Um dos principais motores da economia nacional, o agronegócio brasileiro reúne atividades que vão do cultivo e da pecuária à industrialização, logística e comercialização de produtos. Essa cadeia movimenta empresas de diferentes segmentos e tem participação expressiva na geração de riqueza do país.
Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o agronegócio representou 25,13% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2025, movimentando R$ 3,2 trilhões.
Para celebrar o Dia da Agricultura, comemorado em 17 de outubro, conheça quatro empresas de origem brasileira ligadas ao agronegócio que possuem ações ou recibos de ações negociados na bolsa de valores.
JBS: da pecuária brasileira ao mercado internacional

Se estamos falando de agronegócio no Brasil, precisamos falar da JBS (B3: JBSS32; NYSE: JBS). A multinacional de origem brasileira é uma das maiores empresas de alimentos do mundo, com presença comercial em mais de 180 países e mais de 250 unidades produtivas. Além disso, mantém um portfólio diversificado, que inclui desde carne in natura e marcas amplamente conhecidas pelos brasileiros até produtos como couro e biodiesel.
A companhia começou como uma casa de carnes mineira em Anápolis, Goiás, comandada por José Batista Sobrinho, conhecido como Zé Mineiro, em 1953. Em 1957, ele se tornou um dos primeiros fornecedores de carne para os trabalhadores que construíam Brasília. Alguns anos depois, Sobrinho expandiu o negócio e criou a marca Friboi, em 1970. Mas foi só em 1996 que as exportações começaram, marcando a entrada da empresa no mercado internacional.
Em 2007, a JBS abriu capital na Bolsa de Valores de São Paulo, tornando-se a primeira empresa do setor frigorífico brasileiro a realizar uma oferta pública inicial de ações (IPO). Já em junho de 2025, a companhia concluiu seu processo de dupla listagem, passando a negociar ações na Bolsa de Nova York (NYSE), sob o código JBS, e Brazilian Depositary Receipts (BDRs) na B3, sob o ticker JBSS32. Os BDRs são certificados negociados no Brasil que representam ações emitidas no exterior.
A trajetória de expansão da empresa ajudou a consolidar o Brasil como uma potência global na produção e exportação de proteína animal.
MBRF: união entre Marfrig e BRF cria gigante de alimentos

A MBRF (B3: MBRF3), uma das maiores companhias alimentícias do mundo, é resultado da fusão entre a Marfrig, uma das maiores produtoras de carne bovina do mundo, e a BRF, também criada a partir da união das empresas Sadia e Perdigão. A operação que deu origem à MBRF foi concluída em setembro de 2025, reunindo os negócios das duas companhias em uma plataforma de produção de alimentos.
A empresa se consolida como uma das gigantes do agronegócio brasileiro, com unidades e operações espalhadas pelo Brasil e por diversos países, como Arábia Saudita e China. Com atuação nos segmentos de carne bovina, aves, suínos e alimentos processados, a MBRF reúne marcas conhecidas pelos consumidores, como Sadia, Perdigão, Qualy e Bassi.
A companhia possui capacidade de produção anual de aproximadamente 8,2 milhões de toneladas de alimentos, com presença comercial em 117 países, demonstrando a dimensão internacional de suas operações e a relevância da indústria brasileira de proteína animal no mercado global.
Raízen: cana-de-açúcar, biocombustíveis e energia

Quando se pensa em agronegócio, é comum associá-lo a empresas da indústria alimentícia, mas o agro vai muito além, e a Raízen (B3: RAIZ4) é um desses exemplos. A companhia é fruto de uma joint venture, parceria estratégica entre a brasileira Cosan e a Shell, multinacional britânica do setor de energia.
A empresa cultiva cana-de-açúcar para produzir etanol, açúcar e bioenergia, além de atuar na distribuição e comercialização de combustíveis, lubrificantes e serviços para consumidores, indústrias e aeroportos.
A Raízen combina a atuação no setor sucroenergético com a experiência da Shell na distribuição de combustíveis. No ano-safra 2025/2026, a companhia registrou uma área agrícola cultivada de 1,2 milhão de hectares, produção de 4,8 milhões de toneladas de açúcar e comercialização de 35,8 milhões de m³ de combustíveis. No mesmo período, alcançou uma receita líquida de R$ 225,8 bilhões.
Apesar da dimensão de suas operações, a companhia enfrenta desafios financeiros. Em março de 2026, a Raízen entrou com um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar dívidas e reorganizar sua estrutura financeira. O processo representa um ponto de atenção para investidores interessados nas ações da empresa.
Ambev: da indústria de bebidas à cadeia do agronegócio

Em 1853, surgiu a primeira cervejaria Bohemia no Brasil e, quase um século e meio depois, em 1999, nasceu a Ambev (B3: ABEV3), resultado da fusão entre a Cervejaria Brahma e a Companhia Antarctica. Desde então, a empresa consolidou um portfólio de marcas conhecidas pelos brasileiros, como Corona, Brahma, Skol Beats, Spaten e Guaraná Antarctica, além da plataforma de entregas Zé Delivery, tornando-se uma das maiores companhias do setor de bebidas da América Latina.
Além disso, a Ambev mantém uma parceria com a PepsiCo para a produção, comercialização e distribuição de marcas como Pepsi, H2OH! e Gatorade. Essas parcerias e a expansão de seu portfólio contribuíram para consolidar a companhia no setor de bebidas, que registrou receita líquida de R$ 88,2 bilhões em 2025.
A relação da Ambev com o agronegócio está presente em sua cadeia produtiva, que utiliza matérias-primas agrícolas, como cevada e milho, na fabricação de bebidas. Dessa forma, a companhia representa a participação do setor agropecuário na indústria de bens de consumo, conectando produtores rurais ao mercado brasileiro de bebidas.
Saiba como investir no agronegócio brasileiro
O agronegócio brasileiro é uma das maiores potências do país, reunindo empresas nos mais diversos setores, desde produção de alimentos até a comercialização de commodities, oferecendo alternativas para os investidores que desejam diversificar a carteira. Além da valorização das ações, algumas empresas podem gerar ainda mais rendimento na sua carteira a partir da distribuição de dividendos.
Para quem deseja investir no agronegócio ou ampliar a exposição ao setor, a EQI Investimentos conta com uma assessoria especializada para encontrar melhores oportunidades alinhadas ao perfil e aos objetivos de cada investidor.
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