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Shoppings premium: a caminho de continuar a ganhar fatia de mercado

Shoppings premium: a caminho de continuar a ganhar fatia de mercado

A expectativa é de que empreendimentos mais consolidados, com forte fluxo de visitantes e mix qualificado de lojistas, consigam atravessar a transição da reforma tributária

Os shoppings premium devem ampliar sua participação no varejo brasileiro nos próximos anos, em um cenário de maior diferenciação entre ativos de alto e baixo desempenho. A expectativa é de que empreendimentos mais consolidados, com forte fluxo de visitantes e mix qualificado de lojistas, consigam atravessar a transição da reforma tributária com menos turbulência e ainda reforcem sua posição competitiva no setor.

A avaliação consta em relatório da XP, elaborado após reunião com a administração da Multiplan. A casa mantém visão construtiva para as ações da companhia (MULT3) e avalia que o impacto das mudanças tributárias será menos negativo para a empresa em comparação a outros players do setor, principalmente devido à sua baixa exposição a lojistas enquadrados no Regime Simples.

Segundo o relatório, a reforma tributária deve produzir efeitos desiguais entre as administradoras de shopping centers, com maior pressão sobre lojistas que podem enfrentar dificuldades para gerar créditos fiscais ao longo da cadeia. No caso da Multiplan, essa exposição é considerada limitada, o que tende a reduzir potenciais impactos adversos.

Novo IVA

A nova estrutura do IVA passará a cobrar o imposto sobre a receita de forma separada do aluguel, alterando a dinâmica anterior, em que o tributo estava embutido na fatura. Essa mudança pode pressionar parte dos lojistas, a depender do desempenho das vendas e das negociações durante o período de transição. Ainda assim, a companhia enxerga oportunidades: novos investimentos devem gerar créditos fiscais imediatos, enquanto a base de despesas elegíveis a créditos tende a ser ampliada, o que pode reduzir a base tributária total ao longo do tempo.

O documento destaca que despesas de capital continuarão a gerar créditos fiscais à alíquota anterior de PIS/Cofins, de 9,25%, considerando o valor depreciado dos ativos. No caso de novos empreendimentos, os créditos seriam imediatamente aproveitáveis, reduzindo a base tributável das receitas de aluguel.

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No campo operacional, a transição exigirá ajustes, como mudanças na emissão de faturas e na relação com municípios. Pode haver pressão adicional sobre receitas de estacionamento, que não contam com o desconto setorial de 70%, enquanto despesas condominiais poderão gerar créditos caso fornecedores e a própria companhia adotem o novo regime.