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Como reduzir o risco do seu portfólio em crises e guerras?

Como reduzir o risco do seu portfólio em crises e guerras?

Estrategista da Raymond James alerta que períodos de alta criam falsa sensação de segurança e induzem ao excesso de risco

O Ibovespa decolou quase 20% em 2026 até que, não mais do que de repente, uma nova guerra eclodiu entre Israel/EUA contra o Irã. Os preços do petróleo saltaram e até o ouro, ativo que também estava surfando um bull market, caiu. O índice brasileiro não passou ileso e terminou esta terça-feira (3) com queda de 3,3%.

A cena é familiar para quem acompanha mercados há tempo: uma carteira que parecia blindada revela suas fragilidades no exato momento em que (quase) ninguém esperava. E é justamente aí que entra a pergunta mais importante para qualquer investidor — não “o que fazer agora?”, mas “por que não me preparei antes?

Doug Drabik, estrategista sênior da Raymond James, tem uma resposta precisa para essa pergunta. Em análise recente, ele retoma o conceito do que chamou de “tempestade financeira” — o momento em que o mercado vira contra o portfólio do investidor. O problema, segundo Drabik, começa muito antes da tempestade chegar.

Falsa sensação de segurança

“Os investidores podem se sentir encorajados quando seu patrimônio em papel cresceu, e isso pode servir de justificativa para assumir níveis mais altos de risco”, alerta o estrategista em um relatório enviado a clientes. Em outras palavras: a euforia dos mercados em alta cria uma falsa sensação de segurança que leva à exposição excessiva a ativos voláteis.

O ciclo emocional dos investimentos, quando desalinhado do ciclo econômico, costuma ter um desfecho previsível e doloroso.

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“A tendência é ignorar os sinais ou estar mal preparado para o impacto”, diz Drabik. O resultado é que o investidor acaba vendendo ativos de risco no pior momento possível — exatamente quando os preços estão no fundo.

O cenário atual é um exemplo concreto do que o estrategista descreve.

“Riscos geopolíticos podem surgir da noite para o dia, como estamos vivendo com a ação militar dos EUA no Irã”, observa Drabik.

O Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo e gás transportado por mar no mundo, está essencialmente bloqueado. O impacto sobre os preços do petróleo e os mercados de ações já é visível.

O que fazer?

A orientação do estrategista, no entanto, não é de pânico.

“Eventos isolados não são tipicamente razões para mudar planos estratégicos de investimento de longo prazo”, pondera Drabik. O que a guerra no Oriente Médio deve fazer, na visão dele, é funcionar como um alerta: “isso serve como uma verificação da realidade sobre por que é tão importante estar financeiramente preparado para enfrentar tempestades imprevisíveis.”

A lição, no fundo, é antiga e simples — mas raramente seguida quando os mercados estão em festa: diversifique antes que a tempestade chegue, não durante ela.