possibilitar que a Ultrapar direcione o desenvolvimento comercial e estratégico da companhia.
A Virtu possui dois modelos de atuação: logística de GNL para uso próprio e clientes da Eneva (ENEV3) por meio de uma joint venture; e serviços logísticos movidos à GNL, incluindo operação de centrais de abastecimento dedicadas à sua frota de caminhões movidos a gás liquefeito.
De acordo com o relatório, a Virtu tem crescido como ofertante de soluções de baixo carbono no setor de transporte rodoviário, com foco na substituição do diesel pelo GNL, em especial para transporte da crescente produção do agronegócio nas regiões Centro-Oeste e Norte do país.
Projeção de receita líquida
O BB projeta uma receita líquida de R$ 145 bilhões para 2026, um incremento de 2,5%, com um volume 1,4% superior na comparação anual. A tese de investimento para a companhia se fundamenta em fators como a retomada no volume de vendas de combustíveis líquidos, o que pode produzir um efeito de diluição de custos fixos, na rede de postos Ipiranga; novas aplicações para uso do gás no segmento industrial ou novos investimentos relacionados a energia renovável, na subsidiária Ultragaz; na Ultracargo, aumento da movimentação de combustíveis e expansões com as integrações e expansões projetadas com o movimento de interiorização. Além disso, a Hidrovias deve acompanhar o crescimento do agronegócio e da exportação de grãos (Arco Norte), bem como a expansão da produção de minério (Corredor Sul). Por fim, as recentes ações de combate à concorrência desleal tendem a melhorar a rentabilidade do setor por meio do aumento da confiança do consumidor nas grandes redes.
Já os riscos para a tese de investimento incluem, entre outros: riscos de execução ou crescimento menor do que o esperado; redução no ritmo de crescimento da frota de automóveis; mudanças regulatórias ou tributárias que afetem as condições atuais de cada uma das companhias do grupo; concorrência mais intensa na distribuição de combustível no varejo, o que pode afetar as margens da Ipiranga ou a capacidade de embandeirar postos; e na Hidrovias, a dependência de condições climáticas e infraestrutura (dragagens) pode limitar rentabilidade.
“O papel UGPA3 sobe 48% nos últimos doze meses, acima dos 35% de alta no Ibovespa, mas abaixo dos 68% de alta de seu principal par listado, a Vibra (VBBR3), no mesmo período (Raízen cai 59%, mas por razões de seu endividamento e da performance no segmento agro). Em nossa opinião, o setor deve seguir performando bem, no contexto de melhoria na competitividade com as ações contra ilegalidades, ainda que as elevadas taxas de juros domésticas e a persistência de fraudes/evasão fiscal devam seguir limitando a rentabilidade”, completa o relatório.
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