A Ambev (ABEV3) deverá divulgar um novo programa de recompra de ações junto com os resultados do 2º trimestre de 2026, marcados para 30 de julho. A aposta é do BTG Pactual, que vê o programa atual perto de esgotar o limite autorizado — e os incentivos para seguir comprando intactos.
“Com o programa atual se aproximando do limite de ações e o incentivo para continuar a estratégia ainda de pé, esperamos que a Ambev anuncie um novo programa de recompra junto com os resultados do 2º trimestre de 2026”, escreveram os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla.
R$ 3,1 bilhões comprados e teto à vista
Desde que lançou o programa de 208 milhões de ações, em outubro do ano passado, a cervejaria tem sido compradora constante dos próprios papéis, sobretudo nos últimos cinco meses.
Entre março e junho, foram 169 milhões de ações recompradas por R$ 2,7 bilhões, e o banco estima outras 25 milhões a 30 milhões de ações, por cerca de R$ 430 milhões, só em julho — o que levaria o total a aproximadamente 200 milhões de papéis, ou R$ 3,1 bilhões, um retorno via recompra de 1,3%.
A recompra é apenas um dos canais de devolução de caixa ao acionista, ao lado de dividendos e juros sobre capital próprio. E, enquanto parte dos investidores espera distribuições totais iguais ou menores que o lucro, o BTG está do outro lado da mesa.
“Esperamos que o retorno total de caixa neste ano exceda 100% do lucro líquido, sustentado por uma geração de fluxo de caixa livre acima dos lucros“, apontaram os analistas.
A explicação está na mecânica do negócio da cervejaria, que recebe dos clientes antes de pagar fornecedores.
“O ciclo de conversão de caixa negativo da Ambev significa que o crescimento pode liberar capital de giro, o que esperamos que seja o caso neste ano”, avaliaram Duarte e Guttilla.
O balanço reforça o argumento: a posição financeira da companhia é confortável demais para seguir intocada.
“Com caixa líquido equivalente a 0,5 vez o Ebitda, vemos poucos motivos para a companhia continuar empilhando caixa no balanço”, ponderaram os analistas do BTG.
O efeito do imposto sobre dividendos
Há ainda um ingrediente tributário na história. As recompras já superaram o excedente de geração de caixa que o banco projetava para o ano — e a mudança na legislação pode estar por trás do apetite.
“A nova taxação de dividendos remetidos ao exterior pode ajudar a explicar isso”, calcularam os analistas, lembrando que os proventos pagos a acionistas estrangeiros agora estão sujeitos a imposto de 10% e que a controladora da Ambev é a belga AB InBev.
Nesse cenário, a recompra virou o caminho mais eficiente para remunerar quem está no topo da estrutura societária.
“As recompras não colocam dinheiro diretamente no bolso do controlador, a menos que ele venda ações, mas permitem a um acionista de longo prazo aumentar sua participação proporcional e se beneficiar de maior valor por ação sem acionar o imposto imediato sobre dividendos”, concluíram Duarte e Guttilla.






