Os resultados da Heineken no Brasil reforçam a avaliação do BTG Pactual (BPAC11) de que a Ambev (ABEV3) está aumentando sua vantagem no mercado de cervejas.
No primeiro semestre de 2026, os volumes da Heineken no país recuaram cerca de 5%, enquanto a receita cresceu aproximadamente 2%, segundo estimativas do banco. Na Ambev, os indicadores avançaram 2,9% e 9,4%, respectivamente.
“Os resultados da Heineken no primeiro semestre reforçam essa percepção. Os investidores não reagiram bem aos números da Ambev no segundo trimestre, mas, quando analisados diante do que a Heineken reportou e afirmou, os resultados ganham um novo significado”, afirmam os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla.
Diferença chega a 13 pontos nos volumes
Como a Heineken não divulga seus dados trimestrais do Brasil, o BTG calculou o desempenho provável da companhia no segundo trimestre. A estimativa aponta uma queda de aproximadamente 8% nos volumes e estabilidade da receita frente ao 2T25.
No mesmo período, a Ambev registrou crescimento de 5% nos volumes e de 8,9% na receita de cerveja no Brasil. As diferenças entre as companhias alcançariam, portanto, cerca de 13 pontos percentuais nos volumes e 10 pontos percentuais na receita.
“Estimamos que a Heineken tenha registrado queda de um dígito alto nos volumes do segundo trimestre, de aproximadamente 8%, e receitas praticamente estáveis. Isso se compara aos crescimentos reportados pela Ambev de 5% e 8,9%, respectivamente”, destacam os analistas.
A Ambev contou com uma base de comparação mais favorável nos volumes, de queda de 9%, enquanto a Heineken vinha de uma expansão estimada em 2%. Para o BTG, porém, essa diferença não explica toda a vantagem apresentada pela companhia brasileira.
Nos preços médios, o banco calcula alta de 8% para a Heineken e de 4,4% para a Ambev. Nesse indicador, a comparação favorecia a concorrente, cuja base teria recuado 7%, diante de uma expansão anterior de 6% da Ambev.
Foco da Heineken em margens favorece Ambev
A Heineken destacou o desempenho da Amstel, além das marcas Sol e Amstel Ultra. Sua principal marca, entretanto, teria apresentado um resultado mais fraco, embora permanecesse na liderança do segmento premium.
A companhia também apontou uma contribuição relevante do Brasil para o crescimento do lucro operacional, apoiada por ganhos na distribuição e na produção. O BTG interpreta essa busca por rentabilidade como um sinal de menor pressão competitiva sobre a Ambev.
“Com a estagnação do crescimento da marca Heineken, a companhia está buscando tornar o restante do portfólio economicamente viável. Em nossa visão, isso significa um ambiente competitivo mais benigno. Esse cenário abre espaço para a Ambev trabalhar com um mix mais rico, enquanto os concorrentes ficam mais propensos a elevar preços para sustentar o crescimento do lucro operacional”, avaliam Duarte e Guttilla.
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Segundo semestre será decisivo
O BTG espera alguma recuperação do setor no segundo semestre. A temporada de reajustes da Ambev deverá começar no terceiro trimestre, em um cenário mais favorável de participação de mercado, enquanto as duas companhias intensificam os investimentos em inovação.
A capacidade da Ambev de sustentar a vantagem por meio do portfólio, dos preços e da inovação será central para a tese do banco. O BTG reiterou a recomendação de compra para ABEV3.






