As perspectivas para 2026 colocam a Embraer (EMBJ3) diante do desafio de sustentar o forte ciclo positivo construído nos últimos anos, em um cenário ainda favorável para a indústria aeronáutica global. A expectativa é de continuidade do bom desempenho na aviação comercial, impulsionado pelas restrições de oferta no segmento de aeronaves de corredor único, o que mantém aquecidas as campanhas por novos pedidos, segundo relatório do BTG Pactual (BPAC11).
No segmento de Defesa, o ambiente segue construtivo, apoiado pelo aumento das tensões geopolíticas e pela expansão dos orçamentos militares em diferentes países. Já na aviação executiva, o foco da companhia está na ampliação da capacidade produtiva, diante de uma carteira de encomendas elevada. Além disso, o mercado acompanha com atenção a evolução do negócio de eVTOL da Embraer, conduzido pela Eve, visto como uma potencial alavanca de crescimento no médio e longo prazo.
O desempenho recente da companhia ajuda a explicar o otimismo para o próximo ano. Em 2025, a Embraer registrou um ano considerado excepcional, superando expectativas mesmo após um desempenho já bastante positivo em 2024.
Embraer tem ação valorizada ao longo de 2025
Segundo o relatório, a ação teve mais um movimento relevante de valorização ao longo do ano fiscal, apesar de períodos prolongados de apreciação do real, que normalmente pressionam empresas exportadoras. O período foi marcado por recordes de vendas na aviação comercial, contratos relevantes no segmento de Defesa, forte presença no Paris Air Show e acordos considerados históricos, como a primeira venda do E2 para uma companhia aérea sediada nos Estados Unidos.
Do ponto de vista operacional, as entregas também apresentaram um desempenho sólido em 2025, mesmo com os impactos negativos decorrentes das novas tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos. Esse fator reforçou a percepção de resiliência da companhia em um ambiente externo mais desafiador, especialmente no que diz respeito à cadeia global de suprimentos.
Exposição ao dólar
Para investidores, a Embraer segue sendo vista como uma das principais alternativas de exposição ao dólar, beneficiada pela dinâmica favorável de oferta e demanda na indústria de aviação, que tende a favorecer os fabricantes de aeronaves. Historicamente, manter a ação antes da divulgação dos resultados do quarto trimestre — período de pico de entregas — tem se mostrado uma estratégia consistente, padrão que voltou a se confirmar recentemente.
Apesar de as avaliações atuais já estarem acima das médias históricas, analistas avaliam que há fundamentos que sustentam esse patamar, além de possíveis catalisadores capazes de reduzir o desconto em relação a pares globais. Entre os principais pontos de atenção para 2026 estão a manutenção do bom ritmo de campanhas comerciais, especialmente nas divisões de Aviação Comercial e Defesa, a evolução gradual das entregas após anos de restrições na cadeia de suprimentos e os próximos passos estratégicos da companhia.
Nesse contexto, ganha relevância o debate sobre o futuro portfólio da Embraer. Com as principais plataformas de aeronaves entrando em fase de maturidade, o mercado questiona se a empresa deverá lançar, no futuro, um novo programa de aeronaves, movimento que pode incluir o avanço definitivo no segmento de eVTOL. O desfecho dessa estratégia pode ser determinante para o posicionamento da companhia no próximo ciclo de crescimento do setor.
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