A C&A (CEAB3) lucrou R$ 130 milhões no 2º trimestre de 2026, alta de 4,3% em um ano, e as ações caem 4% em reação ao anúncio, com o mercado voltado ao capital de giro.
A receita líquida consolidada cresceu apenas 1,2%, contida pela descontinuação de eletrônicos e pelo encerramento da Bradescard. Em vestuário, as vendas nas mesmas lojas subiram 4,1%, enquanto fashiontronics recuou 37%.
A margem bruta do varejo alcançou 58,1%, ganho de 1,4 ponto percentual, com vestuário em 59,1% e alta de 0,6 ponto, o vigésimo trimestre consecutivo de expansão. A margem Ebitda ficou em 20,9%, retração de 0,4 ponto.
“Excluindo esses efeitos, as despesas com vendas, gerais e administrativas teriam diluído, e a margem Ebitda ajustada teria apresentado uma leve expansão, em vez da retração reportada”, escreveram Danniela Eiger, Pedro Caravina e Laryssa Sumer, analistas da XP.
Estoques pesam sobre a geração de caixa
O ciclo de caixa aumentou 19 dias em um ano, puxado por uma deterioração de 18 dias nos estoques. A companhia atribuiu o movimento ao fim de eletrônicos, à base de 2025, ao fluxo mais fraco de clientes em junho e à abertura acelerada de lojas.
“A piora nos estoques e a fraqueza nas vendas de junho trazem um risco de revisões baixistas para as estimativas no curto prazo e exigem cautela com o setor de varejo”, apontaram Pedro Pinto e Flávia Meireles, analistas do Bradesco BBI.
Mesmo assim, a alavancagem terminou o trimestre em 0,2 vez a dívida líquida sobre o Ebitda, após R$ 64 milhões em recompras. No C&A Pay, a carteira de até 360 dias avançou 10% e a inadimplência acima de 90 dias recuou 3,7 pontos percentuais, para 13%.
“A divisão de serviços financeiros também apresentou resultados resilientes, surpreendendo positivamente com um lucro de R$ 15,4 milhões, ante nossa estimativa de R$ 6,0 milhões”, calcularam Vitor Pini, Renan Sartorio e Tales Granello, analistas do Safra.
Base de comparação fica mais fácil no 3º trimestre
As vendas online aceleraram para 33% de crescimento anual, com penetração de 7,7% das vendas de mercadorias. A Bradescard deixa a base de comparação a partir do 3º trimestre de 2026, e eletrônicos ainda tem um trimestre de efeito negativo pela frente.
“Vemos as iniciativas por trás do desempenho de vestuário persistindo, enquanto as bases de comparação devem ficar mecanicamente mais fáceis. Mantemos nossa recomendação de compra”, escreveram Eiger, Caravina e Sumer.
“Com as ações negociadas a atrativas 5,5 vezes o lucro de 2026, vemos um ponto de entrada convincente nos níveis atuais”, projetaram os analistas do Safra.






