Home
Notícias
Ações
Carteira Vivendo de Renda: EQI Research mantém composição em setembro

Carteira Vivendo de Renda: EQI Research mantém composição em setembro

Analistas veem dividend yield acima de 11% nos FIIs e mantêm posições em Tesouro e ações

A EQI Research manteve a composição da carteira Vivendo de Renda em setembro, tanto por classes quanto por ativos. A casa mexeu no portfólio Mais Dividendos com Ações no mês, mas a troca envolveu uma empresa que não fazia parte da estratégia de renda.

Renda fixa: prêmio comprime, mas juro real segue alto

Os três títulos públicos que compõem a carteira andaram desde a última publicação, com o Prefixado 2037 na frente. O papel avançou 3,00% no período, seguido pelo IPCA+ 2037, com alta de 2,25%. O IPCA+ 2045 recuou 2,43%.

O movimento acompanhou a compressão dos prêmios exigidos pelos investidores, puxada por uma leitura de inflação mais comportada do que o mercado projetava. Mesmo com o recuo das taxas nominais, a casa não vê o momento como esgotado.

“Os juros ainda estão em níveis historicamente elevados, o que permite ao investidor combinar geração de renda pelos cupons semestrais com potencial de valorização dos títulos caso as condições econômicas melhorem”, afirma João Abdouni, analista da EQI Research.

Nas taxas, o Tesouro IPCA+ 2037 saiu de IPCA + 7,83% para IPCA + 7,51% ao ano. O Prefixado 2037 recuou de 14,36% para 14,23%, enquanto o IPCA+ 2045 passou de IPCA + 7,51% para IPCA + 7,37%.

Publicidade
Publicidade

Para os três perfis de investidor, a recomendação foi de manutenção das posições atuais. “Seguimos observando taxas em patamares bastante elevados e mantemos a convicção quanto ao potencial de retorno da renda fixa ao longo do tempo, com foco na preservação do poder de compra e na geração de retorno real”, diz Abdouni.

FIIs: IFIX reage e VCJR11 puxa a carteira

A queda dos juros futuros também chegou aos fundos imobiliários. Depois de meses difíceis, o IFIX passou a se recuperar no fim de agosto e acumula alta de 2,09% desde o dia 13 daquele mês.

A carteira de FIIs do Vivendo de Renda subiu 1,73% no mesmo intervalo, ligeiramente abaixo do índice de referência. Todos os ativos tiveram desempenho positivo, com exceção de BTLG11 e RBVA11, que ficaram praticamente estáveis.

O destaque ficou com o VCJR11, que somou ao fechamento da curva de juros um evento específico: o fundo está em fase de diligências para ser incorporado ao PCIP11, ao lado de RBRR11 e RPRI11. O Pátria quer concentrar suas carteiras de crédito indexadas ao IPCA em uma plataforma única.

Pelos termos divulgados, o PCIP11 saltaria de um patrimônio líquido de R$ 1,6 bilhão para cerca de R$ 4,5 bilhões. A taxa de aquisição da carteira subiria de IPCA + 9,1% para IPCA + 10,2%, e a taxa de administração cairia de 1,60% para 1,00% ao ano.

“A combinação de carteira maior, taxa de aquisição mais alta e custo de administração menor deve se traduzir em retorno melhor para o cotista. Acompanhamos o processo de perto e devemos migrar a posição para o PCIP11 após a conclusão da operação”, explica João Neves, analista da EQI Research.

Fora da carteira, outro episódio mexeu com o mercado no mês. A queda do TRXF11, somada à exposição de alguns fundos ao Grupo Casas Bahia, fez dos híbridos de tijolo o pior segmento do período.

O estopim foi a reação negativa ao plano de crescimento do TRXF11 via troca de cotas por imóveis, a cap rates considerados baixos diante do risco das operações. A gestora já começou a desfazer parte dos negócios anunciados nas últimas semanas.

“O recado do mercado foi entendido pela gestora, mas o estrago atingiu a classe inteira. Voltaram à mesa os questionamentos sobre alinhamento de interesses entre gestores de FIIs e cotistas, e isso não se resolve com um comunicado”, avalia Neves.

Com a recuperação ainda modesta, as distribuições dos fundos em carteira não sofreram mudança relevante. O bloco segue entregando fluxo de caixa mensal isento de Imposto de Renda para pessoa física, com dividend yield acima de 11%.

Ações: eleição entra no preço e Ibovespa sobe 11,6%

Agosto foi volátil para a bolsa, e o calendário eleitoral passou a pesar sobre os preços. O Ibovespa subiu 11,6% no mês e o índice de dividendos avançou 10,9%, enquanto a carteira de ações que serve de base ao bloco de renda variável do Vivendo de Renda registrou alta de 10,1%.

Entre os papéis, apenas VULC3 fechou o período no negativo. Os demais subiram 12,0% na média, com o mercado precificando maior probabilidade de mudança de governo.

O ganho impressiona mais quando se olha o fluxo. O investimento estrangeiro direto na B3 recuou para R$ 18,3 bilhões, uma saída de cerca de 75% do volume acumulado na máxima do ano, registrada em abril.

“A alta veio com o estrangeiro saindo, não entrando. Quem sustentou o movimento foi o investidor local, com os institucionais na dianteira e um crescimento marginal da pessoa física”, observa João Zanott, analista da EQI Research.

A casa enxerga espaço para a continuidade do movimento, mas evita concentrar apostas na tese eleitoral. “Preferimos manter uma alocação equilibrada, em empresas com forte geração de caixa, estrutura de capital sustentável e negócios resilientes. O critério é o mesmo antes e depois de outubro”, afirma Nícolas Merola, analista da EQI Research.

Pausa nos anúncios de proventos

Depois da retomada expressiva puxada pela temporada de resultados, setembro não trouxe novos anúncios de dividendos entre as companhias da carteira. Os pagamentos, contudo, continuaram pingando na conta do investidor.

  • Petrobras (PETR4): pagou R$ 0,289151 líquidos por ação em JCP, em 20/08/2026.
  • Itaúsa (ITSA4): pagou R$ 0,20955 líquidos por ação em JCP, em 28/08/2026, referentes às declarações de março e junho deste ano.
  • Klabin (KLBN11): pagou R$ 0,2280 por unit em 19/08/2026, mais uma parcela trimestral do dividendo deliberado anualmente.
  • Allos (ALOS3): manteve o pagamento tradicional de R$ 0,29 por provento, com parcela em 02/09/2026.
  • Bradesco (BBDC4): seguiu com as JCP líquidas de R$ 0,017 por ação, pagas em 01/09/2026.