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Boa Safra: dados do 1ºTRI não trazem catalisadores positivos

Boa Safra: dados do 1ºTRI não trazem catalisadores positivos

O foco dos investidores esteve concentrado principalmente na evolução da carteira de pedidos

A Boa Safra (SOJA3) apresentou números do primeiro trimestre de 2026 sem grandes catalisadores positivos para o mercado, em um período tradicionalmente marcado por baixa visibilidade devido à sazonalidade do negócio. O foco dos investidores esteve concentrado principalmente na evolução da carteira de pedidos, na expectativa de produção de sementes e na dinâmica de geração de caixa, pontos considerados fundamentais para projetar o desempenho da companhia ao longo do ano.

Em relatório divulgado após os resultados, a XP avaliou que os dados apresentados pela empresa vieram pouco encorajadores. Segundo os analistas, o crescimento do backlog foi modesto, avançando 4,6% na comparação anual, movimento que já era parcialmente esperado diante do atraso nas decisões de compra por parte dos produtores rurais.

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A instituição também destacou que o consumo de caixa ficou acima das expectativas, ainda que em linha com a dinâmica sazonal típica do capital de giro da companhia. Outro ponto levantado foi a limitação das informações divulgadas pela administração sobre a capacidade de produção de sementes, aspecto que, na visão do mercado, reduz a visibilidade sobre os resultados futuros e segue como uma das principais críticas ao case de investimento da empresa.

Pressão adicional

Além dos números operacionais, o trimestre trouxe um fator adicional de pressão sobre a percepção dos investidores. A Boa Safra desconsolidou o fundo SNAG11, movimento que elevou a alavancagem reportada da companhia. Com isso, a dívida líquida incluindo arrendamentos subiu para aproximadamente R$ 900 milhões, avanço de R$ 508 milhões em relação ao trimestre anterior.

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Como consequência, a alavancagem atingiu 6,1 vezes a relação dívida líquida/Ebitda. Apesar disso, os analistas ponderam que parte relevante do mercado já vinha ajustando esse efeito em seus cálculos internos de dívida líquida, reduzindo parcialmente o impacto da surpresa.

A XP também afirmou não enxergar preocupação imediata com liquidez, uma vez que a maior parte do endividamento da companhia está concentrada no longo prazo. Além disso, a instituição ressaltou que o aumento da alavancagem também reflete parcialmente resultados mais fracos no acumulado dos últimos 12 meses.

Ainda assim, o relatório aponta que a divulgação do novo patamar de alavancagem reportada pode pressionar negativamente o desempenho das ações da Boa Safra no pregão seguinte, em meio às dúvidas do mercado sobre a capacidade de recuperação operacional da companhia ao longo de 2026.