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Como ficam as construtoras com a queda da Selic

Como ficam as construtoras com a queda da Selic

Um dos segmentos que é considerado “motor” da economia brasileira é o de construção. O investidor quer saber como ficam as construtoras com a queda da Selic.

Isso porque o mercado já precificou que o Banco Central (BC) deverá iniciar o ciclo de cortes dos juros brasileiros. E a Selic é justamente a taxa básica de juros do país, atualmente em 13,75% ao ano.

O patamar atual, dos juros, serviu para conter o aumento da inflação, mas, ao mesmo tempo, funcionou como um remédio amargo, encarecendo o crédito e prejudicando o consumo.

Agora, a expectativa é que o brasileiro retome projetos que estavam em “stand by”, incluindo aí a compra de casas ou apartamentos. Também a mudança de residência, por razões de estudo ou trabalho, algo que antes estava inviável justamente por conta da alta do custo de vida.

De olho nesse setor, o BTG Pactual (BPAC11) divulgou um relatório analisando o mercado. “Com a aproximação do início do ciclo de queda de juros no Brasil, é essencial discutir a importância das reduções de taxas de juros para as construtoras de média/alta renda, que são vistas como uma excelente tese para exposição a juros menores e tiveram um bom desempenho ultimamente”, destacou o banco.

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E disse mais: “como tal, recebemos um fluxo constante de dúvidas de investidores sobre quanto de retorno ainda resta nas ações. Neste relatório, fornecemos informações importantes sobre os impactos das taxas de juros nos financiamentos, hipotecas e valuations, ao mesmo tempo em que revisamos nossas estimativas para todas as construtoras de médio/alto padrão que cobrimos.”

As construtoras com a queda da Selic

O banco de investimentos ressalta, também, que a maior parte dos financiamentos setoriais (financiamento de obras + financiamento imobiliário) é proveniente de cadernetas de poupança, que são remuneradas à taxa fixa de TR + 6% a.a. (se a taxa Selic estiver acima de 8,5% a.a.) ou 70% da taxa Selic (quando a Selic estiver abaixo de 8,5% a.a.).

“Com a taxa Selic agora em 13,75% a.a. (e o mercado espera que alcance ~12% ao final de 2023 e ~9% em ao final de 2024), esperamos que o custo de financiamento permaneça elevado por mais algum tempo”, disse.

E complementou: “além dos custos de captação mais altos, as cadernetas de poupança sofreram saques relevantes desde 2022 (quando a taxa Selic começou a subir) à medida que os investidores mudaram para outros tipos de investimentos.”

Financiamento do setor

A instituição financeira elenca que, consequentemente, o financiamento do setor tem sido escasso, levando os bancos a:

  • aumentar as taxas de hipoteca e
  • tornar-se mais seletivos na originação de hipotecas e no financiamento de novos projetos (seletividade na escolha de famílias e empresas).

“Embora investir em empresas mais alavancadas quando as taxas de juros estão caindo pareça algo óbvio, temos uma opinião diferente. Na verdade, com a maior parte da dívida do setor sendo ‘fixada’, não há muito mais retorno potencial olhando somente para a redução da dívida”, frisou.

Além disso, empresas com menor alavancagem podem:

  • aumentar os lançamentos rapidamente em meio a um cenário macroeconômico melhor; e
  • aumentar os preços de venda, já que normalmente não carregam muito estoque. Desta forma, favorecemos empresas com menor endividamento neste momento.

“As ações podem ser negociadas a ~1,5x P/VP novamente se o cenário positivo se concretizar”, destacou.

E complementou: “Com base em algumas análises, calculamos que as taxas de hipoteca poderiam ser reduzidas em cerca de 150 bps (da atual TR+11,5% a.a.), o que significa que a acessibilidade para as construtoras poderia melhorar muito (as parcelas da hipoteca ficariam ~12% mais baratas). Além disso, em ciclos semelhantes (2012/13 e 2019/20), vimos as ações do setor sendo negociadas a múltiplos P/VP médios de 1,5x (oferecendo mais de 50% de valorização em relação aos níveis atuais).”

Stock picking

Para o BTG, stock picking é fundamental, e o banco tem a Lavvi como referência.

A instituição também elevou a recomendação em Trisul e Mitre para compra, anteriormente em neutro.

“Estamos, portanto, revisando nossas estimativas para as 9 construtoras de médio/alto padrão que cobrimos para incorporar uma perspectiva macro mais favorável”, explicou.

E destacou:

  • “Lavvi é a nossa Top Pick;
  • estamos atualizando Mitre e Trisul para COMPRA (de NEUTRO) com base na melhoria das perspectivas macro; e
  • ainda vemos um upside decente (embora menor) para Cyrela e Eztec”.

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