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Americanas (AMER3) terá assembleia de credores em 19 de dezembro

Americanas (AMER3) terá assembleia de credores em 19 de dezembro

Americanas (AMER3) recebeu aval da justiça para apresentar o plano de recuperação judicial; empresa negou acordo informado pela “Folha”.

A Americanas (AMER3) confirmou para 19 de dezembro a realização de sua assembleia de credores, para deliberação do plano de recuperação judicial da empresa. A data foi aprovada pelo juízo da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro e informada na noite desta terça-feira (21) pela varejista por meio de comunicado ao mercado.

No caso de ausência de quórum ou falta de acordo para votação, a segunda chamada para a assembleia será em 22 de janeiro de 2024. O edital de convocação ainda será publicado pela empresa.

Nos resultados de 2022, publicados na semana passada, a Americanas (AMER3) apresentou uma dívida líquida ao fim de 2022 no valor de R$ 26,287 bilhões, enquanto o endividamento bruto era de R$ 37,331 bilhões. Os resultados para os três primeiros trimestres deste ano ainda não foram apresentados.

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Também na terça-feira (21), após a publicação de notícia na Folha de S.Paulo de que alguns dos bancos credores aceitariam aportar até R$ 12 bilhões na empresa sob a forma de conversão da dívida em ações, a varejista publicou comunicado para dizer que “vem avançando nas negociações com seus credores”, mas que não há acordo concreto.

“Os termos finais do plano de recuperação judicial, assim como de eventuais acordos de apoio ao plano, entre a companhia e seus principais credores financeiros, ainda se encontram em negociação, não sendo possível precisar se ou quando tais negociações serão concluídas”, disse a Americanas (AMER3).

Americanas (AMER3): entenda a crise

Em janeiro do ano passado, a Americanas (AMER3) comunicou que havia descoberto inconsistências contábeis de cerca de R$ 20 bilhões que escondiam parte do endividamento da empresa. As ações despencaram e a rede varejista apresentou em seguida seu pedido de recuperação judicial.

De lá para cá, houve trocas de farpas e acusações públicas entre a empresa e seu ex-CEO, Miguel Gutierrez, que deixou o cargo em dezembro de 2022 e foi apontado pela varejista como mentor das fraudes; ele rebateu dizendo que nada era feito sem o aval dos acionistas de referência, Jorge Paulo Lemann, Cartos Alberto Sicupira e Marcel Telles.

O assunto foi investigado até em CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) no Congresso, sem efeito prático, e também pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que aplicou multas a vários dos executivos e conselheiros. A B3 ($B3SA3) suspendeu a empresa da listagem de Novo Mercado, por descumprimento dos padrões de governança.

Na semana passada, ao divulgar os resultados revisados do exercício de 2021 e os dados de 2022, a Americanas (AMER3) reportou um prejuízo acumulado de R$ 19,149 bilhões nos dois períodos: R$ 6,237 bilhões em 2021, ante um lucro informado inicialmente de R$ 544 milhões, e R$ 12,912 bilhões em 2022.

A empresa informou ainda que as fraudes se davam, principalmente, da seguinte forma:

  • Contratos de VPC (verbas de propaganda cooperada) fictícios eram lançados como redutores de custo de mercadoria vendida, melhorando artificialmente o resultado operacional. A contrapartida era um lançamento redutor da conta de fornecedores;
  • Operações financeiras de risco sacado eram contratadas para sanar a necessidade de caixa da Companhia e eram indevidamente lançadas na conta de fornecedores, neutralizando o lançamento de VPCs nesta mesma conta;
  • Os encargos financeiros das operações de risco sacado (e capital de giro) eram também indevidamente lançados na conta de fornecedores, não transitando em contas de resultado e majorando o resultado da Companhia;
  • Um grande volume de outras despesas diversas (como folha de pagamento e fretes) eram indevidamente capitalizadas;
  • Operações financeiras de capital de giro de curtíssimo prazo, realizadas para apresentar uma posição irreal de caixa ao final dos trimestres, eram indevidamente lançadas na conta de fornecedores e neutralizadas com o lançamento de VPCs fictícios.

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