A prévia operacional da Simpar (SIMH3) para o segundo trimestre de 2026 trouxe um sinal considerado positivo pelo Bradesco BBI: a estratégia de redução do endividamento começa a aparecer de forma mais evidente nos números da companhia. Embora a receita tenha ficado praticamente em linha com as expectativas do mercado, o destaque ficou para a queda da alavancagem, que atingiu o menor nível desde a abertura de capital da empresa.
Segundo o relatório do banco, a Simpar encerrou o trimestre com alavancagem consolidada, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, de 2,8 vezes, ante 3,0 vezes no primeiro trimestre. O indicador representa o menor patamar desde o IPO da holding e reforça o avanço da agenda de desalavancagem adotada pela companhia.
Outro dado destacado pelo Bradesco BBI foi a redução da dívida líquida da holding, que caiu de R$ 2,8 bilhões para R$ 1,4 bilhão no trimestre. De acordo com os analistas, considerando também os recursos provenientes da venda da CS Porto Aratu, a dívida líquida teria recuado para aproximadamente R$ 1 bilhão.
A melhora na estrutura de capital foi impulsionada por uma combinação de fatores, entre eles os ganhos de eficiência operacional, a venda da Ciclus Rio, a conclusão dos aumentos de capital realizados durante o trimestre e a exclusão de ativos já vendidos, como Ciclus Amazônia e CS Porto Aratu, agora classificados como operações descontinuadas.
Além disso, a Simpar recomprou R$ 250 milhões em dívidas ao longo do trimestre, equivalente a 25% da meta anunciada pela companhia de reduzir em R$ 1 bilhão sua dívida bruta. Segundo o Bradesco BBI, essa estratégia tende a contribuir para a redução das despesas financeiras nos próximos períodos.
Receita cresce 9% no trimestre
Na prévia operacional, a Simpar informou receita bruta de R$ 12,389 bilhões no segundo trimestre, crescimento de 10% em relação ao mesmo período de 2025.
A receita líquida totalizou R$ 11,249 bilhões, avanço de 9% na mesma base de comparação, praticamente em linha com as estimativas do Bradesco BBI e do consenso de mercado.
Do total, R$ 9,390 bilhões vieram da prestação de serviços, segmento que cresceu 13% na comparação anual. Já a receita com venda de ativos somou R$ 1,769 bilhão, queda de 13%, enquanto a receita da área de construção alcançou R$ 89 milhões, acima dos R$ 15 milhões registrados no segundo trimestre do ano passado.
Venda de ativos ficou abaixo das projeções
O principal ponto de atenção apontado pelo Bradesco BBI foi o desempenho da venda de ativos, cuja receita ficou 28% abaixo da projeção do banco.
Segundo os analistas, o resultado reflete a revisão das expectativas para as vendas de ativos da Movida e da Vamos. No caso da Movida, houve menor volume de comercialização de veículos seminovos. Já a Vamos foi impactada pelo programa de financiamento subsidiado Move Brasil, que, na avaliação do banco, dificultou as vendas de caminhões usados.
Apesar desse desempenho, o Bradesco BBI avalia que a mensagem da prévia operacional permanece construtiva.
Bradesco BBI mantém recomendação de compra
Na avaliação da instituição financeira, a Simpar segue demonstrando disciplina na gestão do capital, com foco em eficiência operacional, controle dos investimentos, monetização de ativos e redução do endividamento.
Outro indicador citado no relatório mostra que a relação entre Ebitda dos últimos 12 meses e o capex líquido passou de 2,1 vezes no primeiro trimestre para 1,9 vez no segundo, refletindo um ritmo mais moderado de investimentos e maior aproveitamento da base de ativos já existente.
Diante desse cenário, o Bradesco BBI manteve recomendação de compra para as ações da Simpar, com preço-alvo de R$ 24 para o fim de 2026. Segundo o banco, a evolução dos indicadores financeiros reforça a expectativa de continuidade do processo de fortalecimento da estrutura de capital da companhia.
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