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Usiminas perde força após disparada das ações em 2026, diz XP

Usiminas perde força após disparada das ações em 2026, diz XP

Medidas antidumping ajudaram ações, mas demanda mais fraca e custos maiores pressionam perspectivas

As ações da Usiminas (USIM5), que tiveram forte valorização nos primeiros meses de 2026, podem enfrentar um ambiente menos favorável nos próximos trimestres, segundo análise da XP. O desempenho positivo dos papéis foi impulsionado principalmente pela melhora das expectativas de lucro da companhia, diante de um cenário mais favorável para os preços do aço no mercado brasileiro após a adoção de medidas antidumping.

A redução das importações permitiu que as siderúrgicas nacionais recuperassem participação de mercado e aumentassem a disciplina de preços. De acordo com a XP, a participação dos produtos importados caiu de aproximadamente 33% da demanda aparente em maio de 2025 para cerca de 20% em junho de 2026, contribuindo para a recuperação das cotações do aço plano.

O movimento ajudou a impulsionar as ações da Usiminas, que chegaram a quase dobrar de valor até meados de maio de 2026. No entanto, desde então, o mercado passou a adotar uma postura mais cautelosa diante de sinais de desaceleração da demanda e de limitações para novos reajustes de preços.

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Três fatores podem limitar a recuperação da siderúrgica

A XP avalia que o cenário positivo observado no início do ano tende a perder intensidade. A casa de análise destaca três principais fatores que podem pressionar a rentabilidade da companhia: demanda mais fraca, efeito limitado de novas medidas antidumping e aumento dos custos de produção.

O primeiro ponto é a desaceleração da demanda por aço. Segundo a XP, as recentes verificações de mercado indicam menor ritmo nos segmentos de distribuição e industriais, afetados pelo ambiente de juros elevados. O setor automotivo segue mais resiliente, apoiado por programas de incentivo ao consumo, mas não deve compensar totalmente a perda de força em outros segmentos.

Em relação às medidas antidumping, a XP afirma que o impacto adicional sobre os preços tende a ser limitado. As importações de bobinas laminadas a quente (HRC) já teriam retornado para níveis históricos, representando cerca de 10% da demanda aparente, enquanto a China perdeu relevância como fornecedora.

Outro fator de preocupação está nos custos. A XP destaca que a perspectiva da Usiminas para o terceiro trimestre de 2026 aponta pressão sobre as margens, principalmente pelo aumento dos custos das placas de aço. A alta dos preços do coque desde abril também pode afetar os resultados do quarto trimestre.

A estimativa da XP é de um EBITDA entre R$ 650 milhões e R$ 660 milhões no terceiro trimestre de 2026, levando as margens da divisão de aço para aproximadamente 10% a 11%, abaixo dos 12,8% registrados no segundo trimestre.

Margens menores podem aumentar pressão sobre as ações

Na avaliação da XP, as ações da Usiminas negociam próximas ao valor considerado justo, com base em um múltiplo preço/lucro (P/L) estimado entre 7 e 7,5 vezes para uma empresa em um cenário de ciclo normalizado.

Apesar disso, a instituição alerta para uma assimetria negativa caso a companhia não consiga implementar novos aumentos de preços e mantenha níveis de rentabilidade mais baixos por um período prolongado.

Segundo a análise, se a margem da divisão de aço permanecer na faixa de 10% a 11% por mais tempo, os papéis poderiam enfrentar um potencial de queda entre 10% e 20%.

Além das questões operacionais, a XP destaca que a geração de caixa deve continuar pressionada pelo elevado volume de investimentos previstos. A companhia tem um ciclo de investimentos superior a R$ 3,5 bilhões, incluindo projetos de modernização das operações de coque, infraestrutura industrial e melhorias de capacidade produtiva.

Preço-alvo permanece em R$ 8,50 por ação

A XP revisou suas estimativas para a Usiminas, considerando preços de aço mais baixos a partir de 2027, uma estrutura de custos mais elevada em 2026 e ajustes nos investimentos esperados. As novas projeções de EBITDA para 2026 e 2027 ficaram 1% e 5% abaixo do consenso de mercado, respectivamente.

Mesmo com as revisões, a casa mantém preço-alvo de R$ 8,50 por ação para 2027, o que representa potencial de valorização de 13% em relação aos preços atuais.

Para a XP, a trajetória da Usiminas nos próximos trimestres dependerá principalmente da capacidade da companhia de repassar preços, controlar custos e preservar margens em um ambiente de demanda mais fraca.