A Brava Energia (BRAV3) reportou Ebitda ajustado de R$ 1,8 bilhão no 2º trimestre de 2026, 2% acima da estimativa da XP Investimentos e 9% superior ao trimestre anterior. O lucro líquido ficou em R$ 871 milhões, favorecido por ganhos de marcação a mercado nos hedges de óleo.
Preços realizados mais altos de óleo e gás, em alta de 23% e 10% na comparação trimestral, sustentaram o resultado operacional, ao lado de spreads mais fortes de derivados. Na direção contrária pesaram o imposto sobre as exportações de petróleo e o avanço do custo de extração.
No mesmo dia, a Ecopetrol arrematou 116,1 milhões de papéis no leilão da oferta pública de aquisição de ações (OPA), cerca de 25% do capital, a R$ 23 por ação. A operação, de R$ 2,67 bilhões, eleva a estatal colombiana a 51% da Brava e lhe dá o controle. A liquidação financeira está prevista para 17 de agosto.
Sem a âncora da oferta
“Esperamos que as ações da Brava negociem em baixa nos próximos pregões, uma vez que o mercado ainda não refletiu a perda da opcionalidade da OPA”, escreveram Regis Cardoso e Enzo Sozzi, da XP Investimentos.
Até o leilão, o papel encontrava sustentação na chance de o investidor vender a R$ 23, bem acima do preço de tela, ainda que sujeito a rateio. BRAV3 fechou a quarta-feira em alta de cerca de 3%, a R$ 19,45.
“A aquisição da Brava proporcionará uma oportunidade de crescimento em múltiplas plataformas, além de aumentar a exposição a ativos offshore”, apontaram os analistas.
Custos e hedge no radar
O lifting cost consolidado, custo de extração por barril sem arrendamentos, subiu 15% no trimestre, para US$ 16,3 por barril de óleo equivalente. O offshore respondeu pela alta, com energia mais cara em Papa-Terra e repasses de períodos anteriores em Parque das Conchas. A dívida líquida ficou em US$ 1,63 bilhão, com alavancagem de 1,97 vez.
“A geração de caixa permaneceu pressionada pelos hedges e pelo capex elevado”, destacou Regis Cardoso.
A produção líquida média alcançou 81,7 mil barris de óleo equivalente por dia no trimestre, avanço de 7,5%. Em julho, recuou para 82,6 mil, com Papa-Terra e Parque das Conchas puxando a queda ante junho. A posição de hedge para os doze meses seguintes caiu de 15,9 milhões para 11 milhões de barris.
“Embora o book de hedges tenha sido reduzido de forma relevante, ele continua limitando a exposição da Brava aos preços mais altos do Brent no curto prazo”, concluíram Cardoso e Sozzi.






