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Brava cai após compra de Tartaruga Verde e Espadarte, mas BTG e Genial veem negócio positivo

Brava cai após compra de Tartaruga Verde e Espadarte, mas BTG e Genial veem negócio positivo

O papel recuou após o anúncio da aquisição de 50% do cluster na Bacia de Campos, operado pela Petrobras. BTG estima que o negócio pode gerar valor e reforçar o caixa da companhia, enquanto a Genial vê termos “interessantes”, mas mantém cautela

O mercado reagiu mal ao anúncio da Brava Energia (BRAV3) sobre a aquisição de uma fatia nos campos de Tartaruga Verde e Espadarte, na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro, e derrubou as ações da companhia logo após a divulgação do negócio.

Na sexta-feira (16), dia em que a transação foi anunciada, os papéis recuaram 5,05%. Nesta segunda-feira (19), a pressão vendedora voltou a aparecer: por volta das 11h20, BRAV3 caía 2,34%, cotada a R$ 16,70, apesar de ter começado o pregão em alta e alcançado a máxima diária de R$ 17,27.

Ainda assim, na avaliação de BTG Pactual (BPAC11) e Genial Investimentos, os termos preliminares divulgados sugerem que a compra pode ser positiva para a Brava no médio prazo, principalmente pelo perfil gerador de caixa do ativo e pelo desenho de pagamento diferido.

“Apesar de inesperada, já que a administração vinha sinalizando a intenção de vender ativos, vemos a aquisição com bons olhos”, escreveu o BTG Pactual, em relatório.

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O que a Brava comprou e quanto vai pagar

A Brava anunciou a aquisição de 50% de participação no Campo de Tartaruga Verde (concessão BM-C-36) e no Módulo III do campo de Espadarte, ativos localizados na Bacia de Campos, no litoral do Rio de Janeiro.

O valor total da transação é de US$ 450 milhões, com pagamento escalonado:

  • US$ 50 milhões pagos na assinatura do contrato;
  • US$ 350 milhões a serem pagos no fechamento da transação;
  • duas parcelas diferidas de US$ 25 milhões cada, pagas em 12 e 24 meses após o fechamento.

O cluster é operado pela Petrobras (PETR4) e produz por meio do FPSO Cidade de Campos de Goytacazes, unidade afretada e operada pela MODEC. 117405

Além disso, o BTG chama atenção para o fato de que a operação foi “retrodatada” para julho de 2025, o que pode reduzir o desembolso efetivo da Brava, a depender dos ajustes previstos no contrato.

“A transação é retrodatada (julho de 2025), o que nos leva a estimar um desembolso total de US$ 308 milhões pela Brava”, afirmou o BTG Pactual.

Por que o mercado puniu BRAV3 após o anúncio

A queda das ações após o anúncio indica que parte do mercado interpretou a compra como um movimento “fora do roteiro” que vinha sendo precificado para a companhia.

Na leitura da Genial, a boa performance recente de BRAV3 estaria associada a rumores de desinvestimentos, especialmente envolvendo a possibilidade de venda de ativos para a Ecopetrol — um caminho que, na visão do mercado, poderia acelerar a desalavancagem e destravar valor para os acionistas.

Com o anúncio de uma aquisição relevante em vez de um desinvestimento, o investidor tende a reavaliar o equilíbrio entre:

  • alocação de capital no curto prazo;
  • trajetória de alavancagem;
  • timing de geração de caixa;
  • e riscos de execução e governança em ativos operados por terceiros.

Outro ponto de atenção é o direito de preferência da Petrobras, que, por ser a operadora do cluster, pode optar por exercer a preempção.

“A Petrobras, como operadora do cluster, tem 60 dias para exercer o direito de preferência”, destacou o BTG.

O que BTG e Genial enxergam de positivo na compra

Apesar da reação negativa do mercado, BTG e Genial avaliam que os termos anunciados podem ser favoráveis para a Brava, sobretudo pelo potencial de geração de caixa do ativo e pelo valuation implícito da transação.

BTG: negócio pode gerar valor e reforçar o caixa

O BTG estima que a aquisição seja positiva sob duas óticas principais:

  1. criação de valor (NPV)
  2. múltiplo de compra (EV/boe)

O banco calcula que o negócio pode adicionar US$ 171 milhões em valor presente líquido (NPV) aos acionistas, o equivalente a aproximadamente R$ 2,0 por ação. 117405

“Nosso diagnóstico inicial indica que a aquisição é positiva do ponto de vista de valor presente líquido e também do múltiplo por barril recuperável”, afirmou o BTG. 117405

Outro ponto citado pelo BTG é que o cluster adiciona ao portfólio da Brava um óleo de qualidade superior à média atual da empresa. Segundo o banco, Tartaruga Verde produz um óleo de cerca de 27° API — acima de campos relevantes da companhia, como Atlanta e Papa-Terra — o que pode reduzir o desconto em relação ao Brent.

Genial: termos são interessantes, mas recomendação segue em “manter”

A Genial também avalia que o desenho financeiro do negócio é atrativo, principalmente pelo pagamento diferido e pelo perfil gerador de caixa do ativo.

Na leitura da casa, mesmo que o anúncio tenha ido “na direção contrária” do que vinha sendo especulado, os números preliminares parecem interessantes e a aquisição tende a gerar valor à empresa, apesar da reação negativa do mercado.

Ainda assim, a Genial mantém recomendação de MANTER, por entender que há alternativas mais atrativas no setor no curto prazo e com gatilhos de valor mais claros.

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O que acompanhar agora: preferência da Petrobras, reservas e produção

Após a reação inicial do mercado, os próximos passos devem concentrar a atenção dos investidores em três frentes:

1) Direito de preferência da Petrobras

Como operadora do ativo, a Petrobras pode exercer a preempção, o que adiciona incerteza ao desfecho da transação e tende a manter BRAV3 volátil no curto prazo.

2) Curva de produção e normalização operacional

O BTG aponta que o cluster produziu 48,6 mil barris por dia em novembro de 2025, com 33,8 mil barris/dia vindos de Tartaruga Verde e 14,7 mil barris/dia de Espadarte. 117405

O banco também menciona que alguns poços operavam com produção reduzida e que a administração espera normalização até o fim do primeiro trimestre, o que poderia destravar um nível mais alto de produção. 117405

3) Impacto em alavancagem e geração de caixa

Do lado financeiro, o BTG avalia que a aquisição deve ter impacto limitado na alavancagem e que o ativo pode contribuir com geração de caixa mais robusta ao longo do tempo.

“Esperamos que a alavancagem da Brava permaneça em 1,8 vez dívida líquida/EBITDA após a aquisição”, escreveu o banco.

Mesmo com o tombo das ações no pregão, BTG e Genial reforçam que o mercado pode estar reagindo mais ao “timing” e ao contraste com a expectativa de desinvestimentos do que, necessariamente, ao racional econômico da transação.

Se a tese de geração de caixa se confirmar e o processo seguir sem ruídos, a compra pode se consolidar como um passo relevante para reforçar o portfólio e o valor da Brava no médio prazo.