A Orizon (ORVR3) desponta como a nova Top Pick do Santander no setor de resíduos, em meio à atualização da lista de preferências da casa. Segundo os analistas Ricardo Peretti e Alice Corrêa, o mercado ainda não precifica adequadamente o potencial de longo prazo da companhia, especialmente após a aquisição da Vital e diante das oportunidades abertas pelo novo marco regulatório.
A tese combina crescimento orgânico, expansão via concessões e PPPs e avanço no segmento de biometano, com expectativa de forte geração de EBITDA nos próximos anos.
De acordo com o relatório publicado em 23 de fevereiro de 2026 , a Orizon assume a liderança entre as preferências do banco no setor de Energia & Saneamento, superando outros nomes acompanhados pela instituição.
Novo marco regulatório impulsiona o setor de resíduos
O Santander avalia que o setor de resíduos sólidos deve continuar evoluindo sob o novo marco regulatório, com municípios e estados ampliando a adoção de contratos integrados que reúnem coleta, disposição e tratamento. Esse modelo, muitas vezes estruturado por meio de concessões e PPPs, favorece empresas com escala e capacidade operacional consolidada.
Nesse contexto, a Orizon aparece bem posicionada. A companhia já atua de forma integrada na gestão de resíduos e tende a se beneficiar da profissionalização do setor. A leitura dos analistas é que a combinação entre regulação mais clara e demanda crescente por soluções ambientais cria uma avenida relevante de crescimento estrutural.
Além disso, a consolidação do mercado deve ganhar tração nos próximos anos. Empresas capitalizadas e com acesso a financiamento, como a Orizon, tendem a capturar oportunidades que surgem com a reorganização dos serviços públicos de limpeza urbana e destinação final.
Aquisição da Vital reforça estratégia de consolidação
Um dos principais vetores destacados no relatório é a aquisição da Vital. Para o Santander, a transação acelera a estratégia de consolidação e posiciona a Orizon como a maior empresa de gestão de resíduos da América Latina.
Na avaliação dos analistas, o mercado ainda não incorporou integralmente o impacto dessa operação no valuation da companhia. A expectativa é que a integração gere ganhos de escala, sinergias operacionais e maior poder de negociação em novos contratos.
Com isso, a Orizon amplia sua presença geográfica e fortalece sua base de ativos. O movimento também reforça a capacidade da empresa de disputar contratos de maior porte, especialmente em concessões estruturadas sob o novo marco regulatório.
Crescimento orgânico e expansão do biometano
Além das aquisições, o banco destaca fortes vetores de crescimento orgânico. A projeção é de um CAGR de EBITDA de 56% entre 2025 e 2028, sustentado principalmente pela expansão do biometano e por reajustes de preços na base atual de ativos.
O biometano surge como um diferencial competitivo relevante. Produzido a partir do aproveitamento energético de resíduos, ele combina ganhos ambientais com geração de receita adicional. Em um cenário de transição energética e busca por fontes renováveis, esse segmento pode ampliar margens e diversificar o fluxo de caixa.
Para Ricardo Peretti e Alice Corrêa, a combinação entre consolidação, crescimento orgânico e amadurecimento regulatório sustenta a visão construtiva para a Orizon. A leitura central é clara: o mercado ainda não precifica todo o potencial de longo prazo da companhia no setor de resíduos.






