A divulgação dos números de entregas do quarto trimestre de 2025 (4TRI25) colocou a Embraer (EMBJ3) novamente no centro do radar dos analistas.
A fabricante brasileira encerrou o ano cumprindo as metas anunciadas para 2025 e entregou, no último trimestre, um volume de aeronaves ligeiramente acima das expectativas do mercado — um movimento que, segundo BTG Pactual (BPAC11) e Bradesco BBI, reforça a sazonalidade positiva do período e sustenta a perspectiva de uma geração robusta de fluxo de caixa.
Embraer: Execução operacional confirma o guidance
No 4TRI25, a Embraer entregou 91 aeronaves, alta de 21% na comparação anual. O volume foi composto por 32 aeronaves comerciais, 53 jatos executivos e seis unidades na divisão de Defesa & Segurança, incluindo dois KC-390 Millennium e quatro A-29 Super Tucano.
Com isso, a companhia encerrou 2025 com 78 jatos comerciais entregues — dentro do intervalo projetado, de 77 a 85 unidades — e 155 jatos executivos, exatamente no topo do guidance anual, que ia de 145 a 155 aeronaves.
Na leitura do Bradesco BBI, o resultado do trimestre superou tanto o consenso de mercado quanto suas próprias estimativas, puxado principalmente pela performance da aviação executiva.
Já na aviação comercial, as entregas ficaram ligeiramente abaixo das projeções, em um movimento que, segundo o BTG, ainda reflete gargalos na cadeia de suprimentos, especialmente relacionados à Pratt & Whitney.
Entregas como ponte para o caixa
Mais do que o volume absoluto, os analistas destacam o impacto das entregas sobre os números financeiros do trimestre. O BTG Pactual ressalta que o quarto trimestre é historicamente o mais forte da companhia em termos de geração de caixa e que o desempenho operacional observado em 2025 reforça essa dinâmica.
Como referência, no 4TRI24, a Embraer gerou cerca de US$ 1 bilhão em fluxo de caixa livre com 75 aeronaves entregues. Em 2025, o número total de entregas no período foi maior, o que sustenta uma expectativa positiva para os resultados financeiros que ainda serão divulgados.
O que dizem os analistas
Em relatório, o BTG Pactual afirmou que a companhia não apenas cumpriu o guidance de entregas para 2025, como apresentou um desempenho ligeiramente acima do esperado, sobretudo na aviação executiva e em defesa.
“Esse número marginalmente acima do esperado reforça a sazonalidade positiva do quarto trimestre, tradicionalmente o trimestre mais forte da companhia, e esperamos uma geração robusta de fluxo de caixa”, disseram os analistas do BTG Pactual, ao reiterar a Embraer como uma de suas principais escolhas para a temporada de resultados,
No Bradesco BBI, a avaliação segue na mesma direção. A casa destacou que, após o cumprimento das metas operacionais, cresce a confiança de que a companhia também será capaz de atender aos aspectos financeiros de sua orientação.
“Após atingir sua orientação para entregas, acreditamos que a indicação de que a Embraer pode atender aos aspectos financeiros da orientação também é positiva”, afirmou o Bradesco BBI, que manteve recomendação de compra para o papel.
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Valuation e perspectiva
Além da leitura operacional e financeira, os relatórios também chamam atenção para o valuation da companhia. O BTG Pactual fixou preço-alvo de R$ 107, o que implica um potencial de valorização próximo de 15% em relação à cotação observada no pré-mercado. Já o Bradesco BBI trabalha com preço-alvo de R$ 99, indicando um upside de cerca de 6%.
Segundo o BTG, mesmo após a recente alta das ações — que avançaram cerca de 7% na semana anterior à divulgação dos dados — os papéis ainda negociam com desconto em relação a pares globais, em um contexto de noticiário considerado construtivo para praticamente todos os negócios da companhia.
Com as entregas de 2025 encerradas dentro — e, em alguns segmentos, acima — do guidance, o foco do mercado se volta agora para os números financeiros do quarto trimestre.
Na avaliação de BTG Pactual e Bradesco BBI, a combinação entre execução operacional, sazonalidade favorável e valuation ainda descontado coloca o quarto trimestre como um ponto-chave para a leitura do desempenho da Embraer.






