As ações do Banrisul (BRSR6) operam em alta de cerca de 1% nesta quinta-feira (14), mesmo após um resultado fraco no primeiro trimestre de 2026 e a manutenção da recomendação de venda pelo BTG Pactual.
O banco gaúcho registrou lucro líquido de R$ 221 milhões no período, com retorno sobre patrimônio (ROE) de apenas 7,9% — queda de 66% em relação ao 4T25 e de 8% na comparação anual. O número veio 5% acima das estimativas revisadas do BTG, mas 10% abaixo do consenso de mercado.
“Embora o papel tenha recuado 23% desde o nosso downgrade e acreditemos que grande parte da correção de valuation já ocorreu, permanecemos cautelosos dada a ainda fraca capacidade de geração de lucros“, afirmam os analistas Ricardo Buchpiguel, Eduardo Rosman e Antonio Pascale.
Carteira desacelera e receitas decepcionam
A carteira de crédito recuou 1% no trimestre e ficou estável na comparação anual, 1% abaixo das estimativas do BTG, com quedas sequenciais em praticamente todas as linhas — exceto empréstimos não consignados para pessoas físicas, que avançaram 2%.
A margem financeira líquida (NII), incluindo recuperações, cresceu 3% no trimestre para R$ 1,8 bilhão, ligeiramente acima das projeções, sustentada por reprecificação e custos de funding mais baixos. Já as receitas de serviços vieram 6% abaixo do esperado, estáveis na comparação anual, pressionadas por menores tarifas em pagamentos e consórcio.
“Quase 30% das receitas de serviços vêm de tarifas de conta corrente, uma linha que acreditamos deva seguir tendência de queda”, alertam os analistas.
Inadimplência piora mais que o esperado
A qualidade dos ativos foi a principal fonte de decepção. As provisões para devedores duvidosos vieram 6% acima das estimativas do BTG, e o índice de inadimplência acima de 90 dias avançou mais de 60 pontos-base no trimestre e 220 pontos-base na comparação anual, chegando a 4,8%.
Os empréstimos classificados no Estágio 3 subiram 11% no período, representando 6,9% da carteira.
“Vimos deterioração da qualidade de crédito em diversas linhas de pessoas físicas e empresas, em magnitude superior ao que havíamos projetado, com provisões cobrindo cerca de 85% da formação de inadimplência”, destacam Buchpiguel, Rosman e Pascale.
O índice de cobertura para NPLs acima de 90 dias caiu quase 10 pontos percentuais no trimestre, para 145%.
Riscos à frente e contrato gaúcho como incerteza
Apesar da correção de 23% desde o downgrade — com o papel negociando a aproximadamente 0,55x o valor patrimonial —, o BTG mantém a recomendação de venda. O banco ainda enfrenta incertezas relevantes, incluindo a normalização dos NPLs no portfólio de agronegócio após o vencimento dos períodos de carência.
Além disso, o Banrisul anunciou recentemente o início das negociações para renovação do contrato de consignado do estado do Rio Grande do Sul, tema que o BTG enxerga como mais um fator de pressão.
“Assumindo um pagamento imediato de R$ 1,3 bilhão — referência do contrato anterior, firmado há cerca de 10 anos —, estimamos uma pressão de quase 3% no NII e de 9% no lucro líquido deste ano”, calculam os analistas, que projetam ROE de aproximadamente 10% para o Banrisul em 2026, ainda considerado insuficiente para justificar uma reversão de postura.






