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RD Saúde sobe quase 5% após balanço; entenda a alta

RD Saúde sobe quase 5% após balanço; entenda a alta

Geração de caixa surpreendeu, dívida líquida caiu R$ 1,2 bilhão e margem Ebitda resistiu às pressões dos medicamentos GLP-1

As ações da RD Saúde (RADL3) lideravam as altas do Ibovespa nesta quarta-feira (5), após a divulgação do balanço do segundo trimestre. Às 13h52, os papéis avançavam 4,79%. A liderança do índice já havia sido registrada no fim da manhã, quando a valorização superava 5%.

A reação não decorre de uma grande surpresa no lucro, mas da qualidade geral do resultado. XP (XP), BTG Pactual (BPAC11) e Bradesco BBI destacaram a combinação entre crescimento das vendas, estabilidade das margens, geração de caixa acima do esperado e redução do endividamento.

No balanço do 2T26, a RD Saúde apresentou lucro líquido ajustado de R$ 432,7 milhões, alta anual de 7,4%. O Ebitda ajustado cresceu 17,9%, para R$ 1,02 bilhão, com margem estável em 8%.

A receita bruta avançou 18,3%, para R$ 12,8 bilhões. Os números ficaram próximos das expectativas do BTG e do Bradesco BBI, mas alguns indicadores operacionais e financeiros superaram as projeções.

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Geração de caixa e desalavancagem surpreendem

O principal fator para a alta das ações foi a geração de caixa. A companhia reportou fluxo de caixa livre de R$ 550 milhões, após um resultado negativo no mesmo trimestre de 2025.

O Bradesco BBI utiliza outra métrica e calcula fluxo de caixa livre para o acionista, ou FCFE, de R$ 498 milhões. Embora os dois indicadores tenham metodologias diferentes, ambos apontam uma melhora relevante na conversão dos resultados em caixa.

O desempenho foi favorecido pela redução de 11 dias no ciclo de conversão de caixa, principalmente devido ao aumento do prazo médio de pagamento aos fornecedores.

Somados os recursos recebidos com a venda da 4Bio, a geração total de caixa alcançou R$ 1,19 bilhão. A dívida líquida diminuiu R$ 1,2 bilhão no trimestre, enquanto a alavancagem recuou para 0,8 vez o Ebitda.

“A redução do endividamento diminui a pressão financeira e abre espaço para revisões positivas de lucro”, afirma o Bradesco BBI.

Para o BTG, a geração de caixa também reforça a capacidade da companhia de financiar a abertura de lojas e os investimentos digitais sem comprometer a estrutura financeira.

Vendas crescem acima do reajuste dos medicamentos

A qualidade do crescimento também ajudou a sustentar a reação positiva. As vendas nas mesmas lojas avançaram 12,5%, enquanto as unidades maduras cresceram 10,9%.

O desempenho ficou bastante acima do reajuste de 2,8% autorizado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), indicando que a expansão não dependeu apenas do aumento dos preços.

A participação da RD Saúde no mercado nacional chegou a 19,7%, avanço anual de 1,7 ponto percentual. A empresa ganhou espaço em todas as regiões, inclusive quando desconsideradas as vendas de medicamentos GLP-1.

Os remédios de marca cresceram 24,3%, impulsionados pelos GLP-1. Segundo a XP, os volumes dos novos produtos mais do que compensaram as reduções recentes nos preços médios, aliviando parte das preocupações com uma desaceleração da categoria.

O canal digital também permaneceu entre os principais vetores de expansão. As vendas online aumentaram 52%, para R$ 3,9 bilhões, e passaram a representar 31% da receita do varejo.

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Margens resistem, apesar da pressão dos GLP-1

Os medicamentos GLP-1 possuem margens inferiores às de outras categorias. Além disso, a companhia enfrentou um reajuste menor da CMED e efeitos contábeis relacionados à antecipação de vendas.

Mesmo assim, a margem bruta recuou apenas 0,1 ponto percentual, para 28,9%. A pressão foi compensada por melhores negociações comerciais, menores perdas de estoques e ganhos de eficiência.

A margem Ebitda permaneceu em 8%, sustentada pela diluição das despesas administrativas e pelo crescimento das lojas maduras. O indicador ficou 0,1 ponto percentual acima da projeção do BTG e superou em 0,6 ponto percentual a estimativa da Ativa.

Para a XP, o Ebitda ficou 6% acima de sua projeção, enquanto o lucro líquido ajustado superou a estimativa da casa em 10%. “Os resultados reforçam nossa visão construtiva sobre a RD”, afirmam os analistas Danniela Eiger, Pedro Caravina e Laryssa Sumer.

A XP reiterou a recomendação de compra. O BTG também manteve indicação de compra e preço-alvo de R$ 30, diante dos R$ 19,41 utilizados como referência no relatório.