A Embraer (EMBJ3) divulgou após o fechamento do mercado de terça-feira (27) um conjunto de números que reforça o bom momento operacional da companhia. No quarto trimestre de 2025 (4TRI25), a fabricante brasileira encerrou o período com backlog recorde de US$ 31,6 bilhões, o maior de sua história, crescimento de 20% na comparação anual e leve avanço frente ao trimestre anterior.
Os dados fazem parte do release operacional da empresa e mostram uma Embraer entrando em 2026 com carteira robusta, ritmo elevado de entregas e demanda firme em praticamente todas as frentes de atuação.
Backlog histórico consolida tração comercial
A carteira consolidada de pedidos atingiu US$ 31,6 bilhões ao fim do 4T25, avanço de 1% em relação ao trimestre anterior e de 20% na comparação com o mesmo período de 2024. O número reflete a continuidade da forte tração comercial observada ao longo de 2025 e reforça a visibilidade de receitas da companhia para os próximos anos.
Do total do backlog, US$ 14,5 bilhões correspondem à aviação comercial, US$ 7,6 bilhões a jatos executivos, US$ 4,6 bilhões ao segmento de defesa e segurança e US$ 4,9 bilhões à área de serviços e suporte.
Entregas avançam no trimestre e no acumulado do ano
No quarto trimestre, a Embraer entregou 91 aeronaves, crescimento de 21% em base anual e resultado superior às 62 unidades entregues no terceiro trimestre. Do total, foram 32 aviões comerciais, 53 jatos executivos, 2 cargueiros KC-390 Millennium e 4 aeronaves A-29 Super Tucano.
No acumulado de 2025, as entregas somaram 244 aeronaves, alta de 18% frente a 2024, reforçando o avanço operacional da companhia ao longo do ano.
Aviação comercial mantém protagonismo, apesar de ajuste pontual
A aviação comercial encerrou o trimestre com carteira de pedidos de US$ 14,5 bilhões, crescimento de 42% na comparação anual, apesar de uma queda de 5% frente ao trimestre anterior. Segundo a empresa, o recuo trimestral está relacionado à renegociação de pedidos da Azul no contexto do processo de recuperação judicial da companhia aérea.
No período, a unidade entregou 32 aeronaves, totalizando 78 jatos comerciais em 2025, volume em linha com as estimativas da própria Embraer. O segmento encerrou o ano com um índice book-to-bill de 2,8 vezes, indicando que o volume de novos pedidos superou com folga o número de entregas.
Jatos executivos atingem novo recorde histórico
O segmento de aviação executiva foi outro destaque do trimestre. A carteira de pedidos atingiu US$ 7,6 bilhões, novo recorde histórico, com crescimento de 4% frente ao trimestre anterior e de 3% na comparação anual.
As entregas somaram 53 aeronaves no 4T25, aumento de 20% em relação ao mesmo período de 2024. No ano, a Embraer entregou 155 jatos executivos, também um recorde histórico, refletindo o maior equilíbrio na distribuição das entregas ao longo dos trimestres.
Defesa e segurança ganham tração internacional
Na área de defesa e segurança, a carteira de pedidos alcançou US$ 4,6 bilhões, crescimento de 18% no trimestre e de 10% em base anual. O avanço foi impulsionado por novas encomendas do KC-390 Millennium, com pedidos da Suécia e de Portugal, além da entrega das primeiras aeronaves A-29 Super Tucano para a Força Aérea Portuguesa.
A companhia destacou ainda que algumas seleções recentes do KC-390 por países europeus ainda não estão contabilizadas no backlog, pois os contratos seguem em fase final de negociação.
Serviços sustentam carteira robusta
O segmento de Serviços & Suporte encerrou o trimestre com carteira de US$ 4,9 bilhões, crescimento de 7% na comparação anual. O desempenho foi apoiado por novos contratos de manutenção, expansão do programa de componentes e pelo início da construção de uma nova unidade de manutenção de jatos comerciais nos Estados Unidos, com inauguração prevista para 2027.
O que diz o Bradesco BBI
Na avaliação do Bradesco BBI, os números do trimestre reforçam a Embraer em uma trajetória clara de aceleração comercial e operacional. Segundo o banco, o backlog recorde, com crescimento anual de 20%, reduz o risco de execução no curto prazo e assegura elevada previsibilidade de receitas.
Para os analistas, a aviação comercial segue como o principal vetor de expansão, sustentada por novos pedidos firmes e por um book-to-bill elevado, enquanto o segmento executivo mantém desempenho sólido, com entregas mais equilibradas ao longo do ano. Em defesa, o BBI destaca a crescente tração internacional do KC-390, com potencial de novas encomendas ainda não refletidas na carteira.
De forma agregada, o banco avalia que a Embraer opera em ritmo forte, com carteira diversificada e capacidade de captura adicional de margens à medida que o ciclo global de demanda permanece favorável.
Banco Safra: forte crescimento
Por sua vez, o banco Safra avaliou que o forte crescimento na comparação anual foi sustentado por pedidos robustos nos segmentos de Aviação Comercial e Defesa. Já a expansão trimestral foi mais modesta em razão da renegociação do pedido de jatos E2 da Azul.
“O forte crescimento na comparação anual foi sustentado por pedidos robustos nos segmentos de Aviação Comercial e Defesa. Já a expansão trimestral foi mais modesta em razão da renegociação do pedido de jatos E2 da Azul”, completa o relatório do Safra.
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