A Ambev (ABEV3) deve apresentar um desempenho positivo no segundo trimestre de 2026, beneficiada principalmente pela recuperação das vendas de cerveja no mercado brasileiro e pela continuidade da estratégia operacional da companhia. A expectativa é de crescimento da receita e do lucro em relação ao mesmo período do ano passado, embora o ambiente de consumo permaneça desafiador em algumas operações internacionais.
De acordo com relatório da XP, a companhia deve registrar receita líquida de R$ 21,1 bilhões entre abril e junho. A instituição estima margem EBITDA ajustada de 31,3%, avanço de 64 pontos-base na comparação anual, enquanto o lucro líquido deve alcançar R$ 2,9 bilhões, alta de 7,8% sobre o segundo trimestre de 2025.
A principal contribuição para o resultado deve vir da operação de cerveja no Brasil. A XP projeta crescimento de 5% no volume vendido em relação ao mesmo período do ano passado. Embora a estimativa fique abaixo do consenso do mercado, que aponta expansão próxima de 7%, os analistas destacam que a comparação se tornou mais favorável após a perda de participação de mercado registrada pela companhia no segundo trimestre de 2025.
O relatório também aponta que a estratégia mais agressiva de abastecimento dos canais de venda, aliada à continuidade da perda de participação de mercado do Grupo Petrópolis e aos reajustes de preços liderados pela Heineken, tende a favorecer o desempenho da Ambev no período.
Nova estratégia deve favorecer empresa
Por outro lado, as condições climáticas limitaram parte do potencial de crescimento. Segundo o monitor climático da XP, as temperaturas ficaram abaixo das médias históricas durante o trimestre e também ligeiramente inferiores às registradas no mesmo período do ano passado, reduzindo o estímulo ao consumo de bebidas.
Nas demais unidades de negócios, o cenário permanece mais desafiador. No segmento de bebidas não alcoólicas no Brasil, os benefícios dos ajustes na política de preços devem ser percebidos com maior intensidade apenas no segundo semestre.
No Canadá, a demanda continua enfraquecida, embora a XP identifique uma recuperação gradual dos volumes, acompanhada por melhora nos indicadores de preços e participação de mercado. Já na operação da América Latina Sul (LAS), o ambiente de consumo segue pressionado, principalmente na Argentina e na Bolívia.
Na região da América Central e Caribe (CAC), a avaliação é mais favorável. Apesar de enfrentar uma base de comparação mais exigente em razão de mudanças recentes na estrutura operacional, a unidade continua apresentando desempenho operacional consistente.
Para a XP, a combinação de uma base de comparação mais favorável na operação brasileira de cerveja e da disciplina na execução das estratégias comerciais deve sustentar resultados sólidos para a Ambev no segundo trimestre, mesmo diante de desafios como o clima menos favorável e a demanda ainda fraca em parte dos mercados internacionais.
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