As ações da Casas Bahia (BHIA3) derretem 30% após a empresa protocar um pedido de recuperação judicial no Foro Central Cível de São Paulo no mesmo dia em que reportou prejuízo líquido de R$ 10,117 bilhões no 2º trimestre de 2026.
O Conselho de Administração aprovou o ajuizamento em reunião realizada na data, com aval do acionista controlador. Entraram no pedido outras nove empresas do grupo, entre elas a Cnova Comércio Eletrônico e a Indústria de Móveis Bartira.
Antes disso, a EY não conseguiu concluir sobre as informações financeiras intermediárias e apontou incerteza relevante quanto à continuidade operacional. A XP Investimentos colocou recomendação e preço-alvo em revisão.
O que diz o fato relevante
“O ajuizamento do pedido de recuperação judicial mostra-se necessário e configura mais um passo na direção da reestruturação financeira da Companhia”, informou o Grupo Casas Bahia em fato relevante.
A varejista atribui a deterioração das condições econômico-financeiras a juros elevados, restrição de crédito, custo financeiro maior e pressão sobre consumo e capital de giro. Alternativas de liquidez que vinham sendo estruturadas não saíram do papel.
Durante o processo, a companhia diz que pretende manter lojas físicas e canais digitais funcionando, sem interrupções relevantes. O conselho convocou assembleia geral extraordinária para ratificar a decisão tomada em caráter de urgência.
O trimestre que antecedeu o pedido
Os números já vinham fracos. A receita líquida somou R$ 6,977 bilhões, alta de 1,6% em um ano, enquanto o Ebitda ajustado recuou 9,4%, para R$ 518 milhões, com margem de 7,4%.
“Operacionalmente, os resultados foram fracos: a margem bruta expandiu para 32,9%, embora tenha sido compensada por maiores despesas com vendas, gerais e administrativas”, escreveu a equipe de análise da XP Investimentos em relatório a clientes.
Abaixo da linha operacional entraram R$ 9,1 bilhões em efeitos contábeis sem caixa, dos quais R$ 5,7 bilhões vieram da baixa integral dos ativos fiscais diferidos. O patrimônio líquido terminou junho negativo em R$ 8,107 bilhões.
O risco que a XP enxerga daqui para frente
“Os fornecedores podem restringir ainda mais as condições diante das notícias sobre a reorganização, enquanto os sindicatos estariam preparando uma ação coletiva em relação às 1,9 mil demissões ligadas ao fechamento de 298 lojas”, apontou a XP Investimentos.






