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Tartaruga Verde pode fazer a alavancagem da Brava cair para 2x já em 2026

Tartaruga Verde pode fazer a alavancagem da Brava cair para 2x já em 2026

Bradesco BBI estima que o ativo pode “se pagar” antes do fim de 2027, com bom desempenho inicial dos poços e potencial de alta adicional com a entrada de novos projetos em 2026 e 2027

A aquisição de 50% do cluster de Tartaruga Verde e Espadarte pode acelerar a trajetória de desalavancagem da Brava Energia (BRAV3) e ajudar a companhia a reduzir a relação dívida líquida/EBITDA para 2 vezes já em 2026, segundo análise do Bradesco BBI.

Após a reação negativa inicial do mercado ao anúncio do negócio, as ações voltaram a ganhar tração e acumulavam alta de 2,23% nos últimos cinco dias, cotadas a R$ 17,86 nesta quarta-feira (21), por volta das 10h27. O movimento ocorre após o papel ter caído 5,05% na sexta-feira (16), dia em que a transação foi anunciada, e ter voltado a operar em baixa na segunda-feira (19).

Variação das ações da Brava Energia nos últimos 5 dias
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BRAV3 volta a subir após tombo inicial com anúncio do negócio

O anúncio da compra do ativo, feito na última sexta-feira (16), foi recebido com cautela por parte do mercado e pressionou os papéis da Brava no curto prazo. A leitura de investidores naquele momento foi a de que a operação poderia representar um movimento “fora do roteiro”, em um contexto no qual circulavam expectativas de desinvestimentos e reforço de caixa.

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Nos pregões seguintes, no entanto, BRAV3 passou a mostrar um comportamento mais volátil, mas com viés de recuperação — movimento que pode ser observado no desempenho acumulado dos últimos cinco dias, em que o papel voltou a se aproximar da faixa dos R$ 18.

“Embora à primeira vista possa soar pouco convencional utilizar uma aquisição como ferramenta para acelerar a desalavancagem, o movimento faz sentido quando o ativo adquirido acrescenta geração relevante de EBITDA e fluxo de caixa a um valuation atraente”, afirmou o Bradesco BBI, em relatório.

Por que o Bradesco BBI vê a compra como um atalho para desalavancagem

Na avaliação do Bradesco BBI, o racional por trás do negócio está justamente no perfil do ativo adquirido. Apesar de aquisições normalmente serem associadas a aumento de alavancagem, o banco argumenta que o efeito pode ser o oposto quando o ativo acrescenta geração relevante de caixa e foi comprado a um valuation considerado atrativo.

No modelo da instituição, considerando a cotação do Brent em US$ 60 por barril, a alavancagem da Brava pode recuar para 2 vezes ao final de 2026 e para 1,1 vez em 2027, já incorporando o impacto da transação. No cenário pré-negócio, as projeções indicavam 2,4 vezes em 2026 e 1,5 vez em 2027.

“Considerando a cotação do petróleo Brent a US$ 60/barril, as projeções indicam que a alavancagem da Brava deve recuar para 2x ao final de 2026 e 1,1x em 2027, já incorporando a aquisição”, disse o Bradesco BBI.

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O custo “real” pode ser menor do que os US$ 450 milhões anunciados

Outro ponto destacado pelo Bradesco BBI é que o desembolso total de caixa pode ser significativamente menor do que o valor divulgado inicialmente pela companhia. Embora a Brava tenha anunciado a operação por US$ 450 milhões, o banco estima que o valor ajustado, após os efeitos previstos em contrato, fique em US$ 270 milhões.

A diferença é relevante porque reduz o peso da compra no caixa da companhia e reforça o argumento de que o negócio pode ser “autofinanciado” com o tempo, à medida que o ativo contribua com geração de fluxo.

“Estimamos o desembolso total de caixa, após ajustes, em US$ 270 milhões, significativamente inferior aos US$ 450 milhões anunciados”, escreveu o Bradesco BBI.

Ainda segundo a análise, o impacto total estimado no fluxo de caixa livre ao acionista (FCFE) seria de US$ 127 milhões em 2026, o que sugere que a operação tende a se pagar antes do fim de 2027.

Tartaruga Verde pode criar valor de aproximadamente 20% para o acionista, diz análise

Além do efeito sobre a alavancagem, o Bradesco BBI também enxerga criação de valor para o acionista com a aquisição. No modelo do banco, o complexo de Tartaruga Verde — que inclui os campos de Tartaruga Verde e Espadarte — é avaliado em um valor presente líquido (VPL) de US$ 600 milhões.

Esse valuation implicaria uma criação de valor de aproximadamente R$ 3,80 por ação, o equivalente a cerca de 20% do valor de mercado atual da Brava, segundo o relatório.

“Avaliamos o complexo Tartaruga Verde em um VPL de US$ 600 milhões, o que implica criação de valor de aproximadamente R$ 3,80 por ação”, afirmou o Bradesco BBI.

Com base nessa leitura, o banco manteve recomendação de Compra para BRAV3, com preço-alvo de R$ 24, o que representa um potencial de valorização de 36% em relação aos níveis atuais.

Produção acima do padrão do pós-sal reforça a tese, mas riscos seguem no radar

O Bradesco BBI também chama atenção para sinais positivos no desempenho inicial do ativo. Dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), citados no relatório, apontam que os poços têm registrado produção acima da faixa típica do pós-sal, entre 5 mil e 8 mil barris por dia por poço.

A análise ainda destaca que pode haver potencial de alta adicional à medida que novos poços previstos para entrar em operação em 2026 e 2027 comecem a produzir, o que pode ampliar a geração de caixa e fortalecer o racional financeiro do negócio.

“Dados da ANP apontam bom desempenho inicial dos poços, com produção acima da faixa típica do pós-sal, entre 5 mil e 8 mil barris/dia por poço”, disse o Bradesco BBI.

Apesar do tom construtivo, o banco ressalta que existem riscos relevantes a serem monitorados, sobretudo ligados a desafios técnicos, à sensibilidade do projeto a preços mais baixos de petróleo e à possibilidade de uma produção aquém do esperado.

O “detalhe Petrobras” que pode pesar para a Brava

Um dos pontos de atenção levantados pelo Bradesco BBI está ligado ao controle operacional do ativo. Apesar de a Brava ter adquirido 50% de participação no cluster, a operação seguirá sob responsabilidade da Petrobras (PETR4) — e não da companhia.

Na leitura do banco, isso pode implicar menor prioridade na alocação de recursos, um fator que tende a ser pouco material para a Petrobras, mas que pode ter impacto relevante para a Brava caso influencie o desempenho operacional e financeiro do ativo ao longo do tempo.

“Destacamos que a operação do ativo ficará sob responsabilidade da Petrobras, e não da Brava, o que pode implicar menor prioridade na alocação de recursos”, afirmou o Bradesco BBI.

BTG e Genial também viram méritos na compra — apesar do tombo inicial

A avaliação do Bradesco BBI se soma ao tom construtivo já observado em análises anteriores de outras casas, como BTG Pactual e Genial Investimentos, que também enxergaram pontos positivos no racional econômico da compra, apesar da reação negativa do mercado no momento do anúncio.

Na ocasião, as ações chegaram a cair com força, refletindo dúvidas sobre o “timing” da operação e a mudança de expectativa em relação ao que parte do mercado vinha precificando para a estratégia de capital da companhia.