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Fim da taxa das blusinhas vira lei, mas impacto já está no preço das varejistas

Fim da taxa das blusinhas vira lei, mas impacto já está no preço das varejistas

Congresso converteu em lei a medida provisória que suspendeu o imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50

O Congresso aprovou nesta quarta-feira (3) a conversão em lei da medida provisória que suspendeu o imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, a chamada taxa das blusinhas. A votação foi simbólica nas duas Casas, e o texto segue para sanção presidencial.

O detalhe que muda o jogo é o caráter permanente. Com a conversão, deixa de existir a possibilidade de a medida perder validade em setembro e de a alíquota de 20% voltar automaticamente.

“Embora esperada, a medida pode gerar impacto negativo para os varejistas de vestuário”, apontam Pedro Caravina e Laryssa Sumer, analistas da XP Investimentos.

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A ressalva vem logo em seguida: na avaliação da corretora, a permanência da isenção já estava incorporada aos preços das ações.

O texto não zera o imposto

Há uma distinção importante no que foi aprovado. A lei remove o piso de 20% e delega a definição da alíquota ao Ministério da Fazenda, que mantém o imposto em zero desde 13 de maio. Na prática, o poder de calibrar a cobrança passa ao Executivo.

A versão final acrescentou ainda um mecanismo de acompanhamento. Serão feitas avaliações periódicas de impacto, a primeira em até três meses e as seguintes a cada seis meses, cobrindo emprego, renda, arrecadação tributária e competitividade da indústria e do varejo domésticos.

Por que a XP não vê estrago

“Vemos as companhias de vestuário mais bem posicionadas para competir com as plataformas cross-border”, observam Caravina e Sumer, referindo-se aos sites estrangeiros que vendem diretamente ao consumidor brasileiro.

O segundo argumento é tributário. O ICMS estadual, que varia de 17% a 20%, continua funcionando como amortecedor das distorções de preço entre o produto importado e o vendido por aqui.

“O mecanismo de monitoramento também mantém aberto um canal para o varejo doméstico pressionar por uma recalibragem por decreto ministerial, sem a necessidade de nova legislação”, projetam Pedro Caravina e Laryssa Sumer, analistas da XP Investimentos.

Ou seja, o setor perdeu o retorno automático da alíquota, mas ganhou uma via mais curta para reabrir a discussão.

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