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TOPP11 enfrenta pressão nos dividendos após reestruturação de dívida, aponta BB

TOPP11 enfrenta pressão nos dividendos após reestruturação de dívida, aponta BB

FII de lajes corporativas vê rendimento pressionado após emissão de CRI, enquanto cenário de juros altos dificulta novas captações

O TOPP11 enfrenta um momento de maior complexidade financeira após a deterioração do cenário macroeconômico comprometer os planos de expansão desenhados no IPO realizado em 2024. Apesar de deter ativos considerados premium na região da Faria Lima, em São Paulo, o fundo passou a conviver com pressão sobre os dividendos após a reestruturação de sua dívida, segundo análise do Banco do Brasil.

De acordo com os analistas do BB, o TOPP11 foi estruturado com o objetivo de combinar valorização patrimonial e geração de renda por meio da aquisição de imóveis corporativos de alta qualidade. O IPO do fundo, realizado em agosto de 2024, previa uma oferta primária de R$ 675 milhões destinada à compra dos edifícios Platinum e Metropolitan, dois ativos corporativos localizados na Faria Lima, considerada uma das regiões mais resilientes do mercado de escritórios brasileiro.

A aquisição foi concluída por R$ 618 milhões, equivalente a cerca de R$ 48,5 mil por metro quadrado, com cap rate de 7,2%. “A transação foi realizada praticamente em linha com outras negociações de ativos premium da região”, destacam os analistas no relatório.

Apesar disso, o mercado reagiu de forma mais cautelosa à operação. Segundo o BB, embora os imóveis fossem avaliados em aproximadamente R$ 603 milhões, o fundo que detinha os ativos anteriormente negociava no mercado secundário em torno de R$ 516 milhões. “Essa dinâmica de preço acabou limitando as captações via oferta”, afirmam os analistas.

Ao final da oferta, o TOPP11 levantou R$ 452 milhões, cerca de R$ 166 milhões abaixo da meta inicial. Ainda assim, a estrutura parcelada da aquisição permitiu ao fundo manter uma distribuição de rendimentos considerada atrativa em um primeiro momento.

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Enquanto os pagamentos finais pelos imóveis não eram realizados, o caixa remanescente era aplicado em taxas de juros elevadas, o que ajudou a sustentar dividendos lineares de R$ 0,84 por cota. “O fundo conseguiu entregar dividendos bastante atrativos nesse período”, aponta o relatório.

TOPP11 sofre impacto de juros altos e alavancagem

O plano original da gestora previa uma nova emissão de cotas à medida que o cenário macroeconômico melhorasse e o valor de mercado do fundo se aproximasse do valor patrimonial. A estratégia tinha como objetivo ampliar o portfólio e quitar a parcela final das aquisições realizadas no IPO.

No entanto, o ambiente de juros elevados e maior aversão ao risco inviabilizou novas captações. Como alternativa, o fundo optou por uma reestruturação financeira por meio da emissão de um CRI com custo de IPCA + 8,9% ao ano e vencimento em cinco anos.

Segundo o BB, a mudança passou a pressionar diretamente os resultados do fundo. Sem o efeito positivo das receitas financeiras provenientes do caixa aplicado e com despesas financeiras mais elevadas, a gestão passou a projetar dividendos próximos de R$ 0,45 por cota nos próximos meses.

Para os analistas, o novo patamar de distribuição coloca o dividend yield do TOPP11 em cerca de 8,3% ao ano, abaixo da média do segmento de lajes corporativas, embora ainda compatível com fundos que possuem ativos considerados premium.

“A incerteza sobre o ciclo de cortes de juros e o impacto das dívidas no resultado devem adicionar uma camada de complexidade ao FII e limitar uma valorização no curto prazo”, destacam os analistas do Banco do Brasil.

Apesar dos desafios, o relatório ressalta pontos positivos do fundo, como a qualidade técnica dos imóveis, a localização estratégica e a vacância praticamente zerada. Por outro lado, a concentração em apenas dois ativos e o nível relativamente elevado de endividamento seguem como fatores de atenção para os investidores.