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Brava reforça seu novo DNA em compra de campo da Petrobras

Brava reforça seu novo DNA em compra de campo da Petrobras

O acordo envolve a compra da fatia atualmente detida pela Petrobras nos ativos localizados na Bacia de Campos, no estado do Rio de Janeiro

A Brava Energia (BRAV3) anunciou a aquisição de 50% de participação nos campos de Tartaruga Verde e no Módulo III de Espadarte, em uma operação avaliada em US$ 450 milhões, movimento que surpreendeu o mercado diante do atual nível de alavancagem da companhia. Segundo relatório da Ágora, apesar da reação inicial de cautela, a avaliação é positiva, com a operação apresentando méritos estratégicos e financeiros relevantes. A oferta parece refletir o DNA de uma nova e ousada gestão que não está limitada pelo balanço da empresa.

O acordo envolve a compra da fatia atualmente detida pela Petrobras (PETR3; PETR4) nos ativos localizados na Bacia de Campos, no estado do Rio de Janeiro. O pagamento será feito em etapas: US$ 50 milhões na assinatura do contrato, US$ 350 milhões no fechamento da transação — sujeito a ajustes relacionados à geração de caixa até a data efetiva de 1º de julho de 2025 — e duas parcelas diferidas de US$ 25 milhões cada, a serem quitadas 12 e 24 meses após o fechamento. A conclusão do negócio ainda depende das aprovações do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

De acordo com relatório da Ágora, a aquisição chama atenção por ir na contramão da expectativa de que a Brava estaria mais focada na venda de ativos do que em novas compras. Ainda assim, o relatório destaca que o valuation da transação é considerado justo, com múltiplo estimado de 1,4 vez EV/EBITDA, segundo projeções do Bradesco BBI. Mesmo após a conclusão do negócio, a alavancagem da empresa não deve aumentar mais do que 0,4 vez o EBITDA, considerando um preço do petróleo de US$ 60 por barril.

Brava Energia: forte geração de caixa

Outro ponto ressaltado é a forte geração de caixa do ativo. A expectativa é que os campos adquiridos gerem entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões por ano em caixa, a um Brent de US$ 60, valor significativamente superior ao desembolso inicial. Com isso, a Brava deve acelerar seu processo de desalavancagem, em linha com sua estratégia financeira. A Ágora estima que a aquisição poderá adicionar cerca de R$ 1,80 por ação ao fluxo de caixa operacional em 2027.

Embora a relação dívida líquida/EBITDA ao final de 2026 deva permanecer próxima de 1,8 a 2,0 vezes, a projeção é de queda relevante da alavancagem no médio prazo. Para o final de 2027, o indicador pós-negócio é estimado entre 1,0 e 1,2 vez, abaixo do intervalo de 1,5 a 1,7 vez esperado sem a aquisição, assumindo preços do petróleo de US$ 63 em 2026 e US$ 65 em 2027.

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O relatório também aponta que a operação reflete o perfil de uma gestão mais ousada, disposta a aproveitar um ambiente de preços de petróleo pressionados, que tende a favorecer compradores. Segundo a Ágora, aquisições bem executadas nesse tipo de cenário costumam acelerar a desalavancagem por meio do crescimento do fluxo de caixa.

Do ponto de vista estratégico, a transação contribui para a diversificação da base de ativos da Brava. Atualmente, cerca de um terço da produção da companhia está concentrada no campo de Atlanta. Com a incorporação de Tartaruga Verde e Espadarte, essa participação deve recuar para aproximadamente 25%, reduzindo a concentração operacional.

A Ágora também destaca a postura conservadora da administração em relação à proteção de preços. A empresa acelerou sua estratégia de hedge para 2026, com cerca de 75% da produção do primeiro semestre protegida a aproximadamente US$ 63 por barril, o que reduz o risco de pressão adicional sobre o balanço em um cenário de queda mais acentuada do petróleo.

Principais riscos

Entre os principais riscos do negócio estão uma queda estrutural dos preços do petróleo além do período coberto pelos hedges e eventuais desafios operacionais. Ainda assim, o relatório ressalta que a Petrobras, operadora dos campos, é reconhecida como uma operadora de alta qualidade em ativos offshore no Brasil. A estatal, no entanto, possui direito de preferência na licitação de Tartaruga Verde e poderá exercê-lo em até 60 dias, o que poderia cancelar o acordo com a Brava.

Por fim, a Ágora observa que o mercado pode questionar a ausência de uma proposta da PRIO pelo ativo. Na avaliação dos analistas, a explicação pode estar no perfil da empresa, que tende a priorizar ativos nos quais possa assumir rapidamente a operação, o que pode não ter sido o caso nesta transação.

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