O Nubank (NU; ROXO34) volta ao centro das atenções do mercado financeiro após o Banco Safra elevar a recomendação para compra e introduzir um novo preço-alvo de US$ 22 para o final de 2026, o que representa um potencial de valorização de cerca de 30% em relação aos níveis atuais. Para o Safra, a mudança de visão reflete uma leitura mais construtiva sobre a capacidade do banco digital de transformar crescimento em rentabilidade, especialmente a partir deste ano.
“Agora, vemos ventos favoráveis claros em 2026 que podem impulsionar o momentum localmente e cristalizar maior rentabilidade no México, com potencial de atingir ~10% das receitas ajustadas ao risco e alcançar ROE próximo de 30% até 2030”, diz trecho do relatório.
Quando iniciou a cobertura do Nubank com recomendação neutra, o Safra já reconhecia a habilidade da companhia em expandir fronteiras com forte execução, mas avaliava que o valuation estava esticado.
Nubank: crédito impulsionado por avanços estruturais
No mercado brasileiro, o destaque vai para a evolução do motor de crédito do Nubank, impulsionado por avanços estruturais associados ao sistema Hyperplane. Em 2025, essa melhoria sustentou uma política mais flexível de aumento de limites de crédito, e 2026 começa com um fator adicional relevante: o aumento da renda líquida de clientes que ganham entre três e quatro salários mínimos. Segundo o Safra, cerca de 15% da exposição de crédito do Nubank está concentrada nesse grupo, que passa a ter maior renda disponível, estimada em aproximadamente R$ 300 por mês. Embora o valor pareça modesto, o impacto é considerado significativo para famílias com restrição orçamentária, podendo reduzir riscos de inadimplência e melhorar as provisões esperadas para perdas de crédito, segundo o Safra.
Enquanto isso, o banco mantém cautela no consignado privado. Diante da ausência de um arcabouço regulatório claro para garantias e operacionalização desse tipo de empréstimo, o Nubank optou por uma postura mais conservadora do que a de alguns concorrentes. Em contrapartida, o segmento de pequenas e médias empresas surge como uma avenida promissora de expansão. A combinação de conta sem tarifas, cartão de crédito e linhas de capital de giro cria um ecossistema propício para escalar operações, especialmente em linhas com garantias do governo, que oferecem um mercado amplo e margens atrativas.
México como segundo pilar de crescimento
Fora do Brasil, o México começa a se consolidar como um segundo pilar de crescimento do Nubank. A administração da empresa tem reforçado que o país deve seguir uma trajetória semelhante à do Brasil em seus primeiros anos de expansão. A análise comparativa feita pelo Safra sustenta essa visão e indica que o México pode responder por cerca de 10% das receitas totais do Nubank em dólares até 2030, com potencial de atingir retorno sobre o patrimônio próximo de 30%.
Esse conjunto de fatores levou o banco a revisar para cima suas projeções financeiras. As estimativas de lucro líquido para 2026 e 2027 foram elevadas em cerca de 20%, alcançando US$ 4,1 bilhões e US$ 5,4 bilhões, respectivamente. O crescimento é sustentado por uma expansão anual próxima de 30% na margem bruta e por um avanço médio de 27% na carteira de crédito, alinhando o Nubank ao consenso de mercado para os próximos anos.
Do ponto de vista de valuation, o Safra avalia que o Nubank negocia atualmente a múltiplos de 20 vezes o lucro projetado para 2026 e 15 vezes para 2027. O preço-alvo de US$ 22 implica um múltiplo considerado justo de 26 vezes, calculado a partir de um modelo de desconto de dividendos com custo de capital próprio em dólar de 12,8%.
Apesar do tom mais otimista, o relatório também aponta riscos relevantes à tese. Uma deterioração do cenário macroeconômico, piora na qualidade dos ativos, mudanças regulatórias, aumento da competição de forma agressiva ou interferências políticas podem afetar o desempenho esperado. Ainda assim, na avaliação do Safra, o Nubank entra em uma nova fase, na qual crescimento, escala e rentabilidade começam a caminhar juntos, reforçando sua posição como um dos principais cases do setor financeiro na América Latina.
Balanço do quarto trimestre
O Nubank divulga seu balanço referente ao quarto trimestre de 2025 (4TRI25), em 25 de fevereiro, com a teleconferência com investidores no mesmo dia.
No terceiro trimestre, o balanço mostrou lucro líquido alcançou US$ 783 milhões, alta de 39% em relação ao ano anterior na métrica FXN, enquanto o retorno sobre o patrimônio (ROE) atingiu 31%, o maior já registrado pela instituição.
As receitas avançaram no mesmo ritmo — 39% na comparação com o 3TRI24 — e chegaram a US$ 4,2 bilhões, também um recorde trimestral. O Índice de Eficiência recuou levemente para 27,7%, sinalizando maior produtividade e ganhos de escala no modelo operacional do banco.
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