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Dívida bruta volta ao nível do auge da pandemia em 2027, diz BTG

Dívida bruta volta ao nível do auge da pandemia em 2027, diz BTG

Projeção do banco para o fim de 2027 subiu a 86,9% do PIB, o mesmo patamar registrado no encerramento de 2020, no auge da crise da covid-19

A dívida bruta do Brasil deve chegar a 86,9% do PIB no fim de 2027, segundo o BTG Pactual. O patamar recoloca o endividamento público no mesmo nível observado no encerramento de 2020, durante a crise da covid-19.

“Essa elevação recolocará o endividamento público no nível observado ao final de 2020”, escreve Fabio Serrano, do BTG Pactual.

Para 2026, a projeção subiu de 81,7% para 82,6% do PIB ao longo do primeiro semestre. A revisão de 2027 combina esse efeito com as hipóteses de crescimento e inflação mais fracos no ano seguinte.

Parafiscal pressiona as projeções

A principal divergência em relação às estimativas iniciais não veio do resultado primário, que variou pouco. Esteve na intensidade do uso de políticas parafiscais para estimular a economia.

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Acompanhar esses desembolsos é difícil, pondera o analista, porque as bases de dados são limitadas. A mobilização de recursos do Tesouro Nacional para fundos e bancos públicos funciona como uma referência imperfeita e tende a superestimar o impacto de curto prazo.

Ainda assim, as despesas financeiras do governo central somam R$ 173 bilhões neste ano. Parte foi direcionada ao BNDES, o que reverte a tendência de redução dos recursos do Tesouro no banco de fomento, iniciada em 2016.

“Os dados de despesas financeiras do governo central indicam uma intensificação desses recursos”, afirma Fabio Serrano.

Gráficos com os números da despesa financeira do Governo Central e dos créditos do Tesouro Nacional junto ao BNDES.

A emissão de títulos para financiar esse conjunto de políticas pressionou a projeção de dívida bruta do ano. Em tese, a menor liquidez seria compensada pela retirada de operações compromissadas do sistema bancário, o que não ocorre de forma automática nem exata.

Juros entram na conta

Há um segundo canal de pressão. O estímulo à demanda gerado pelas políticas parafiscais pode exigir uma dose maior de aperto monetário e, com isso, uma injeção adicional de compromissadas.

“A pressão de demanda gerada pela política parafiscal pode exigir um ciclo monetário mais apertado”, escreve o analista do BTG Pactual.

Ao longo do primeiro semestre, o banco reduziu o orçamento projetado para o ciclo de afrouxamento monetário. O ajuste teve efeito altista sobre a estimativa de dívida pública.

“O crescimento mais intenso da dívida bruta reforça a necessidade de ajustes”, diz Fabio Serrano.

Ajuste pelo lado da despesa

Os cálculos do banco indicam que uma melhora de 1 ponto percentual do PIB no resultado primário reduziria o juro real de equilíbrio em 87 pontos-base. Uma reforma ampla de desindexação dos gastos, por sua vez, poderia gerar economia de ao menos 1,5% do PIB até o fim de 2034.

A agenda estrutural passa pela redução da rigidez do gasto obrigatório. Sem ela, fica mais difícil desacelerar o crescimento da despesa e estabilizar a dívida bruta nos próximos anos.

“O cumprimento da meta fiscal em 2026 é relevante, mas insuficiente”, pondera Fabio Serrano.

Esse tipo de consolidação é apontado como essencial não apenas para melhorar o resultado fiscal, mas também para abrir espaço à queda do juro real de equilíbrio e elevar a probabilidade de estabilização da dívida em um horizonte razoável.

“A discussão fiscal tende a depender cada vez menos do resultado primário de curto prazo”, conclui Fabio Serrano, do BTG Pactual.