As ações do setor de construção civil voltaram a testar máximas em 2026 após um forte rali no início do ano, levando o Santander (SANB11) a reforçar uma visão positiva para o segmento, especialmente para empresas de baixa renda.
Em sua atualização de perspectivas, o banco manteve a Cyrela (CYRE3) como principal aposta entre as construtoras, seguida pela Direcional (DIRR3), além de elevar a recomendação da EZTEC (EZTC3) para compra.
Segundo o relatório, o desempenho recente das construtoras tem superado o mercado, mesmo após um período de fraqueza em dezembro de 2025, quando o setor caiu cerca de 11% em média. Já em 2026, as companhias voltaram a ganhar tração, com alta aproximada de 26%, superando o índice em cerca de 8 pontos percentuais.
Apesar do avanço expressivo, o banco avalia que o rali não está necessariamente descolado dos fundamentos, em um cenário de melhora operacional, expansão de margens e crescimento consistente de lucros ao longo dos próximos anos.
Santander vê valuations sustentáveis mesmo após forte rali das construtoras
Com o setor negociando próximo ou acima das médias históricas em alguns casos, a principal dúvida do mercado é se os valuations conseguem sustentar o desempenho ao longo de 2026. Na visão do Santander, a resposta tende a ser positiva, desde que o ambiente operacional permaneça favorável.
“O valuation conseguirá sustentar esse rali ao longo de 2026? Com os valuations de algumas empresas ultrapassando ou convergindo para as médias históricas, surgem dúvidas sobre o desempenho para o restante do ano. Mas acreditamos que os níveis de valuation mais altos são sustentados pela combinação de um forte desempenho operacional, uma perspectiva sólida para as margens e crescimento de lucros nos próximos anos”, afirmam os analistas Fanny Oreng, Matheus Meloni e Luis Wadt no relatório.
Esse diagnóstico sugere que o movimento recente não é apenas especulativo, mas ancorado em fundamentos, o que reforça a leitura construtiva do banco para o setor no médio prazo.
Baixa renda e Minha Casa Minha Vida devem ser os principais motores em 2026
O Santander destaca que o segmento de baixa renda segue como o principal vetor estrutural de crescimento para as construtoras em 2026, especialmente diante de possíveis ajustes no programa Minha Casa Minha Vida (MCMV).
“Ainda vemos uma perspectiva positiva para as construtoras de baixa renda em 2026. A combinação de melhorias nas faixas de renda do MCMV, tetos de preços mais altos, funding adicional para as Faixas 3 e 4 e uma perspectiva positiva para os custos de insumos deve comprovar que 2026 poderá ser mais um ano promissor para o segmento”, aponta o banco.
Além disso, uma eventual revisão das faixas de renda do programa pode impulsionar a demanda, gerando surpresas positivas em vendas e geração de caixa, especialmente para empresas com níveis de estoque mais elevados, segundo a análise.
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Cyrela lidera preferências; Direcional se destaca pela exposição ao MCMV
Dentro da cobertura, a Cyrela foi mantida como Top Pick do Santander entre as construtoras, sustentada por valuation considerado atrativo, crescimento consistente de lucros e potencial de expansão do retorno sobre o patrimônio (ROE), impulsionado pela crescente relevância da marca Vivaz em seu portfólio.
A Direcional aparece na sequência entre as preferidas do banco, refletindo a combinação de múltiplos ainda atrativos e elevada exposição a possíveis melhorias no Minha Casa Minha Vida, incluindo maior disponibilidade de funding para as Faixas 3 e 4 — que representam cerca de 40% dos lançamentos da companhia — além de potenciais aumentos de subsídios em regiões estratégicas. Destaques do Dia 24 02 2026
Já a EZTEC teve sua recomendação elevada para compra, com o Santander apontando uma perspectiva mais favorável para o segmento de média renda e avanços consistentes na execução operacional da empresa, o que melhora a visibilidade de resultados à frente.
No geral, o banco mantém recomendação de compra para a maior parte das companhias do setor sob cobertura, incluindo Cury (CURY3), MRV (MRVE3), Tenda (TEND3), Plano & Plano (PLPL3) e Moura Dubeux (MDNE3), reforçando a visão de que o ciclo operacional das construtoras segue positivo mesmo após a forte valorização das ações em 2026.






