As ações do Banco Pine (PINE4) operam em queda de cerca de 7% nesta quarta-feira (12), mesmo após o banco apresentar um resultado considerado em linha com as expectativas da XP. O principal ponto de atenção para os investidores está na qualidade da carteira de crédito: embora o lucro tenha acelerado fortemente, indicadores de inadimplência e risco começaram a mostrar deterioração.
O lucro líquido recorrente do Pine alcançou R$ 165,7 milhões no trimestre, alta de 10,5% sobre o período anterior e de expressivos 99,6% na comparação anual. O resultado ficou apenas 1% acima da estimativa da XP.
O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) permaneceu elevado, em 37,5%, sustentado pelo forte crescimento da carteira de crédito, melhora do mix de produtos, expansão das margens financeiras e maior alavancagem operacional.
Crédito consignado puxa crescimento
Segundo a XP, o principal motor da expansão do Banco Pine continua sendo a operação de crédito com garantia voltada ao varejo, especialmente o crédito consignado.
A instituição também vem ampliando a geração de receitas de tarifas e o chamado cross-selling, estratégia de venda de produtos adicionais aos clientes, o que começa a diversificar as fontes de receita do banco.
O avanço dos negócios de maior rentabilidade ajuda a explicar a forte expansão do lucro e a manutenção do ROAE em patamar elevado.
Qualidade da carteira vira principal preocupação
Apesar do desempenho financeiro positivo, a XP afirma que o principal debate entre os investidores deve continuar concentrado na qualidade dos ativos.
Os níveis reportados de inadimplência permanecem relativamente baixos, mas outros indicadores apresentaram piora na comparação trimestral. Os créditos classificados como Stage 3, o custo de risco e os níveis de cobertura se deterioraram sequencialmente.
Para a XP, o movimento sugere que parte da aceleração dos resultados do Pine está ocorrendo simultaneamente a um aumento do risco de crédito.
A preocupação ganha relevância diante da rápida expansão do banco em segmentos de varejo com maior rentabilidade, mas também potencialmente mais arriscados.
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