Os resultados do quarto trimestre de 2025 do Magazine Luiza (MGLU3) trouxeram números operacionais dentro do esperado, mas reforçaram uma preocupação relevante para analistas: a baixa geração de caixa da companhia em um ambiente ainda desafiador para o varejo e o comércio eletrônico.
De acordo com avaliação do Banco Safra, apesar de a receita e o EBITDA terem ficado praticamente em linha com as estimativas, o fluxo de caixa operacional praticamente nulo ao longo de 2025 chama atenção e limita uma visão mais otimista sobre o papel no curto prazo.
No trimestre, o Magazine Luiza registrou receita líquida de R$ 11 bilhões, número praticamente estável na comparação anual. O desempenho foi sustentado principalmente pelas lojas físicas, que apresentaram crescimento de 8% nas vendas mesmas lojas (SSS). Já o comércio eletrônico seguiu pressionado, com retração de 5% nas vendas na comparação com o mesmo período do ano anterior.
No detalhamento por canais, as vendas nas lojas físicas avançaram 9% na base anual, enquanto o marketplace (3P) registrou queda de 11%. As vendas no modelo 1P, em que a companhia vende produtos diretamente ao consumidor, ficaram praticamente estáveis, com leve recuo de 1%.
Segundo o Safra, o ambiente de consumo ainda segue difícil para categorias importantes do portfólio da companhia, especialmente eletrônicos e eletrodomésticos, que continuam enfrentando demanda mais fraca.
Rentabilidade sustentável
Mesmo com crescimento modesto nas vendas, ganhos de eficiência ajudaram a sustentar a rentabilidade. O EBITDA ajustado atingiu R$ 867 milhões no trimestre, alta de 2,5% na comparação anual, com margem de 7,8%. O lucro líquido ajustado somou R$ 125 milhões, acima das projeções do banco, impulsionado principalmente por maiores créditos tributários.
Apesar desse resultado positivo na última linha, o principal ponto de atenção continua sendo a geração de caixa. Ao longo de 2025, a companhia registrou aumento de R$ 209 milhões na dívida líquida, número que inclui o pagamento de R$ 225 milhões em dividendos.
Segundo os analistas, esse movimento indica que a geração de caixa operacional no ano foi praticamente zero, o que reforça as preocupações sobre a capacidade da empresa de financiar suas operações e investimentos em um cenário macroeconômico ainda desafiador.
Na avaliação do Safra, embora o contexto econômico imponha dificuldades para todo o setor de varejo, a evolução da geração de caixa será um fator crucial para determinar uma visão mais construtiva sobre o Magazine Luiza nos próximos trimestres. Enquanto esse avanço não se materializar, o banco mantém postura cautelosa em relação à companhia e ao setor de comércio eletrônico.






