A XP rebaixou a recomendação para as ações do Grupo Mateus (GMAT3) de compra para neutra e estabeleceu preço-alvo de R$ 5 para o fim de 2027, com as ações sendo cotadas em R$ 3,90 na manhã desta segunda-feira (17).
O rebaixamento da ação ocorreu devido a uma combinação de fatores macroeconômicos que, na avaliação da corretora, afeta de maneira especialmente intensa as regiões nas quais a companhia concentra suas operações.
No relatório divulgado no domingo (16), a XP apontou a redução do benefício médio do Bolsa Família, uma dinâmica menos favorável da inflação e novas pressões sobre o consumo, como a expansão das apostas on-line e o maior acesso aos medicamentos GLP-1.
As novas premissas levaram a corretora a reduzir suas projeções de Ebitda em 20% para 2026 e em 28% para 2027. As estimativas para o lucro líquido foram cortadas em 33% e 30%, respectivamente.
Bolsa Família e inflação pressionam vendas
Segundo a XP, todos os nove estados nos quais o Grupo Mateus atua aparecem entre os 12 com maior participação do Bolsa Família na renda média por habitante. O Maranhão, estado de origem da companhia e responsável por quase metade de sua base de lojas, lidera essa exposição.
O benefício médio do programa recuou cerca de 5% nos últimos três anos. A corretora também vê pouco espaço para um reajuste relevante no curto prazo, considerando as restrições fiscais e a ausência de sinais semelhantes aos observados em ciclos eleitorais anteriores.
A inflação também deixou de oferecer proteção às vendas. Em 2023, a baixa inflação geral sustentava o poder de compra, enquanto os preços mais elevados dos alimentos ajudavam a receita das lojas. Agora, o IPCA mais forte no Norte e Nordeste reduz a renda disponível, ao mesmo tempo que a inflação mais fraca dos alimentos limita o avanço das vendas nas mesmas lojas.
A XP ainda destacou que as apostas on-line apresentam penetração superior à média nacional no Norte. A maior disponibilidade dos medicamentos GLP-1, utilizados para diabetes e perda de peso, também pode provocar mudanças nos hábitos alimentares. A administração do Grupo Mateus já havia apontado queda dos volumes vendidos no segundo trimestre de 2026.
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XP vê desafio para sustentar margens
Apesar do cenário desfavorável, a XP identificou sinais positivos nas iniciativas de produtividade apresentadas no balanço do segundo trimestre. A companhia vem trabalhando para aprimorar controles internos, governança e eficiência, além de reduzir despesas após o recente corte de funcionários.
“Vemos com bons olhos os sinais de melhora apresentados nos resultados do 2T26 em relação às iniciativas de produtividade, mas consideramos mais desafiador sustentar ou melhorar as margens à frente em meio a um crescimento moderado da receita”, afirmou a XP.
Na avaliação da corretora, a aceleração das vendas nas mesmas lojas seria a principal alavanca para novos ganhos de margem. Essa recuperação, entretanto, permanece dificultada pelo ambiente macroeconômico e pela elevada exposição geográfica do Grupo Mateus às regiões mais pressionadas.
“Reconhecemos os esforços recentes da companhia para melhorar os controles internos, governança e eficiência e continuamos vendo o Grupo Mateus como um operador sólido, com presença dominante em suas principais regiões”, destacou a XP.
Mesmo reconhecendo a qualidade da operação, a corretora considera que a relação entre risco e retorno das ações se deteriorou. Por isso, rebaixou a recomendação para neutra e fixou o preço-alvo de R$ 5 para o fim de 2027.






