A indústria de moda brasileira entrou no radar do mercado com um sinal de alerta: a pressão de custos, especialmente ligada ao petróleo, passou a dominar o debate entre investidores às vésperas da temporada de resultados do primeiro trimestre de 2026. Ainda assim, algumas companhias conseguiram se destacar positivamente ao indicar maior resiliência operacional e estratégias mais bem calibradas para enfrentar o cenário.
Durante a quinta edição da XP Fashion Conference, que reuniu empresas como Alpargatas (ALPA4), Lojas Renner (LREN4) e Vivara (VIVA3), investidores concentraram questionamentos em três frentes principais: dinâmica de margens no curto prazo, impactos da alta do petróleo sobre fretes e os efeitos ainda incertos da reforma tributária.
O avanço recente do petróleo foi o tema mais recorrente nas discussões, levantando preocupações sobre potenciais efeitos inflacionários e aumento de despesas logísticas. No entanto, as empresas indicaram que, até o momento, não observam impactos relevantes nos custos de frete. Contudo, há cautela em relação a efeitos indiretos, sobretudo em um ambiente macroeconômico mais pressionado.
Entretanto, a reforma tributária também começou a ganhar espaço no radar dos investidores. Apesar de ainda incipiente, o debate revelou um baixo nível de visibilidade por parte das companhias, refletindo o elevado grau de incerteza regulatória. Assim, o tema deve permanecer como vetor de volatilidade ao longo dos próximos trimestres.
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Destaques positivos
Mesmo diante desse cenário, algumas empresas conseguiram aliviar preocupações do mercado. A Vivara apresentou sinais construtivos, com expectativa de margem bruta estável no primeiro trimestre de 2026, além de uma geração de caixa mais robusta impulsionada pela redução de estoques. A elasticidade de preços também surpreendeu positivamente, embora o crescimento de volumes deva ser mais moderado.
Já a Alpargatas reforçou uma visão mais otimista para 2026, sustentada pela retomada de volumes no Brasil e aceleração das operações internacionais. A companhia também minimizou os impactos do petróleo como fator relevante de pressão.
Por outro lado, a Azzas 2154 (AZZA3) ainda enfrenta um momento mais desafiador no curto prazo, com ajustes operacionais pressionando resultados e espaço adicional para otimização de despesas. Ainda assim, há expectativa de melhora mais consistente ao longo do segundo semestre.
No geral, o setor caminha para a temporada de resultados com fundamentos ainda sólidos, mas sob vigilância crescente em relação a custos e execução operacional, fatores que devem ditar o desempenho das ações no curto prazo.






