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Ambev supera expectativas no 2TRI26, mas BTG vê espaço para resultados mais robustos

Ambev supera expectativas no 2TRI26, mas BTG vê espaço para resultados mais robustos

Relatório do BTG destaca ganhos de participação de mercado, melhora das margens e forte geração de caixa, mas avalia que o trimestre poderia ter apresentado um desempenho ainda mais consistente

A Ambev (ABEV3) apresentou um conjunto de resultados considerado positivo no 2TRI26, com desempenho operacional sólido, avanço da rentabilidade e lucro acima das expectativas do mercado.

Na avaliação do BTG Pactual, embora os números tenham superado parcialmente as estimativas, o trimestre ficou aquém do potencial que poderia ser alcançado, especialmente em relação ao crescimento de volumes e da qualidade da expansão das margens.

O banco destaca que a companhia encerrou o período com EBITDA consolidado de R$ 6,4 bilhões, crescimento de 9% na comparação anual e ligeiramente acima das projeções. O lucro por ação alcançou R$ 0,22, avanço de 21% sobre o mesmo período do ano anterior, impulsionado principalmente pela redução das despesas financeiras líquidas e por resultados mais favoráveis nas operações de hedge de commodities.

Cerveja no Brasil impulsiona desempenho, mas margens têm qualidade questionada

A operação de cervejas no Brasil continuou sendo o principal destaque da Ambev durante o 2TRI26. Segundo o BTG, a empresa voltou a ampliar sua participação de mercado, especialmente no segmento premium, que registrou crescimento de dois dígitos.

Os volumes avançaram 5% na comparação anual, favorecidos por uma base comparativa mais fraca e pelo aumento da demanda durante a Copa do Mundo realizada em junho.

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Apesar disso, os analistas ponderam que a expansão das margens não refletiu integralmente uma melhora operacional. A margem EBITDA da unidade brasileira atingiu 33%, o maior nível para um segundo trimestre desde 2019, mas parte relevante desse desempenho decorreu do aumento de outras receitas operacionais, principalmente incentivos fiscais.

Sem essa contribuição extraordinária, a expansão das margens teria sido bastante limitada, já que as despesas comerciais e de distribuição cresceram em função das ações relacionadas ao evento esportivo.

Outras operações apresentam desempenho misto

Nas demais regiões de atuação da Ambev, o desempenho foi heterogêneo ao longo do 2TRI26. Com exceção da América Central e Caribe (CAC), praticamente todas as divisões registraram queda nos volumes comercializados em relação ao ano anterior. Ainda assim, a redução dos custos unitários ajudou a preservar a rentabilidade das operações.

No segmento de bebidas não alcoólicas no Brasil, os volumes caíram 4,4% e a companhia perdeu participação de mercado durante parte do trimestre. Segundo o relatório, entretanto, a empresa informou que houve recuperação gradual ao longo do período, encerrando junho próxima dos níveis históricos de participação.

Já na América Latina Sul, a Bolívia continuou pressionando os resultados, enquanto a Argentina apresentou sinais de recuperação, acompanhados por ganho de participação de mercado. O Canadá também teve desempenho superior ao esperado, sustentado por melhora da receita por hectolitro e expansão das margens.

Recompra de ações reforça retorno aos acionistas

Outro ponto destacado pelo BTG foi a estratégia de distribuição de capital adotada pela Ambev. A companhia encerrou junho com posição líquida de caixa de R$ 15,4 bilhões após recomprar aproximadamente R$ 2,2 bilhões em ações durante o 2TRI26, concluindo cerca de 95% do programa vigente. Além disso, anunciou mais R$ 1,1 bilhão em juros sobre capital próprio, somando-se aos R$ 3,1 bilhões já distribuídos no acumulado do ano.

Na avaliação do banco, a empresa deve renovar em breve seu programa de recompra de ações, transformando esse mecanismo em uma das principais formas de remuneração aos acionistas, especialmente após as mudanças na tributação dos dividendos no Brasil. A expectativa é que o payout total ultrapasse 100% a partir de 2026, mantendo um elevado retorno ao investidor.

BTG mantém recomendação de compra para a Ambev

Mesmo classificando o período como um trimestre “bom, mas que poderia ter sido melhor”, o BTG Pactual reiterou sua recomendação de compra para os papéis da Ambev. Os analistas afirmam que a empresa continua recuperando sua capacidade de repassar preços, apoiada por um portfólio competitivo de marcas e pela consolidação dos ganhos de participação de mercado.

O banco observa que o trimestre não deve provocar revisões expressivas nas projeções de lucro, mas reforça os fundamentos positivos da companhia. Entre os fatores destacados estão o maior retorno sobre o capital investido (ROIC) para um segundo trimestre em sete anos, a continuidade da geração de caixa e uma avaliação considerada atrativa, com preço-alvo de R$ 20 por ação e manutenção da recomendação de compra.

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