O Nubank (ROXO34) está elevando a inteligência artificial ao centro de sua estratégia, deixando de tratá-la apenas como ferramenta de eficiência para posicioná-la como base estrutural de todo o seu modelo de operação.
Em análise sobre um novo episódio de videocast da companhia, o BTG Pactual destaca que a instituição quer transformar a IA em um “superpoder” capaz de redefinir como produtos são construídos, como o risco é gerido e como o relacionamento com clientes é aprofundado.
Segundo executivos da companhia, incluindo o CTO Eric Young e o Head de Core AI, Rohan Ramanath, há uma distinção clara entre adoção e transformação. A adoção envolve incorporar copilotos, assistentes e agentes a fluxos já existentes.
A transformação, por sua vez, implica redesenhar processos desde o início, assumindo que a IA pode executar uma parcela relevante das tarefas. A lógica remete ao momento em que o Nubank deixou de apenas digitalizar agências e reconstruiu a experiência bancária sobre uma nova arquitetura tecnológica.
Esse movimento dá origem a um modelo “AI-first”, no qual produtos e jornadas são concebidos já com inteligência artificial integrada. A avaliação do BTG é que essa abordagem vai além de ganhos incrementais e pode sustentar uma nova fase de diferenciação competitiva, principalmente em um setor onde a digitalização básica já se tornou padrão.
nuFormer
Um dos pilares dessa estratégia é o avanço do nuFormer, modelo proprietário do Nubank que, segundo a análise, está evoluindo de motor de crédito para uma camada mais ampla de inteligência. A plataforma passa a funcionar como espinha dorsal na tomada de decisões, oferecendo um sinal mais preciso sobre comportamento e risco dos clientes.
A melhora na qualidade dos modelos, no entanto, não se limita à redução de perdas. A instituição vê potencial de ampliação da inclusão financeira, ao identificar clientes que podem receber mais crédito com segurança sem comprometer a qualidade da carteira.
Ainda assim, a decisão final de concessão permanece ancorada em métricas econômicas ajustadas ao risco e no valor presente líquido, com o apetite de risco sendo definido por políticas de negócio, controles independentes e critérios de explicabilidade e equidade.
Outro ponto central é o impacto da IA na geração de receita e eficiência operacional. O banco enxerga a tecnologia como caminho para reduzir a diferença de receita média por cliente (ARPAC) em relação aos players tradicionais. A alavanca principal deve ser a personalização em escala, permitindo ofertas mais precisas, maior engajamento e aumento de cross-sell.
Private Banker
Além disso, iniciativas como o “AI Private Banker” e a construção de um ecossistema mais integrado são vistas como vetores para elevar a monetização da base. Internamente, a IA já vem acelerando o desenvolvimento de software, a prototipagem e a execução de roadmaps, contribuindo para ganhos de produtividade e velocidade de inovação.
Por fim, o Nubank reforça que sua vantagem competitiva na corrida por IA repousa em três pilares: dados, talentos e cultura. A empresa argumenta que a transição do “digital banking” para o “AI banking” não partirá de condições iguais entre os competidores, favorecendo organizações que já operam com forte integração entre tecnologia, analytics e produto.






