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Minério de ferro recua com pressão da demanda chinesa, mas Ágora vê recuperação a partir de agosto

Minério de ferro recua com pressão da demanda chinesa, mas Ágora vê recuperação a partir de agosto

Demanda enfraquecida na China, piora das margens das siderúrgicas e aumento da oferta global pressionam o minério de ferro, mas a Ágora acredita em recuperação gradual dos preços a partir de agosto

O minério de ferro voltou a perder força diante do enfraquecimento da atividade industrial na China, enquanto as siderúrgicas enfrentam um ambiente de margens cada vez mais apertadas. Na avaliação da Ágora, embora o cenário de curto prazo siga desafiador, a pressão sobre a commodity deve ser temporária, o que mantém a recomendação de compra para a Vale (VALE3).

Na última semana, o preço de referência do minério com teor de 61% de ferro recuou US$ 2 por tonelada, encerrando o período em US$ 97 por tonelada, refletindo a demanda sazonalmente mais fraca na China, o aperto das margens das usinas de aço e o aumento da oferta global.

Segundo a corretora, a atividade industrial chinesa perdeu força em um período tradicionalmente mais fraco para o consumo, enquanto a recuperação dos embarques de minério do Brasil e da Austrália reforça um cenário de oferta confortável, limitando uma recuperação mais consistente dos preços no curto prazo.

Demanda mais fraca amplia pressão sobre o minério

A desaceleração da produção de aço na China continua sendo o principal fator de pressão para o mercado de minério de ferro. A utilização dos altos-fornos caiu pela terceira semana consecutiva, atingindo 89,2%, o que evidencia uma redução no ritmo de produção das siderúrgicas locais.

Mesmo com menor fabricação de aço, os preços dos produtos siderúrgicos continuaram em queda, indicando que a demanda final enfraqueceu ainda mais rapidamente do que a produção. Esse cenário deteriorou significativamente a rentabilidade das siderúrgicas chinesas, levando as margens do vergalhão ao menor nível desde dezembro de 2025 e as da bobina a quente ao menor patamar dos últimos quatro meses.

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Outro fator que agravou a situação foi a valorização de aproximadamente 13% nos preços do carvão metalúrgico desde o início de maio. O aumento dos custos elevou a pressão sobre as usinas justamente em um momento de menor consumo, reduzindo ainda mais a capacidade das empresas de sustentar preços mais elevados para o aço.

Oferta global permanece robusta e limita recuperação

Enquanto a demanda segue enfraquecida, a oferta internacional continua apresentando sinais de fortalecimento. As exportações de minério de ferro do Brasil e da Austrália registraram recuperação expressiva durante a semana, e a expectativa é de que os embarques permaneçam elevados nos próximos meses, favorecidos pela sazonalidade.

Além do aumento na disponibilidade da commodity, os fretes marítimos também avançaram de forma relevante. As rotas Austrália-China e Brasil-China registraram altas de 14% e 7%, respectivamente. Para a Ágora, esse movimento pode levar alguns produtores a revisarem a oferta caso os preços permaneçam abaixo de US$ 100 por tonelada durante um período prolongado.

Os estoques também reforçam a leitura de um mercado abastecido. As reservas de aço na cadeia chinesa voltaram a crescer, ficando 27% acima do registrado há um ano entre os traders e 10% superiores nas usinas. Já os estoques de minério nas siderúrgicas aumentaram em função da menor produção, enquanto os volumes armazenados nos portos apresentaram apenas uma leve redução.

Ágora aposta em melhora gradual no segundo semestre

Apesar do cenário desafiador no curto prazo, a Ágora avalia que o mercado pode encontrar um ponto de inflexão a partir de agosto. A expectativa é que a retomada sazonal da demanda chinesa contribua para estabilizar os preços do minério de ferro, principalmente se houver uma redução gradual da oferta global no fim do ano, seguindo padrões históricos.

Na avaliação da corretora, os preços atuais já se aproximam de um piso, o que abre espaço para uma recuperação moderada conforme o consumo de aço volte a ganhar força após o período de verão na China. Ainda assim, a instituição ressalta que o ambiente permanece cercado por incertezas enquanto persistirem a fragilidade da demanda e a pressão sobre as margens das siderúrgicas.

No mercado brasileiro, a leitura também continua cautelosa. A demanda doméstica por aço permanece enfraquecida e os estoques seguem elevados, fatores que dificultam novos reajustes de preços pelas siderúrgicas. Diante desse cenário, a Ágora manteve recomendação de compra para a Vale, enquanto segue com recomendação neutra para Gerdau (GGBR4), CSN (CSNA3) e Usiminas (USIM5), refletindo perspectivas distintas para as empresas em meio ao atual ciclo do mercado de minério de ferro.